quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Friendzone: Quando a Fronteira da Amizade é Ultrapassada





“I don't wanna be friends..."
Bad Romance - Gaga, Lady

Existe algo universal que atormenta todo mundo e não importa orientação sexual, credo e religião. Em algum momento, em algum ponto da sua vida, você será vítima da Friendzone e não saberá o que fazer!

Há algum tempo, em um podcast sobre sexo do qual participei, disse a seguinte frase:
“Todo mundo se pega e essa é a grande verdade da vida.”
Ainda acredito muito nisso, mas com alguns níveis de ressalva no meio. Por exemplo, você pode acabar ficando com um amigo(a) em uma noite qualquer? Pode! E isso não vai significar nada. Nada além de ter ficado com um amigo ou amiga, no qual você nunca havia pensado antes. E a partir daí duas ou três coisas podem acontecer.

  • Primeiro: vocês podem nunca mais repetir o feito e rirem disso tudo depois. 
  • Segundo: casualmente, vocês podem vir a ter uma nova ficada. 
  • Terceiro: é você ficar afim do seu amigo(a), meu querido, e não ter a mínima ideia do que fazer.
Mas assim como na vida, a friendzone possui várias distinções e, algumas vezes, você não acaba caindo dentro dela, mas se enterrando de cabeça. Uma outra hipótese que pode acontecer – e também é a mais comum – é a seguinte: um belo dia você começa a perceber aquele seu amigo de uma maneira diferente, com um novo olhar. E quando menos se espera, passa a pensar nesse “amigo” com segundas intenções. Só que o medo de levar um “não” e ouvir algo como: “Mas só vejo você como amigo”, acaba fazendo com que não tenha nenhuma iniciativa. O que, mais uma vez, acaba sendo o mais comum em casos como esse.


O que quero dizer é que quando existe a vontade para que essa ficada aconteça, é o momento em que saímos do descompromisso de se pegar e passamos para a tão temida e possível rejeição na friendzone. Afinal, se declarar para aquele amigo(a) pode arruinar toda uma amizade e, mais do que isso – o que acredito ser até muito mais importante –, toda a intimidade conquistada até então. Ninguém planeja ficar afim daquele amigo especial. Ninguém consciente e que já tenha assistido Dawson’s Creek e sabe o quão desastroso isso pode ser. Afinal, você tem a amizade, os gostos e os assuntos em comum. Até seu próprio nível de intimidade, brincadeiras e (algumas vezes) apelidos próprios, e que vocês só usam um com o outro. É tudo muito perfeito, a não ser pela falta de beijos (associada à falta de coragem em se declarar).

Também não podemos nos esquecer que um segundo nível de friendzone existe por aí. São aquelas pessoas que já nutrem certo sentimento por alguém e decidem “virar amigo” em um primeiro momento, para poder investir nessa paquera marota depois. Algumas vezes, a amizade que se constrói acaba impedindo que tal declaração/investimento aconteça, e quando menos se espera tudo virou uma imensa bola de neve.

Tenho total certeza que você que está lendo esse texto pode ter pensado algumas – muitas – vezes que o máximo que pode acontecer ao se declarar é ouvir um sonoro não e, no mínimo, a amizade acabar. E, no fim, o tesão reprimido se resolver sozinho. Mas, acredito que seja um pouco mais complicado do que isso. Se nos dias de hoje achar um ficante que preste é quase tão impossível quanto achar um namorado, imagine só encontrar um amigo que vale a pena. Então, em uma tacada só, você pode perder a ficada, o amigo e terminar sem nada e completamente sozinho.

Friendzone, no fim das contas, é basicamente aquilo que atrapalha o tudo o que deveria ser simples, mas não é.

Por isso, não seja mais um a cair em um bad romance e tente deixar a friendzone no lugar dela: bem longe de você!

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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5 comentários:

Luciana disse...

Ahhhhh eu tinha que ter lido esse texto antes.. hahahah (IYKWIM)

PABLO BIGLIA disse...

Já estive lá, mas foi uma amigA que se apaixonou por mim. Na época, imaturo, cortei relações. Me arrependo, pois nunca mais conversamos...

Serginho Tavares disse...

Já fiquei com um amigo. Não valeu a pena.
Mais uma vez, parabéns pelo texto, Sil

Alexandre Melo disse...

Triste ver como vivemos nossa vida na dependência de 'likes', 'dislikes', bloqueios e afins.

Como esses serviços e outros pasteurizaram a paquera e a caça seja por um ficante, namoro ou simplesmente uma foda casual. Não existe mais flerte ou sensualidade salvo a forçada e 'fake' das fotos e perfis turbinados e quando a superfície é apenas arranhada, se o verniz por debaixo não agrada nem há esforço para tentar ver além da distância informada pelo aplicativo, somos removidos sumariamente.

Fast food
Fast foda mas nesse caso nem isso..

Leandro Faria disse...

Já me apaixonei por amigo.
Já peguei o amigo.
Já voltei a ser amigo.
Sou do tipo que não passa vontade!
:-P