quinta-feira, 9 de outubro de 2014

I'm a Fucking Libra!





Aniversários são complicados. Quando somos jovens só comemoramos, recebemos presentes e tiramos fotos com amigos. Ao passar dos aniversários, trocamos as festas em casa e com a família, por outras festas e com nossa "outra" família (os amigos). Tudo vai evoluindo até que chega a época em que se reunir em um barzinho ou fazer um jantar já é uma boa comemoração. Não é muito além do que se está disposto a fazer e nem muito menos do que todos esperam que você faça. É na medida.

Já estive em todas essas fases. Ano passado, por exemplo, me vi forçado a comemorar meu aniversário. De todos os lados, meus amigos queriam sair, beber e "me ver", no meu dia especial. Eu, por outro lado, tudo o que mais queria era ficar na minha, quieto e feliz. Não queria agitação, barzinho no máximo, isso por si só já seria perfeito. Mas lá fomos comemorar em uma festinha. Não foi ruim, mas também não foi espetacular. Foi um aniversário divertido. Teve música que todos conheciam, pessoas fantasiadas e muita risada. E esse último quesito por si só bastou pra mim.

Esse ano ainda não decidi o que quero fazer. Tudo bem que só me restam um pouco mais de 24 horas para tomar uma decisão - meu aniversário é sábado agora, 11 de outubro -, mas não faço ideia de como irei comemorar. Na verdade, minha cabeça está em outro lugar. A cada novo aniversário me aproximo do retorno de Saturno e é só nisso que consigo pensar e me importar.


Sempre ouvi dizer que perto da maturidade nossas prioridades mudam. A gente muda, isso é certo. Pensei até em fazer meu primeiro texto aqui no Barba Feita sobre identidade e definições. Algumas vezes passamos uma vida inteira pensando que somos algo, mas quando menos percebemos, viramos o oposto daquilo que pregávamos; ou o que antes era tão importante e essencial, hoje já não é tão vital assim.

Não sinto mais a necessidade louca de bater no peito e me definir, afirmar ou reafirmar. Não quero e não preciso dizer para as pessoas qual o meu gosto musical, meu diretor de cinema favorito ou qual roteirista me identifico mais. Hoje sinto uma liberdade tremenda em dizer que escuto Molejo, odeio divas pop e leio best sellers, sem me importar como irão me olhar ou o que vão pensar de mim. É um pouco de amadurecimento unido a cultura do foda-se.

Enquanto, de um lado, vejo as pessoas brigando para manter opiniões em suas postagens no Facebook, prefiro ficar à margem de tudo isso. Prefiro não entrar em conflito na terra dos likes. Aposto que os conhecedores dos zodíacos vão dizer que meu comportamento é genuinamente libriano e se fosse há uns dois anos, concordaria cegamente. Mas hoje digo que não é só isso. Hoje prefiro mil vezes dar duas boiadas para não entrar em um tópico mamilo, a.k.a. polêmico, em uma rede social, do que iniciar um debate eterno.

Até a arte de discordar de alguma coisa ficou chata. Ser do contra faz as pessoas mais populares do que as que fazem comentários positivos ou com alguma inteligência e metalinguagem no meio. E tudo isso me cansa. Me vejo, a cada dia, sem nenhuma vontade e paciência de conhecer pessoas novas. Não quero ser simpático e muito menos ouvir comentários retrógrados e sem fundamento só para alguém parecer minimante inteligente. Afinal, ser do contra e polêmico é legal (para algumas pessoas).

Mas tudo isso pode ser só Saturno falando "enquanto acha seu caminho de retorno" e essa minha fase "away" pode passar tão rapidamente quanto apareceu e eu queira voltar a ser palpiteiro sobre tudo. Da escalação da seleção brasileira de futebol, passando pelos rumos da novela das nove.

O que importa pra mim, é que com retorno ou sem retorno de Saturno, descobri coisas fantásticas a meu respeito e uma delas é a arte de não ser obrigado. Eu não sou obrigado a aturar opinião de ninguém. Você não é obrigado a aturar a opinião de ninguém. E no fim das contas, é a arte de não ser obrigado é que pode ajudar bem mais do que a eterna diplomacia libriana e toda nossa capacidade política em apaziguar pessoas raivosas ou com seus sentimentos magoados.

