quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014: O Ano Que Poderia Não Acabar





Sou uma pessoa que olha muito para trás. Sou afeito a retrospectivas, a fazer balanços e analisar prós e contras de momentos da minha vida. Quando chega esse pedacinho especial do ano – o seu fim – isso se torna algo intenso. Em compensação, não sou de traçar resoluções fantasiosas, embora crie as minhas expectativas para o ano que vai nascer. Por exemplo, prometi pra mim mesmo que me empenharia em me tornar um cozinheiro mais sofisticado em 2014 – e acho que esse ano foi o que mais estive longe do fogão desde que passei a ter um.

Mas voltando à retrospectiva em si, lembro que terminei 2013 dizendo que sentia que havia sido um ano “encardido”. Tive bons momentos, mas lembro que 2013 foi o ano mais difícil de toda a minha maturidade. Pedia, no meu post de balanço no Facebook, que ao longo de 2014 eu desencardisse do ano anterior, assim como uma pessoa que caminha longas horas na grama não consegue desencardir o pé mesmo após esfregar bucha e sabão com afinco.

2014 foi um ano muito especial. Muito mesmo. Daqueles anos para cuidar com carinho na memória. Aliás, é engraçado como os anos terminados em 4 são anos que invariavelmente me trazem lembranças boas. Após nascer em 1984, tive excelentes anos em 1994, 2004 e agora 2014.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Qual O Seu Defeito Mortal?





Todo ser humano tem defeitos. Falhas que parecem lindas qualidades, mas que podem arrasar com uma pessoa. 

Eu falo. Se tem algo me desagradando, eu falo mesmo. Se alguém me irrita, eu revido. Não tenho papas na língua. Eu digo o que não deve ser dito, o que todos querem dizer, mas ninguém tem coragem. Quando eu descobri que o meu defeito mortal não era a Sinceridade, mas sim a Lealdade, entendi porque me ferrei tanto na vida. 

Uma vez, rejeitei um emprego como gerente numa loja, duas semanas após ter começado num escritório de contabilidade. Eu queria muito o emprego, mas algo dentro de mim gritava: "Fica, você acabou de entrar no emprego, vai sacanear eles?". Dois meses depois, fui demitido pra darem a vaga para um ex-funcionário. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Balanços e Perspectivas





"I have spoke with the tongue of angels 
I have held the hand of a devil 
It was warm in the ninght 
I was cold as a stone 
But I still haven't found 
What I'm looking for..." 
I Still Haven't Found What I'm Looking For (U2)

O ano de 2013 foi doído. Lembro bem que em dezembro passado eu não era ninguém, só queria deitar em posição fetal e esperar que 2014 chegasse logo e apagasse aquele final de ano da minha história. Nunca antes tinha tido um final de ano tão chato e que me sugasse tanto as energias como aquele. O trabalho me consumia e eu perdi uma oportunidade de promoção por motivos aleatórios e que nunca me desceram totalmente. É a vida, eu sei, mas a vida nem sempre é justa, não é mesmo?

Mas 2014 chegou e eu me obriguei a encará-lo de frente. Lembro de passar o réveillon em uma festa olhando os fogos iluminando a baía de Guanabara e desejando, enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto, que esse ano fosse melhor. E foi, viu, ainda bem!

Eu acho que existem anos bons e anos ruins. Assim como existem dias bons e ruins e momentos alegres e tristes. O legal é que essas marcas nos calendários servem apenas para vermos como podemos sobreviver aos momentos ruins e relembrar os bons. Deve ser por isso que o tempo foi dividido em anos e a humanidade está há milênios contando os dias, meses e anos. É mais fácil de assimilarmos o mundo e nossas próprias transformações graças a essas divisões. 2010 foi legal. 2011 foi ok. 2012 foi ótimo. 2013 foi terrível. E a gente segue, nesse mar de bons e maus anos, de lembranças e retratos imaginários guardados em nossos corações.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Uma Dúvida Inconveniente





Aos trinta anos você deve ter uma família, ser casado, ter filhos, ter um apartamento, um bom carro, um emprego estável, estar com a vida feita, apenas esperando pela tão sonhada aposentadoria. Ou é isso que você é levado a acreditar desde criança. 

Quando pequeno, me perguntavam o que queria ser quando crescer. Quando adolescente, me perguntavam o que faria na faculdade. Aos 25 anos, um ex-namorado me fez acreditar que eu não era nada porque trabalhava por amor e não por dinheiro. “Um artista pobre e sem perspectiva de vida”, ele dizia. Aos 27 tive uma crise nervosa porque, mesmo com um bom emprego que me pagava muito bem, continuava não tendo nada. Não tinha um apartamento. Não tinha um namorado. Não tinha construído nada de relevante para a sociedade. “Mas como assim você não tem um carro? Você tá juntando dinheiro pra comprar um?” Eu não estava. Nunca gostei de dirigir. Não tinha o menor interesse em comprar um carro. Namorava com qualquer um que parecesse ser o cara ideal. Vai que dá certo. Mas nada parecia certo. Então o errado era eu? 

sábado, 27 de dezembro de 2014

Ao Amor Que Ainda Não Veio





Caro amor que ainda não veio, 

Hoje é dia 27 de dezembro. Mais um ano vai chegando ao fim e você não apareceu. Me vesti de ilusões e esperanças aguardando por você, fiz planos, mas você não veio. 

Já faz tempo, sabe, que espero, procuro, planejo, sonho, me iludo e... nada! Acho que você seria feliz comigo. Podia aparecer assim, como quem não quer nada, meio sem compromisso, só pra ver como é, tirar a dúvida, experimentar. 

Sou uma ótima companhia, lhe garanto que teríamos momentos incríveis. Tenho pensado em coisas muito românticas pra nós dois esse tempo todo que você está sumido, sem dar sinal de vida. Fico idealizando momentos mágicos, únicos, inesquecíveis, que passam como um filme na minha cabeça, sempre acompanhados de uma trilha sonora especial. Coisa de gente romântica boba, apaixonada pelo amor. Olha que loucura, sou apaixonado por você sem ao menos lhe conhecer! Apaixonado pela ideia do amor. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Sobre Pessoas Que Gostam (e Muito) de Sexo!





