quarta-feira, 8 de outubro de 2014

"Não Sou e Não Curto Afeminados!"





Meu nome é Vinicius, tenho ensino superior completo, vinte e cinco anos, sou do sexo masculino, branco, classe média e... gay. Talvez estejam se perguntando o porquê de toda essa descrição e, pois bem, eu explico. 

Somos julgados, pelo menos à primeira vista, basicamente pelo o que aparentamos ser. Por exemplo, as cinco primeiras características que citei, muito provavelmente representam uma pessoa que nunca sofrerá preconceitos na vida. Seria tudo mágico para mim se eu não fosse gay. Quando se é gay, tudo começa a mudar. Gays sofrem preconceito, que tem até um nome para isso, homofobia. Mas sabe o que é mais estranho? É quando esse preconceito surge entre os próprios gays. Eu, como qualquer ser humano, sou suscetível ao erro. Já tive pensamentos idiotas e coxinhentos algumas vezes na vida – se bobear, ainda acabo tendo alguns, mas juro que me esforço ao máximo para melhorar! Mas algo que tenho procurado refletir muito é sobre “a caça” aos, pejorativamente denominados “afeminados”. 

A nossa sociedade é realmente muito masculinizada. Afinal de contas, “homem não chora” e tudo que representar um pouco mais de feminilidade é visto como inferior. Isso acaba então refletindo entre os próprios gays, afinal você pode ser gay, mas por acaso tem realmente necessidade de ficar dando pinta por aí? 

SIM, TEM SIM! Agradeço MUITO às "bichas pintosas e escrachadas" do passado, porque foram elas que mostraram que gays existem e são seres humanos como outros quaisquer. Claro que temos MUITO o que melhorar do ponto de vista de direitos e aceitação, mas se não fosse por elas, eu teria que ficar me escondendo, vivendo à sombra da minha própria sexualidade. 

Como eu sempre falo, não sou a princesa mágica do reino dos unicórnios e dos arco-íris de glitter (apesar de ter um fraco por coroas enfeitadas), mas também não faço a menor questão de ser o bárbaro gladiador conquistador de Westeros e da Terra Média que não é gay, “apenas beija rapazes”. Eu sou eu, apenas isso. E isso significa que sou um gay como outro qualquer: beijo rapazes, ouço as divas do Pop, tenho meus hábitos e costumes e DOU PINTA, como todos os outros gays. Porque sim, TODOS os gays dão pinta! Alguns em um grau maior ou menor ou de forma auto-aceita ou não, mas no fim das contas, TODOS somos pintosas. 

Muitos dizem que não é preconceito, mas sim preferência. O uso de “Não tenho preconceito, mas...” devia ser proibido! Nunca vem nada de bom quando isso é dito! Falam muito que gays não precisam ser espalhafatosos e escandalosos mas, se forem, me sentirei superior porque eu não sou? Alguns acham que o “Nossa, mas você nem parece gay!” é elogio. Eu sinceramente me pergunto porquê. Essa frase está BEM longe de ser elogio, apenas denota preconceito embutido. Por acaso ser gay é uma característica de inferioridade? Eu pelo menos acho que não. 

Não ter que me preocupar em manter uma determinada postura robótica (só porque seria mais bem aceito pela sociedade) é ABSURDAMENTE MARAVILHOSO! Posso dançar do jeito que quiser, usar a tiara distribuída como brinde no casamento de uma amiga, tirar fotos com amigas bonitas e escrever "só as princesas", assistir "filme de menininha", adorar as drags de RuPaul's Drag Race... Enfim, posso fazer o que eu sentir vontade! POSSO SER EU MESMO! 

Fico extremamente desapontado e #chatiado que os "gays machos" se esquecem que no fim das contas, a sociedade escrota nos odeia da mesma forma. A única diferença é que no caso dos "discretos", eles falarão pelas costas. Mesmo que algumas vezes o que aconteça pelas costas seja melhor (insira aqui todo o duplo sentido que desejar), prefiro que digam na minha cara o quanto me repudiam, porque acaba sendo mais fácil distinguir quem realmente merece o meu carinho e respeito. 

Isso tudo, no fim das contas, é apenas para lembrar: nós, gays, somos todos bichas, viados, baitolas, boiolas, queima roscas, etc. A diferença é que alguns sabem disso e outros fingem que não. E da próxima vez que você ouvir que não parece gay, apenas responda que se esforçará mais para que notem!  :-)
Leandro Faria  
Vinicius Melo, um típico sonhador que prefere ser essa metamorfose ambulante a ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Geek, ainda espera sua carta de Hogwarts chegar ou a oportunidade de ter seu próprio Eevee. Enquanto isso não acontece, escreve toda quarta feira aqui, no Barba Feita.
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6 comentários:

Anônimo disse...

"... tem realmente necessidade de ficar dando pinta por aí? "

Não! Eu discordo.Não é por que você é gay q vc tem q vestir um shortinho de glitter enfiado no rego e ir p/ parada gritar uhull. Você não tem q esfregar sua sexualidade na cara d ninguém.

Eu comparo isso ao hétero q fica coçando o saco no meio de geral ou ao hétero q grita gostosa p/ mulher que está passando.

Eu acho tudo bem você andar de mãos dadas com seu namorado ,dar um selinho mas tem coisas que realmente...enfim

Leandro Faria disse...

Cara, já pensei exatamente como você. "Poxa, mas ele tem que ser tão viado, dar tanta pinta?" Sabe o legal? É que a gente cresce e deixa de ser preconceituoso.
Porque sim, isso é preconceito de sua parte (assim como era da minha).
Afinal, o que você tem com a vida do outro, como ele se veste ou se comporta? Você não tem que aceitar ou concordar com nada apenas por um motivo básico: a vida do outro não é da sua conta. Simples assim.

Serginho Tavares disse...

Bem, eu até ia comentar o comentário acima, mas Leco me tirou as palavras e eu só tenho que aplaudir a ele e ao Vinicius pelo excelente post!

Shirley disse...

na boa, pra mim, só o fato de se dizer "fulano(a) é gay" já é preconceito, pq classifica o que não precisa ser classificado: é tudo gente, é tudo ser humano. em minha antiga profissão eu tive problemas com todos os gays com quem trabalhei, daí ficou aquela coisinha chata na minha mente: pqp, trabalhar com gay é phoda! até que um dia eu fui analisar os outros problemas que eu tive e percebi que foram beeeeem mais numerosos, mais chatos e com supostos heteros. aí relaxei e cheguei a esta brilhante conclusão: trabalhar com o SER HUMANO é que é phoda! :-/ pra mim pouco importa se escracha ou se discreteia (verbo criado neste exato momento... rs). mas, só pra constar: preciso dizer que me dá agonia a linguagem própria criada pela moçada, eu fico boiando nos diálogos que presencio. me sinto discriminada, e aí? enfim! abraço beeeeeeeeeeeem escrachado, u-huuuuuuuu! :-)

Shumy disse...

Shicamaria que saudade de vc manazinha!! Concordo com você, não importa opção da cada um, se as pessoas usassem melhor esse tempo que gastam criticando, nossa sociedade seria menos arcaica.

cesar farias disse...
Este comentário foi removido pelo autor.