Sei que muitos podem estranhar o conteúdo do meu texto. Afinal, onde a minha visão masculina do mundo pode entrar em debate em um texto que analisa minha indefinição libriana por comemorar meu aniversário? Então honey, não entra. Na verdade, entra. E é sobre isso que falei o texto inteiro. Mas vamos prestar atenção na revisão do quase tio. Quando saí de Narnia, aos dezoito anos, tive uma fase em que quis viver intensamente. Saia de domingo a domingo (sim, sempre existia um lugar pra ir) e queria descobrir o mundo e pessoas. Afinal, não estava mais sozinho. Não era mais o único ser da minha espécie. Lembro de como esse sentimento era tão solitário e triste na época.

Por querer fazer amigos ou até mesmo me sentir parte de um grupo, acabei escondendo gostos e entrando em uma forma pasteurizada de costumes gays. Mas hoje em dia não é preciso mais cair nessa cilada. Você pode odiar Cher, não saber quem é Madonna e ter vergonha da Lady Gaga e ser aceito por isso. Você não é obrigado a ser mais um. A bater no peito o que os outros (alguns) esperam ouvir. O que assusta algumas pessoas, mas liberta tanta outras, é que você pode tolerar a diferença e o diferente e isso não muda quem você é. Mudamos sempre, não seremos sempre os mesmos e quanto mais rápido todo mundo perceber, mais rapidamente as pessoas vão poder relaxar e ser quem são.

Dizem que depois do retorno de Saturno nos tornamos nosso signo ascendente, e assumo que ainda não estou preparado para descobrir como é ser um aquariano. Mas mudar é bom. Quem sabe já não estou mais Aquário e menos Libra e só ainda não percebi isso? Vai saber...
Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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8 comentários:

Leandro Faria disse...

Eu, que sempre tive tanto medo de envelhecer, até que tenho gostado disso, sabia?

Tirando a barba que está grisalhando (mas dizem que estou bonitinho, vá entender), prefiro o Leandro de hoje do que o de alguns anos atrás.

E você, amigo, tirando sua ausência (Rá!), está cada vez melhor.

Agora, uma pergunta: o que faz um leonino, com ascendente em leão? Serei desse jeitinho pra sempre?

Hehehehe

Beijão

Serginho Tavares disse...

Gente, porque será que todo mundo que amo faz aniversário dia 11 de Outubro? Porque será que todos que nascem neste dia são tão maravilhosos?

De qualquer forma, envelhecer só é bom quando sabemos envelhecer, e você sabe meu rei!
Beijos

Silvestre Mendes disse...

Leco, é como me sinto também. Se fosse possível voltar no tempo, pode ter certeza que iria até o jovem Silvestre e meteria a mão na cara dele. Não explicaria muita coisa, mas diria: Te orienta, viado!

Agora vamos ser honestos. Não vejo você sendo menos Leonino do que já é. Quando você nasceu Deus disse: Desce e arrasa! E se tiver alguma dúvida, seja Leonino em dobro!

Obrigado pela confiança, seu lindo!

Silvestre Mendes disse...

Obrigado, Serginho. Obrigado mesmo! E sobre o dia 11, só posso dizer que Libra é o melhor signo EVAH! rs

Shumy disse...

Adorei seu texto, você conseguiu definir em poucas palavras, algo que é tão complicado, velhice ou maturidade, enfim o que vale é aceitar que mudamos e que somos felizes com essas mudanças! Agora me diga o que acontece com uma taurina com ascendente em câncer??!! Bjus

Silvestre Mendes disse...

Obrigado, Shunny. Assumo que esse meu primeiro texto foi de desabafo também. Agora sobre ser taurina e o ascendente em Câncer? Câncer e Touro são signos regidos pela lua, o que dão para esses nativos uma tendência para mudanças fortes de temperamento, são literalmente “pessoas de lua” que saltam de uma quase mórbida estabilidade, onde tudo nelas é certo e previsível, pra situações de quase loucura, onde elas ficam mesmo “lunáticas” e marcadamente temperamentais. Ou seja, tá de boa rs

Lah disse...

Queria dizer que mesmo lendo o seu texto e me identificando muito na primeira parte, não me arrependo nem um pouco de ter te "forçado" a comemorar seu aniversário no ano passado. Foi ótimo estar do seu lado nesse dia especial, o que não conseguir fazer nesse ano =( E sobre esse lance do retorno de saturno e 30 e poucos anos, eu analiso e te respondo daqui uns 6 anos, ok? rs

Silvestre Mendes disse...

Lah, é sempre bom passar meu aniversário ao seu lado (quando não sou abandonado e trocado por São Paulo). Mas vamos combinar que retorno de saturno acontece aos 30 anos e, muitos quando precisam, acontece bem antes... Vai que acontece com você. Mas a gente muda, independente de qualquer destino, é humano, natural, é nosso!