Sexo é bom e todo mundo gosta. Será? Acredito que talvez uns gostem mais do que outros, vide o texto sobre assexualidade publicado aqui mesmo no Barba Feita. Mas, e quando as pessoas colocam o sexo como centro de tudo que fazem, será que isso é sadio?

Revendo o filme Shame, vi que o personagem principal, interpretado por Michael Fassbender, é aparentemente um homem como qualquer outro. Trabalha, é bem relacionado, tem problemas como qualquer pessoa. E ele gosta bastante de sexo, nunca está satisfeito, se masturba em casa e no trabalho, sempre está paquerando uma mulher aqui e ali, até apanhou por isso, mas não desiste. Num determinado momento do filme, ele se joga pra cima de um homem. A cena é fantástica, porque não há diálogos, apenas olhares denunciando o tesão que sentem um pelo outro.

Eu costumo sempre achar que os filmes retratam sempre o que vemos em nossa sociedade; muitas vezes, as pinceladas são mais fortes, mas está tudo ali. Não vejo o personagem de Fassbender impossível; ele existe, pode estar dentro de sua própria casa e você não notou, pode até ser você.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Então é Natal...





Já deu pra perceber que nós do Barba Feita não amamos tanto o Natal. Bem, também não é assim. Lembro, quando pequeno, de ótimos momentos nessa data. Mas são momentos que são meus. Não compartilhados com outros membros da minha família. Por exemplo, lembro de diversas vezes, por diversos anos, ficar assistindo em plena madrugada da Globo, O Mágico de Oz. Como amo esse filme e como amo essa lembrança. O Natal tinha gosto de ir em busca de casa, através dos tijolos amarelos. Assim como matar saudades da melhor babá do mundo: Mary Poppins. Sim, esse era o outro filme que me acalentava na madrugada, pós ceia de Natal e o blá, blá, blá de todos os familiares.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O Velhinho Sempre Vem





No último sábado, estive em uma comunidade carente distribuindo brinquedos que ajudei a arrecadar durante meses. Eu e um grupo de outras nove pessoas, incluindo um que se vestiu de Papai Noel num calor inclemente. Ao todo, foram quase 80 crianças atendidas em cerca de uma hora e meia. E vimos de tudo: descalços, maltrapilhos, sujos... Uma senhora que cuidava de 15 crianças, sendo que nenhuma era filha dela; uma outra que, mesmo aparentando ter menos de 40 anos, tinha 10 filhos, sendo o mais velho com 25; alguns órfãos de uma guerra contra as (ou pelas) drogas... Em todos (em quase todos na verdade, porque pude constatar empiricamente que cerca de 10% dos pequenos têm medo de Papai Noel), era possível ver estampado o sorriso no rosto ao ver o bom velhinho. E olha que foram atendidos de bebês de colo até adolescentes de uns 14, 15 anos.

Conta a lenda concebida por Theodore Seuss Geisel, que uma criatura feia, verde e peluda chamada Grinch roubava o Natal, tendo seus motivos dignos de terapia para isso. As crianças às quais eu me refiro não precisaram de monstros mitológicos para terem um Natal atrás do outro sem saber o que seria um presente, uma ceia ou uma celebração em família. Tiveram muito de um Natal de conto de fadas roubado pela dura realidade em que vivem. Mas nunca abandonaram a sua crença no velho senhor de barba longa e branca e vestes vermelhas.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Eu Detesto o Natal!





Eu tenho horror do Natal. Muita gente feliz demais, sorridente demais, falante demais, suada demais, enquanto cria congestionamento nas calçadas pra ficar encarando vitrine ao invés de entrar na loja; essa coisa de espírito natalino, que é época de paz, harmonia, amor... Ah, faça-me o favor! Eu, hein, galera se odeia o ano inteiro, aí vai chegando Dezembro e é só escutar Simone cantado "Então é Natal..." nos shoppings que tudo vai se acalmando, se tornando pisca-piscante, colorido, doce, suave, harmônico...

Comigo não tem disso. Eu gosto sim, das bebedeiras, das festas, é disso que eu gosto. Se bem que esse ano não deve ter nada na casa dos meus parentes, o que é uma pena, porque eu começo a beber de manhã e só paro de noite.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Não Mude Para o Natal, Mude na Vida





"Só vou te contar porque você já é de casa
Eu tenho um lado doce que quase ninguém vê
Se dou festa trato bem até quem chega de penetra
E quem me beija não consegue me esquecer..."
Stereo (Preta Gil)

Vinte e dois de dezembro de dois mil e quatorze. O clima de Natal, recheado de hohohos e boas vibrações, toma conta das pessoas nos Amigos Ocultos da empresa, nas confraternizações de final de ano e, claro, na iminência dos jantares familiares marcados para a noite do próximo dia 25. Está todo mundo mais leve, feliz e (imagino eu) tentando ser mais solícito ao próximo. Mas, pergunto, não deveríamos exercitar essas características o ano todo?

Antes de mais nada, devo confessar que não sou lá um fã ardoroso do Natal. Na minha família, que pertence a uma denominação que não comemora a maioria das datas religiosas comumente abraçadas por todos, o Natal sempre foi mais um dia como o outro, apenas um feriado qualquer. Assim, cresci sem esperar pelo dia e, no calor dos trópicos, achando estranho que uma data que deveria ser comemorada com neve e roupas de frio caísse por aqui exatamente no início do verão.  Natal, para mim, nunca teve essa conotação de perdão de velhas rusgas (mesmo que esse perdão durasse apenas por uma única noite). 

Mais velho, pensando por mim mesmo e consciente do mundo à minha volta, ampliei meu conceito da data. E se hoje sei perfeitamente que o Natal nada mais é que mais uma data comercial, não julgo quem entra no clima e fica feliz com as luzes e os festejos da época do ano. Eu mesmo não sou nenhum tipo de Grinch, e me divirto com as festas, a comida e com a possibilidade de feriados tão próximos uns dos outros.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Estatuto Contra a Família





Há nove anos trabalho como professor de teatro em diversas unidades educacionais e culturais. Já lecionei teatro dentro da grade curricular em escola pública carente, do pré-escolar até a 8ª série, onde todos os alunos eram obrigados a participar das aulas; já lecionei teatro em Fundações Culturais, para adolescentes e adultos; em escolas públicas carentes e não carentes, como atividade extracurricular; e já lecionei em escolas particulares, com uma estrutura excelente. O teatro me colocou em contato com todas as classes sociais deste país e com centenas de famílias.

