domingo, 19 de outubro de 2014

Felicidade: Se Paga no Débito ou Crédito?





Como vai a vida? Boa, ótima ou maravilhosa? As três coisas, espero. Hoje eu sou o invasor desse blog incrível e quero trazer uma questão muito importante na vida de todos nós: o dinheiro.

Como estudante de administração de empresas, ouço falar em dinheiro o tempo todo, a cada 5 minutos para ser mais franco; mas o que quero colocar aqui não é nenhuma receita do “Fique rico sem sair de casa”. Não, nada disso. Eu queria fazer o mundo todo entender isso, mas, já que não consigo, tentarei convencer vocês, leitores, de que o dinheiro tudo vale e nada vale.

Apesar de todos os pesares, o dinheiro não é (E nem deveria ser) importante para ninguém. O jargão da morte, que, para ser mais sincero, eu nem sei o que diz exatamente, explica algo como “Não levaremos nada conosco depois da morte”. Todo mundo conhece isso, não é? Se o conhecem, por que o mundo (AINDA!) flutua no oceano da arrogância? Ué, todo mundo concorda que nada levaremos daqui, que a humildade é linda, maravilhosa e blá, blá, blá... E por que são raras, ou muito raras, as pessoas que conseguem, mesmo em meio às influências culturais, sobreviver à era das posses?

Vamos nos colocar diante do espelho e pensar um pouquinho: quantas pessoas já passaram dos 30 anos e ainda não conseguiram a tal “vida feita”? Quantas pessoas se sentem pouco importantes? Quantas pessoas se sentem desconfortáveis em certos lugares ou perto de certas pessoas? Quantas pessoas não conseguem retomar planos antigos? Quantas? Quantas? Quantas? Se eu fosse colocar todos os “quantas” aqui, não terminaria nunca este texto.

Costumo dizer aos meus amigos que o Estado, a sociedade e qualquer outra forma de organização já nos impõe uma série de limites. São limites de sonhos, de expressão, de comportamento, de desejo... Limites para E em tudo! Por que é que nós, insistentemente, limitamos nossas vidas a meros moldes copiados dos outros? Moldes, Guilherme?! Sim, moldes.

Imagine que você deseja fazer trufas para revender ou para o próprio consumo. Após derreter o chocolate, onde você o colocará? Em qual forma? De bolinhas? Corações? Carinhas? Quadrados? Em qual molde você colocará a sua trufa? Em qualquer molde pronto, não é? É a isso que me refiro. Todos os limites que nos impõem não são suficientes, nós temos que limitar ainda mais nossas vidas colocando-a dentro dos moldes dos outros. Todo mundo tem um carro? Preciso de um carro! Todo mundo tem um apartamento? Preciso de um apartamento! Compraram o Iphone 6? Também quero um! E a lista do “quero”, “preciso”, “necessito” segue sem limites. Temos uma falsa ideia de que ganharemos na loteria e seremos felizes porque não passaremos mais por necessidades ou vontades.

Meu desejo era que todo mundo ganhasse, só para comprovar a minha tese. Tenho certeza que todos adorariam comprar tudo o que quisessem, viajar para onde quisessem, comer o que quisessem. NO INÍCIO, todos adorariam, mas depois algo lhes faltaria. Talvez você conclua que Deus é o que falta no coração das pessoas, mas não, é algo muito menos complexo que ele. Ganhar na loteria apenas nos permitiria viver novos moldes de vida, mas ainda assim seriam moldes, moldes dos outros. AQUELA viagem dos sonhos, você só quer porque viu algumas imagens na internet ou no álbum de fotos do seu amigo. AQUELE carro, você quer para impressionar as pessoas, pois, se fosse para se locomover com mais conforto, você compraria um carro comum, um carro que apenas andasse ou que tivesse a sua cor preferida. AQUELA CASA? Claro que também é para se destacar. Se fosse para morar e decorá-la com sua criatividade, você compraria outra que apenas tivesse boas paredes para você fazer isso.

Eu falei criatividade, gente! Essa é a palavra mágica. Já imaginaram o que podemos fazer com a criatividade? É por meio dela que podemos montar o NOSSO molde de vida, finalmente o NOSSO molde! É somente através do nosso molde que conseguimos desfrutar da verdadeira felicidade. 

Consegue se lembrar de quando você era criança? Quando você se entediava das brincadeiras que você já conhecia, o que você fazia? Você inventava uma nova! E quando a nova te enjoava você inventava outra! E aí? Você consegue se recordar de alguma brincadeira nova que não tenha te deixado verdadeiramente feliz? Eu não.

Vidas são diferentes, pessoas são diferentes, oportunidades são diferentes, situações são diferentes, histórias são diferentes. Nós, felizmente, somos diferentes uns dos outros e nem por isso merecemos ser mais ou menos felizes que alguém. Se você passou dos 30 e sua vida não é igual à vida da maioria, dê-se por feliz, isso é uma prova que você, talvez, sem perceber, montou seu molde de vida, fez suas escolhas, tentou suas possibilidades, viveu suas experiências e passou pelas suas dificuldades. Alguns êxitos, outros nem tanto. Contas a pagar? Quem não tem, não é?

Se algum dia alguém te cobrar, te pressionar a seguir os moldes, a “ser alguém”, dê as costas. Você já é alguém desde o dia que respirou pela primeira vez neste mundo! Afaste-se de gente sem criatividade, que copia a vida dos outros e quer que todo mundo tenha e faça as mesmas coisas que os outros.

Recrie-se, mude suas crenças, olhe-se mais no espelho, perceba-se! De repente você já é feliz e nem está sabendo.
Leandro Faria  
Guilherme Passoni, nosso colunista convidado de hoje, é paulistano, 22 anos, estudante de administração e, principalmente, amante das infinitas formas do comportamento humano. Crítico, gosta de observar o modo com o qual as pessoas conduzem suas vidas. Não dispensa uma boa companhia, especialmente se ela souber falar francês! Ama barzinhos, música de diversos gêneros e rir. Rir faz parte da sua agenda diária!
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Um comentário:

Alexandre Melo disse...

Concordo integralmente e já há algum tempo só real e efetivamente busco o que me faz falta ou me dá prazer independente dos ditames que a sociedade adora enfiar em nossas cabeças.

Somos criados e treinados a crer que nunca somos 100% felizes e que apenas com aquele carro novo, celular modelo top, roupas da marca XYZ e bebendo a cerveja tal podermos adquirir isso tudo.

Na verdade é tapar um buraco com uma das mãos enquanto outros tantos seguem abertos e vazando vida e dá-lhe anti-depressivos e ansiolíticos e todos estão dopadamente felizes.

Exemplo: dia desses no trabalho fui perguntado porque não comprava um carro, expus minhas razões e de que desde 2006 não tinha mais um e não sentia mais nenhuma falta. Bastou para ser encarado como de outro mundo ou demente...