Lembro com clareza o dia que uma avó veio falar comigo por causa do desempenho da sua neta na escola e ela proferiu a seguinte frase: “Ela é minha família. Somos eu e ela.”. Desse dia em diante, comecei a perceber os tipos de famílias das crianças, adolescentes e adultos que eu tenho contato todos os dias em sala de aula: além da avó e da neta, estou em relação com famílias constituídas por pai solteiro e filhos, mãe solteira e filhos, pai e mãe e filhos, tio e sobrinho, tia e sobrinhos, pai e pai e filho, mãe e mãe e filho, vizinho que cria a filha da vizinha por inúmeros motivos, pai solteiro com filhos que casou com mãe solteira com outros filhos e agora formam uma família nova com irmãos novos, etc.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Carrie Bradshaw, Amiga, Eu Te Entendo Tanto!






Sabe qual meu seriado favorito atualmente?

Se você pensou em  Game Of Thrones, House Of Cards ou How to Get Away With Murdererrou. Meu seriado favorito no momento é Sex and the City.
Nossa Esdras, que coisa mais antiga!
Sim, Sex and the City é bem anos 90, mas seu tema principal são os relacionamentos, nossas expectativas e comportamentos diante deles, e este é um tema que nunca sai de moda.

Por que estou assistindo a história das quatro amigas solteiras, bonitas, independentes e bem-sucedidas, que vivem uma vida de luxo e glamour em Manhattan, enquanto se divertem com os homens errados até achar o certo, 10 anos depois de ter chegado ao fim em sua sexta temporada?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Sobre Pessimistas, Invejosos, Bajuladores e Afins!





A internet ajudou a criar alguns tipos de gente muito chata. Primeiro, temos o tal do pessimista. O cara vive amargurado porque não consegue a vida que gostaria de ter e sai por aí soltando toda espécie de rancor aos quatro cantos. Para ele tudo é ruim, tudo é feio, tudo está mal. É o chamado espírito de porco. Ele não está apenas triste com a vida que tem, então, sai por ai infernizando a vida dos outros. O pessimista cibernético é, acima de tudo, um invejoso. Ele quer o que você tem; como não consegue, acha que deve destruir o mundo que ele não tem. Nem terá.

E o que mais vemos na rede são pessoas propagando o veneno. São infelizes, querem consertar a novela das nove porque se julgam melhores que o autor que tem anos de experiência, ao passo que elas nunca escreveram uma linha. E quando chega esta época do ano então, soltam toda espécie de escárnio sobre o Natal, como se apenas importasse a opinião deles. No fundo, gostariam de estar comemorando como todo mundo. Tenho pra mim, que muitos destes falam tanta besteira apenas para dizer que tem celular ou TV por assinatura, como se hoje em dia ninguém mais tivesse.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sexo Oral de Quinta - # 01





Então, vamos falar sobre sexo? Vocês lembram que há quase um mês foi publicado aqui no Barba Feita, na minha coluna de quinta-feira, um texto em que eu convidava vocês, queridos leitores, a mandarem perguntas sobre sexo? Caso você esteja chegando agora, seja muito bem vindo e mande perguntas! Bem, não precisava e nem precisa ser necessariamente uma pergunta. Mas a ideia era e, continua sendo, da gente conversar sobre sexo. Sem medo. Sem julgamentos. Sem neurose. 

Então, reunimos aqui três perguntinhas que recebemos durante esse tempo. E não pensem que responderei ou, melhor dizendo, dialogarei sozinho. A cada nova edição (que deve ser mensal) um dos colunistas do Barba, será convidado a deixar também as impressões dele sobre os questionamentos, dúvidas sexuais, existenciais e sentimentais de vocês. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ecos da Falocracia





Não, eu não ia escrever sobre isso. Até porque acredito que existem coisas que, quanto mais se falam, mais quem as causou atinge o seu objetivo, que é o de ganhar visibilidade e legitimar os seus dogmas junto ao seu eleitorado. Mas também acredito que existem coisas que, se não forem faladas, é como o ovo de uma serpente: é possível ver crescendo lá dentro uma víbora que pode ser fatal.

Colocando ambas na balança, achei melhor tratar do assunto, mesmo uma semana após o seu ápice.
“Não estupro você porque não merece.”
Essa frase foi dita por um parlamentar democraticamente eleito pelo Estado do Rio de Janeiro a uma colega de Congresso. E, sinceramente, eu não tinha dúvidas de que ele seria reeleito no último pleito. Talvez não tivesse a noção da quantidade de votos que ele alcançaria – comparável à quantidade que Luciana Genro (PSOL) teve em todo o país para a Presidência. E hoje não esperava que uma busca em seu nome no Google já apareça o termo “Presidente” como um dos mais associados.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Namore Um Cara Que Lê





Eu sempre gostei de ler, gente. Desde pequetucho minha mãe, essa linda, me incentivou a ler. Quadrinhos, tirinhas de jornal, os livros da escola, coisas na TV, tudo. Nossa, como era legal. Ela sempre dizia 
"Meu filho, para ler, você tem que saber interpretar o que está escrito. Tem que ler de acordo com o que está escrito no papel, saber entender o que está acontecendo."
Com isso as leituras se tornaram ainda mais prazerosas e meu gosto por leitura só aumentou. Gibis, livros de bolso, jornais e afins.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Grisalhos





"As entradas do meu rosto
E os meus cabelos brancos
Aparecem a cada ano
No final do mês de agosto..."
Amanhã é 23 (Kid Abelha)

Quando moleque, me lembro claramente da sensação de que havia MUITO tempo pela frente. Os anos se arrastavam e, para chegar logo nas férias de verão, como demorava! O objetivo era fazer 18 anos logo e ser “adulto”. Como era inocente! 

Mas o tempo, que depois de certa idade se torna cada dia mais implacável, passou, é claro. Primeiro os 18, depois os 20, os 25 e agora, cá estou, na casa dos 30. Se pudesse, sinceramente, escolher uma idade para me congelar nela, seria ali pelos 27 anos, quando a gente não é mais tão idiota como era aos 20, nem tão próximo da meia idade, pelo menos tendo essa sensação, quando se passa dos 30. Os 27 são fantásticos e eu poderia morar nessa idade por toda eternidade. Mas, né, isso é impossível. 

E cá estou enrolando para falar do verdadeiro assunto dessa coluna (que poderia ser um post super egocêntrico de um blog particular): os meus cabelos grisalhos. Porque eu me pergunto: como assim, cara pálida? Meu pai já passou dos 50 e está começando AGORA a grisalhar; enquanto isso, eu aqui, aos 33 anos, CHEIO de cabelos brancos. Segundo minha mãe, para me consolar, ela começou a ter cabelos brancos aos 20 anos e, a partir daí, sempre pintou, o que não me é, nem de longe, uma alternativa. Podendo puxar meu pai ou minha mãe, quem foi que eu puxei? 

domingo, 14 de dezembro de 2014

Sonhos





Não sei do que são feitos os sonhos. 

Quisera, mas não sei. 



Talvez de um material coloidal o qual podemos modelar conforme nosso desejo e vontade ou até mesmo necessidade. Quiçá algo mais sólido, menos maleável requerendo para chegar ao formato do sonho que sonhamos, lapidação e dedicação que apenas os fortes e resilientes logram gerir e alcançar.



Não sei do que são feitos os sonhos.

 Sei que apenas sei sonhar e que na passagem do sonho à realidade (sonho sonhado é bom mas inútil se não transmutado em algo palpável, que se entrega e conclua, que mostre a que veio, o oposto é viver no onírico em eterno engano) se lhe posso moldar, o faço, se preciso cinzelar, não o hesito e se para praticar o sonho fosse preciso manipular a genética, o faria sem ao menos pestanejar pois é meu, não seu, nem dele, apenas meu e se eu não o posso por em realidade, ninguém mais o fará.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Citações de Uma Vida Inventada





Uma das coisas que mais me fascina durante a leitura de um livro é lê-lo com calma, sem pressa, refletindo em cada palavra, cada frase, cada pensamento. Sublinhar as partes que mais me tocaram, parar a leitura após um trecho que me deixou sem ar e repetí-lo diversas vezes na minha cabeça, remoendo-o até que esteja pronto para ser digerido depois de totalmente destrinchado e saboreado pela minha alma. 

Hoje, guardando alguns objetos para mais uma mudança em minha instável e insana vida, me deparei com o livro da Maitê Proença lançado em 2008: Uma Vida Inventada - Memórias Trocadas e Outras Histórias. Como faço com a maioria de meus livros, sublinhei neste algumas citações que mexeram comigo, que me disseram algo mais além de narrar uma simples história e, relendo esses trechos, percebi que são incrivelmente verdadeiros e que se encaixam com perfeição no momento que estou vivendo. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Sobre a Difícil Vida Fácil





Mateus, 33 anos, sempre teve dificuldade com encontros amorosos. Tímido, não se acha bonito e segundo ele, sempre sofreu nos relacionamentos. Um dia, descobriu que para aplacar sua carência afetiva, estava disposto a pagar por sexo. Tem agido desta forma durante um bom tempo, mesmo se sentindo vazio após as relações. 

Lucas, 22 anos, é o rei das festas. Dono de um lindo sorriso, é eloquente e vivaz. Se considera bonito, vai à academia todos os dias, conforme ele diz, para manter o corpo sarado e desejado por todos. Possui um bom emprego e está sempre namorando alguém. Porém, mesmo estando numa relação estável, nunca foi fiel e costuma sair com garotos de programa, às vezes. 

João, 46 anos, não se considera nem bonito nem feio; segundo ele, é simpático. Não gosta de academias, mas corre de vez em quando no parque da cidade, onde aproveita para paquerar quando tem oportunidade. Acabou de sair de uma relação longa e costumava sair com garotos de programa junto com o namorado. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Livros. Livros Por Todos os Lados!





Adoro o final de ano por inúmeros motivos e o maior deles se chama Black Friday. Utilizo a sexta-feira de promoções como desculpa para comprar e meter o pé na jaca mais um pouco, quem nunca? Mas o que isso significa na pratica? Não, não saio comprando roupas e eletrônicos como se não houvesse amanhã. Minha praia é outra. Resumindo: aproveito a data para comprar livros (e box de séries). Claro que mais livros que já compro normalmente.

Acho engraçado o quando a memoria é algo bastante seletiva. Se você me perguntar, não saberia dizer exatamente qual foi o primeiro livro que comprei com meu dinheiro (de mesada ou presente de aniversário, mas vocês entenderam o significado de “meu dinheiro” nessa frase, né?), mas lembro exatamente pelo que estava passando ao ler determinada obra. Toda descoberta de um mundo mágico com Harry Potter, assim como o desejo por ter amigos tão inseparáveis quanto Rony e Hermione. De me sentir um chato reclamão quando tinha 15 anos, como Holden Caulfield, de O Apanhador no Campo de Centeio. Ou até mesmo perceber que levo tudo muito mais a sério do que deveria e que relaxar, como Maude ensina para Harold em Ensina-me a Viver, é mais do que o recomendado.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Ricos, Riquíssimos!





Sei que pode parecer estranho, mas sempre fui um aficionado por Geografia. Quando era pequeno, gostava de conhecer os países no mapa e decorar suas capitais. Aos sete, oito anos, enquanto os meninos jogavam bola ou videogame, um dos meus passatempos era pegar o mapa do Brasil e decalcar com uma folha em branco, criando novos Estados além dos existentes e batizando de acordo com o meu próprio discernimento pueril (lembro de ter inventado um chamado São Pedro e outro Mato Grosso do Norte). Era chamado de nerd, CDF e afins... Creio, hoje, que com razão.

Também me recordo de ter feito uma vez, por vontade própria, uma análise dos demais países da América do Sul, que apresentei para os meus pais na sala de carpete marrom do nosso apartamento. Em todos, em meu humilde caderninho, eu começava o texto dizendo que era “um país muito rico”, não importava se Argentina, Peru, Bolívia ou Guiana (antes de cair o trema, nunca soube porque pronunciávamos o U). E lembro que meus pais alertaram, achando graça, que esses países não eram ricos; alguns deles seriam bem pobres, inclusive.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

"Morte Aos Héteros!"





Fiquei sabendo que rolou a Marcha do Orgulho Hétero, no Rio de Janeiro. Aliás, quem não ficou sabendo, né? A pequena grande marcha, ou o grande enorme fiasco, reuniu vinte pessoas. Vinte pessoas que se diziam vítimas de heterofobia.

Que estranho... Na Parada do Orgulho LGBT de 2013, a única vez que compareci ao evento, não vi cartazes com os dizeres "Héteros são malditos!", ou "Não à Heterossexualidade!", nem "Morte aos héteros!".

Eu quero que me tragam um heterossexual que sofreu heterofobia. Me tragam um rapaz que foi agredido num restaurante por dar um selinho em sua namorada em público, na frente de crianças; me tragam um heterossexual que foi agredido por quinze, eu disse, quinze, homossexuais num metrô. Eu quero que me tragam um hétero que ouviu coisas como "Heterozinho, heterozinho!", ou "Sai pra lá, seu hétero nojento!". Me tragam nomes de héteros que foram assassinados por serem héteros, que foram expulsos de casa por gostarem de mulher, que foram xingados na rua por andar de mãos dadas com mulher. Vamos, me tragam! 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

(Meus) Gatos & Eu






"Dizem que gato não pensa, 
Mas é difícil de crer.
Já que ele também não fala
Como é que se vai saber?"
Gato Pensa (Adriana Calcanhoto)

Eu nunca fui um grande fã de animais. Antes de mais nada, deixo claro que nunca odiei nenhum bicho, mas também nunca caí de amores, feito Felícia e sua necessidade de abraçar e apertar e beijar um bichinho. E olha que cresci em uma casa onde sempre tivemos animais por perto, desde cachorros até mesmo alguns mais exóticos (na adolescência tive um coelho chamado Windows, me julguem!)! Entretanto, nunca me preocupei efetivamente com os bichinhos, que sempre foram mais dos meus pais do que meus, e estavam lá ocupando um mesmo espaço onde eu também vivia.

Dessa forma, eu via amores avassaladores por animais (como os expressados em livros como Marley & Eu, por exemplo) e não entendia. Até que Wolfgang e Philip (e Dimitri e Mikail, posteriormente) entraram em minha vida e eu passei a ser uma dessas pessoas que gostam de animais. Mentira. Passei a ser uma pessoa que ama gatos específicos: os meus.

domingo, 7 de dezembro de 2014

You Live, You Learn





Me lembro como se fosse hoje o desespero que foi, depois de sete anos junto com alguém, passar o dia 12 de junho sozinho outra vez. Quanto mais o tempo passava e se aproximava do Dia dos Namorados, mais tenso eu ficava pela ideia de passar aquele dia sozinho depois de tanto tempo acompanhado. Entretanto, tudo se resolveu com uma boa viagem que, providencialmente marquei para aquele exato dia. 

Na maioria das vezes, quando se termina um relacionamento, pensamos imediatamente que nuca iremos encontrar um outro alguém. Mas isso é uma tremenda besteira!!!! E digo isso porque crescemos e aprendemos com um relacionamento e outro o que é bom e o que é ruim pra gente. 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Parece Cocaína, Mas é Só Saudade...





Tenho saudade de tudo! De cada momento, de cada sensação, de cada pequeno detalhe que vivi em todas as vidas que já tive. Tenho saudade de pessoas, de aromas, de sabores, de lugares, de cores e texturas. Tenho saudade de instantes e de tempos. Tenho saudade daquela saudade que um dia acaba, pois essa faz tempo que não sinto; as minhas têm sido intermináveis. Tenho saudade de ser criança, do Xou da Xuxa, da minha inocência. 

Tenho saudade dos primeiros livros, das primeiras leituras, da senhorinha meiga que morava num prédio ao lado do meu em Porto Alegre e me presenteou com minha primeira coleção dos Contos da Velha Europa. Eram 6 livros e, em cada data comemorativa, ela me presenteava com um ou dois, sempre tão doce e carinhosa; acho que devo a ela esse amor pela leitura e consequentemente pela escrita. Ela, aquela senhorinha da rua Miguel Tostes que nem lembro o nome, plantou em mim a primeira sementinha da paixão pelo fabuloso e fascinante mundo das letras. Eu, que ainda nem sabia ler, corria até minha mãe ansiosamente com o livro nas mãos, pedindo pra que ela lesse logo. Então, ela largava as panelas no fogão, sentava em uma cadeira no meio da cozinha. Eu sentava no chão recostado a seus pés, encostava a cabeça em seus joelhos e começávamos uma bela viagem, que durava alguns instantes, que pra mim pareciam horas. Depois, ficava remoendo dentro de mim aquelas estórias e suspirando pelos cantos, sonhando acordado. Às vezes, a contação ocorria na cama ou no sofá da sala, mas são os instantes no chão da cozinha minha recordação mais cálida, e é desses que sinto mais saudade!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Sobre Escrever (ou Sobre Como Escrever Tem Sido Importante Pra Mim)





Quando criança, bem antes de aprender a ler e escrever, eu já gostava das letras. O barulho da máquina de escrever antiga, que minha madrinha trouxera do trabalho, me fascinava e eu via a tela verde do computador como algo mágico, um portal que pudesse me teletransportar para um novo lugar. 

Ao descobrir esse mundo, tudo então, passou a ter sentido. Jornais, revistas, livros eram o que havia de mais lindo na terra para mim e estudar e aprender a ler e escrever tornou-se uma verdadeira Disneylândia para este moço que vos escreve. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Somos Resistência





O grande problema em estar cercado por pessoas que não ligam para essa eterna questão de ser gay ou hétero, é que ficamos confiantes. Achamos que o mundo está mudado e que as pessoas são mais receptivas e mente aberta. Mas elas não são. O choque é grande quando saímos da redoma que naturalmente nos colocamos e enfrentamos a dura realidade.

Quando não são palavras ríspidas ou piadinhas infames, tudo fica no olhar de reprovação ou na breve troca de olhares recriminatórios. Vamos acordar. Nem todo mundo consegue, ainda, achar natural dois homens se beijando, andando de mãos dadas ou até mesmo se abraçando. Irmãos e pais já foram agredidos e mortos por homofóbicos que viram algo além de um ato de carinho, uma agressão à masculinidade.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Bodas de Estanho





De alguns dias para cá, um tema tem sido muito debatido aqui no Barba Feita: o amor. Na verdade, esse talvez seja o principal tema em pauta na humanidade, até porque amor nunca sai de moda. Admito que não era esse o assunto que eu iria tratar hoje por aqui, mas senti que não tinha como fugir dele, uma vez que na última terça-feira (também conhecida como “ontem”) completei dez anos ao lado da pessoa que amo, dos quais exatamente três casados no papel e dentro de nossa religião (sim, escolhemos a mesma data propositalmente). E por acreditar que o amor é um universo tão rico que, certamente, minha visão a respeito dele e as dos meus colegas não necessariamente são as mesmas.

Não vim aqui para detalhar o que passei nesses dez anos de trajetória. Mas, de uns tempos para cá, tenho refletido muito sobre o “sucesso” dessa empreitada e a vontade que tenho de cada vez mais fazer essa vida a dois nos levar a uma velhice bonitinha, com muito Corega e rabugice, juntos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Oh! Ninguém Me Ama, Ninguém Me Quer!





Quem aí tem aquele amigo solteiro no Facebook que sempre posta coisas do tipo "Ai, queria um mozão aqui agora", ou "Quando é que esse status de relacionamento vai mudar???", ou então "Oh! Ninguém me ama, ninguém me quer!"? Se não tem, cuidado, esse amigo pode ser você.

Postar que está solteiro, carente e coisa do gênero, é tipo postar que não gosta do frio, calor, ou da Dilma: não vai mudar absolutamente nada. Ao contrário, pode piorar a situação, uma vez que ninguém gosta de bicha chorativa. Ah, não sabe o que é chorativa? Eu explico:

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Falando de Amor







“Eu podia ser um mistério e viver cercado de estórias 
Só te olhar do jeito mais sério , mas eu estou falando de amor 
Eu podia ser a ternura , sem desejo, beijo, nem sexo 
Ser somente a história mais pura , mas eu estou falando de amor…” 
Falando de Amor (Leoni & Rodrigo Maranhão)

Já reparou que tem sempre alguém falando de amor? Da busca pelo amor, de amores mal resolvidos, de histórias de amor. Os folhetins SÓ falam de amor e dos desdobramentos que o amor (ou a falta dele) causa na vida das pessoas. E você já viu quantas pessoas infelizes vemos ao nosso redor? Infelizes por causa do amor. Ou pela falta dele. Ou pelo excesso. Aliás, o que é esse tal de amor que é sempre tão alardeado por aí? 

Vejo pessoas que apostam a vida na busca por seu par perfeito com quem viverão sua história de amor. Investem tempo nessa busca incessante e acabam frustradas pois acabam sempre com a cara no muro. Seus príncipes ou princesas encantadas nunca aparecem. 

domingo, 30 de novembro de 2014

O Dia Em Que Eu Chutei e Empurrei Uma Velhinha...





Olá, prazer... Mr. Angel... Eu uso reticências para dar aquela pausa dramática enquanto você lê, não estranhe... Ok? 

Estou em Curitiba. Vim "dar close" aqui por conta da fortíssima crise dos 30 anos que me abateu nos últimos tempos (começou aos 25) e que está me levando a conhecer todas as capitais do país e desta vez dei a sorte de vir para a capital paranaense. 

Ela (a crise) está mudando muito de quem eu sou/era, me fazendo repensar no que eu acredito/acreditava, incluindo: virar vegano (um vegetariano mais fresco e chato), usar transporte público, sorrir mais, agradecer mais, ser mais simpático, amar crianças, animais.............. e idosos!

Eu sei, eu sei e eu seeeeeeei: TODOS NÓS VAMOS ENVELHECER e eu estou tentando fazer isto da melhor forma possível, mas tem muito velho chato nesse mundo! 

sábado, 29 de novembro de 2014

Esoterices



Esoterismo, você acredita nele? 

Depois de assistir alguns capítulos de Alto Astral (a novela das 19h, que aborda temas como reencarnação, fantasmas, etc) e uma entrevista com o esotérico Daniel Atalla, no Programa do Jô, decidi escrever sobre esse assunto, que já havia me ocorrido em outras ocasiões. 

O sujeito, jovem, bem apessoado e vestido de maneira despojada com jeans, tênis e camiseta, longe de parecer um Zé do Caixão, foi apresentado como "bruxo profissional". Assim que Jô o anunciou, meu primeiro impulso foi desligar a TV e tentar dormir, mas como o sono tinha resolvido dar uma voltinha, acabei sucumbindo a entrevista com o tal bruxo. Daniel é apresentador de um programa de rádio onde aborda assuntos como Terapia Holística, Numerologia, Tarot Conceituado no meio esotérico... E tornou-se referência nacional, pelos seus dons naturais e criações holísticas, com mais de vinte mil atendimentos por todo o mundo. Com uma capacidade psíquica e intuitiva nata, começou a jogar tarot aos nove anos de idade e estudar a filosofia do I Ching. Mais tarde, se aperfeiçoou com as Runas e o Baralho Cigano. Em seguida conheceu a Bruxaria e se tornou praticante da Antiga Arte até atingir o Grau Máximo de Sacerdote e Mago de Magia Natural. Estudou vários tipos de magia, dentre elas, a cigana, celta e africana. 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Sobre a Facilidade de se Encontrar Alguém nos Dias de Hoje (ou Não)





A internet tornou-se, nos últimos anos, uma imprescindível ferramenta para se conhecer alguém. Quer seja apenas para sexo, quer seja para encontrar a tão sonhada cara metade. Dos antigos chats até os famosos aplicativos, temos os mais diversos meios e a frase “só está só quem quer” acabou virando um bordão para os afortunados que encontraram seus parceiros na rede.

Hoje em dia, ninguém precisa sair de casa para achar o príncipe encantado, nem tampouco vencer a forte oposição paterna para sair com a donzela. Basta apenas um smartphone e, pimba! Já temos companhia para a noite mais fria. Um verdadeiro achado para os mais tímidos, a alegria dos descarados.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Não Te Amo Mais





Você conhece um casal e acha os dois fofos*. Aos poucos, começa a perceber que toda utopia contada pelos livros de história e os filmes da Sessão da Tarde, podem sim existir. Eles (o casal) têm algo de especial e isso, de certa maneira, você consegue ver. E assim sendo, decide acreditar no amor. Não. Não acreditar. Vamos dizer que está mais para um voto de confiança que ele (o amor) pode realmente existir. Mesmo que você ainda não tenha encontrado o seu ou tido só azar no meio dessa “busca”. Mas vendo que alguém já o encontrou, é um sinal de esperança. Um sinal para não desistir e jogar a toalha. Um simples sinal que o amor de fato existe!

Mas um belo dia, sem mais nem menos, aquele casal perfeito, fofo, quase comercial de margarina, acaba.  ACABA! E você descobre isso através de uma notícia compartilhada no Facebook. É traumático? É! Mas serve de lição que o amor pode ter um prazo de validade e acabar. Quer dizer, mudar. Na verdade, não sou da teoria que o amor simplesmente acaba e um belo dia deixa de existir. Acho que ele vai aos poucos migrando, mudando suas cores, texturas e pequenas fibras de sentimentos, até se tornar outra coisa. Outro “carinho” por aquela pessoa.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Escrevo, Logo, Existo







Depois de algumas contribuições esporádicas, recebi do idealizador deste Barba Feita e colunista de segunda-feira, meu amigo Leandro Faria Chaves, o convite para assumir as quartas-feiras de forma fixa. Admito que senti um frio na barriga e uma dúvida se acendeu lá dentro para aceitar o desafio; afinal, substituir alguém, independentemente das circunstâncias, é uma grande responsabilidade. Ainda mais em um grupo no qual todos já se conheciam (mesmo que à distância) e eram lidos assiduamente por sua audiência. Era quase como trocar o pneu com o carro andando.

Mas aceitei e aqui estou. E o que mais colaborou para essa decisão não foi a amizade pelo Leandro (embora, claro, tenha sido fator-chave, sem trocadilhos com o seu sobrenome), mas, sim, a necessidade de escrever.

Escrever na minha vida se confunde com a minha própria história e existência. Se me alfabetizei dos cinco para os seis anos, lembro que com sete já tinha poesias escritas. Aos oito entrei num concurso interno do meu colégio e fiquei entre os primeiros dez colocados – tudo bem que era um plágio e a minha turma toda reparou, o que me rendeu uma sonora vaia quando li o poema em voz alta. Dois anos depois, participei novamente, dessa vez com uma obra realmente original, e fiquei entre os oito.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Ser Difícil É Tão Anos 90...





Domingo passado, numa agradável conversa com três agradáveis pessoas, num agradável apartamento, eu ouvi a seguinte frase: "Ser difícil é tão anos 90...". Fiquei pensando nisso enquanto voltava pra casa, e olha... eu concordo!

Gente, de difícil já basta a vida. Tá afim do cara? O cara tá afim de você? Vai e se joga, amigo! Tá afim de beijar, comer, dar, namorar, amigar, noivar, casar, e qualquer outra coisa relacionada que termine com ar, então não perde tempo, porque sempre, e eu disse sempre, vai ter mais gente a fim do cara que tá te dando mole, então não perde tempo, não faz charme demais, porque isso acaba irritando. 

Seja fácil! Fácil de agradar, fácil de se fazer sorrir, fácil de conviver. Tá solteiro? Tá na balada? Não regula micharia não, aproveita! "Ai Glauco, mas você tá falando pra eu agir feito "puta" na noite?". Não, porque puta cobra, e você está apenas se divertindo. E outra: se disserem que você tá agindo feito "puta", o que é que tem? Você não está, mesmo, então deixem que digam, que pensem, que falem, deixa isso pra lá e vai curtir a sua vida.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O Que Vem Depois?





"Se lembra quando a gente
Chegou um dia acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber que o pra sempre
Sempre acaba..."
Por Enquanto (Cássia Eller)

Mesmo sendo de família religiosa, acho que nunca parei muito pra pensar no que viria pela frente, no depois que essa existência chegasse ao seu final. 

Para meus pais e sua crença (que hoje vejo muito claramente, nunca foi a minha), estamos aqui apenas esperando que Deus acerte suas contas com o Diabo e a Terra vire um paraíso. Para os espíritas (e não sei muito bem a divisão entre um e outro), a reencarnação é uma possibilidade; enquanto para os católicos e alguns evangélicos, o céu ou o inferno nos aguardam. 

E o que eu efetivamente penso disso tudo? Nunca me importei, na verdade. Se estamos aqui de passagem; se existe um depois que vamos descobrir quando enfim morrermos; se ao fecharmos os olhos e nosso cérebro parar de funcionar, é um simples puft, acabou! Para mim, até então, isso era assunto filosófico-particular e que, sinceramente, não me interessava. Mas, de uns tempos para cá, tenho sido surpreendido com pensamentos do tipo: o que vem depois? Será apenas isso realmente? 

domingo, 23 de novembro de 2014

Quem Disse Que o Amor Pode Acabar?





Todo mundo sonha em ter um amor para vida toda, um amor daquele tipo regado à muita paixão, com direito a beijos cinematográficos, vontade de nunca sair de perto e aquele desejo enorme de amar e ser amado. Tudo parece perfeito, mas as coisas estão cada vez mais difíceis nos dias de hoje. Qual o problemas dos relacionamentos atuais? Onde está esse tal de amor que todos buscam? 

Amor. Está todo mundo buscando um, mas as pessoas estão perdendo o significado do que é o amor, do âmago dessa palavra; estão esquecendo do quanto esse sentimento é importante. Amar, meus caros, vai muito além de uma palavra, de dizer "eu te amo!". Significa sentir saudade mesmo antes do outro ir embora. É é ficar triste quando o outro está. É quando o sorriso do outro te deixa de bom humor (ainda mais naquele dia terrível que você teve e tudo parecia que ia desabar). É não se sentir obrigado a dar de si e sim se sentir feliz por fazer isso sem cobrança alguma. 

sábado, 22 de novembro de 2014

Todos Nós A Esmo (ou Como Me Sinto Vivendo em São Paulo)







Uma mulher, que parece ter o casamento perfeito, trai o marido e é viciada em drogas.

Outra, viúva e depressiva, comete suicídio ingerindo uma dose cavalar de comprimidos, deixando órfão o único filho, um rapaz de 25 anos, que dedicava-se a cuidar da mãe com todo o carinho. Vaga pelas ruas sem rumo, perdido, incapaz de imaginar como será sua vida sozinho no mundo.

Um jovem e solitário escritor/poeta, leva seus escritos para a única amiga ler. Como ela não lhe dá a atenção que ele deseja no momento, ele se mata atirando-se da varanda do apartamento dela, deixando-a estarrecida e culpada.

Um travesti negro que sonha em ser uma estrela da TV, vive de programas e um dia é incendiado no meio da rua por dois "filhinhos de papai", que só querem se divertir.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Sobre Amigos (os Meus, os Seus, os Nossos)








Para alegria de alguns e tristeza de outros, meu texto será curto novamente. Não que eu não tenha o que escrever, nem é isso. Para falar das pessoas que amo eu tenho muito a dizer. Mas vamos ao post. Recentemente, vi no Facebook uma mensagem que dizia que todo mundo tem um amigo chato e se você não tem, provavelmente o chato é você. Eu sou aquele amigo chato, mas sou chato porque não passo a mão na cabeça de ninguém. Sou chato porque sou perfeccionista e escolhi bem meus amigos; se eles estão lá pra mim são os melhores do mundo e trato todos dessa maneira.

Claro que nem tudo foi sempre assim. Até a chegada do Vini, as coisas andaram tensas e eu nem sabia fazer amigos. O Vini surgiu como um sol depois daquele inverno rigoroso. Ele me ensinou com toda a paciência do mundo a importância de ter amigos e de cativar um a um; as pessoas são diferentes e precisamos nos adaptar a isso, e se elas nos aceitam porque não podemos aceita-las também?

Depois do Vini vieram Lu, Breno e suas respectivas gangues. E, de repente, quando menos percebi, me deparei com um gama de novos amigos e todos os mais diferentes possíveis. O melhor era que me encaixava em todos estes grupos. E quando entrei na faculdade, minha turma virou meu ninho. Lógico que a internet foi muito benéfica para um rapaz latino americano como eu, sem dinheiro no bolso, mas com muitos sonhos...

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Sexo Oral de Quinta-Feira





Nunca tive problema em falar sobre sexo. Desde muito cedo recebi uma boa liberdade dentro de casa para tratar sobre o assunto. Assumo que com meus treze/quatorze anos me achava o máximo por assistir ao Erótica MTV, apresentando por Babi Xavier (muito antes do silicone labial) e Dr. Jairo – Delicia – Bouer.

Verdade seja dita. Eu era um feto – se comparado aos dias atuais –, mas já me interessava ouvir e falar sobre o assunto: Sexo. Era, por motivo da idade, um curioso. Queria saber como era. O que era.  Como fazia... Não, pera! Na época não se tratava muito de fazer sexo. A ideia de falar sobre o tema e tentar entender o que podia ser entendido, era melhor. Era o máximo! Não fazia, mas sabia. Meio nerd, que domina toda a teoria, mas não tem nenhuma noção de prática. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014


E mesmo que você não esteja perguntando também, sabemos que já reparou que as quartas-feiras andam meio... largadas por aqui! Pois estavam!

Confira, na semana que vem, o novo colunista das quartas-feiras do Barba Feita.

E por hoje é só! E já está muito bom.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Medo





Eu fiz parte de uma organização evangélica por... uau, quinze anos! Com nove anos eu fui chamado pra fazer parte da equipe de músicos e, nossa, achei aquilo o máximo. Estar junto com os mais velhos, poder aprender com eles, poder, quem sabe, me tornar amigo deles. Só que havia apenas um problema: isso jamais aconteceria. Eles me odiaram do começo ao fim. "Um garoto de nove anos que sabia de longe qual a nota que estava sendo tocada? Não, não pode ser!". Eu desisti? Que nada! Minha mãe dizia: "Queria tanto que você saísse disso..." e eu lá, firme e forte, pensando: "Uma hora eles vão me aceitar, aí seremos amigos, vou poder fazer parte da equipe!". Como eu era inocente...

Com treze anos eu tive um estalo: entendi que gostava de garotos! Mas e aí, o que eu ia fazer? Não tinha um melhor amigo; na época, os garotos da minha idade estavam preocupados em comprar vídeo-games, esconder revista de mulher pelada embaixo da cama, brincar de pique-qualquer coisa, dormir uns nas casas dos outros, enquanto eu, bem, eu passava horas e horas me dedicando ao trabalho de tentar fazer parte do grupo, de me encaixar. Eu queria me encaixar, como eu queria!

As coisas foram piorando. Eu tinha muito mais trejeitos que hoje, a mudança na voz, o desenvolvimento da minha essência, tudo isso aconteceu meio que ao mesmo tempo, e eu não sabia como lidar com aquilo. Ora essa, eu tinha apenas quatorze anos, sem ter com quem contar, um ombro pra chorar, qualquer coisa! Ouvia piadinhas aqui, sorrisinhos maldosos ali, insinuações, jogavam meias palavras para os meus pais, que me passavam diversos sermões em casa, inclusive sobre eu ser homem e não mulher. Legal, não? E eu lá, pensamento positivo, uma hora vai. Mas não foi.