quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Quem é esse Pokémon?





Dentre todos os ditos populares que ouvimos a vida inteira, acho que o pior sempre foi o seguinte: 
“A ignorância é uma benção.” 
Não, ela não é. Ignorar significa você não ter conhecimento sobre algo e/ou acreditar em algo que é amplamente divulgado como falso. O ser humano tende a temer tudo que não consegue compreender. Quando tememos algo, entramos no modo de defesa, que então muitas vezes serve mais para atacar do que defender-se. 

Você leitor deve estar se perguntando o que ignorância, modo de defesa e ataque têm a ver com a imagem ilustrativa do texto, certo? Pois bem, eu explico. Além de ser uma referência ao meu anime favorito, ela tem a ver com o assunto provavelmente mais falado da semana: Ebola

Na última semana, vi uma onda de medo, pânico e discriminações surgir nas redes sociais. As pessoas questionavam o fato do indivíduo ter sido trazido ao Rio de Janeiro para ser avaliado. Por que trouxeram? Porque, graças ao bom Deus, temos um centro de referência na nossa Cidade Maravilhosa, a FioCruz. É engraçado observar que muitos poucos se preocupavam quando os primeiros casos começaram a surgir em países africanos na época da formidável Copa do Mundo. Gostaria que notassem que não falei “África”, mas sim “países africanos”, afinal de contas, a África é um continente, não um imenso país onde toda sua população é amaldiçoada por chagas miseráveis. 

A partir do momentos que começamos a ter um “pré-conceito” sobre algo, podemos nos tornar discriminadores e, assim, começar uma caça às bruxas desnecessária. Como um profissional da área da saúde, acho importante termos consciência do que se passa à nossa volta. Por isso, gostaria de dar um breve overview sobre o que seria a doença, esperando que possa contribuir para a sociedade. 

O Ebola é uma doença rara e potencialmente mortal causada por quatro, dos cinco tipos de vírus do gênero Ebolavirus, que podem infectar seres-humanos e outros primatas. Ele foi descoberto em 1976 no Congo, podendo ser encontrado em vários países africanos com surtos esporádicos. 

Como seu reservatório natural ainda não foi identificado, não se sabe como o vírus começou a infectar humanos, embora acredite-se que tenha sido através de contato com algum animal infectado. O vírus é disseminado através de contato direto entre a pele lesionada (micro-lesões são suficientes) ou mucosas com fluidos corporais como sangue, urina, saliva, sêmen, etc. de uma pessoa infectada. Também pode ser transmitido por objetos (agulhas, seringas, etc.) que estejam contaminadas ou então por animais infectados.


O Ebola não é transmitido pelo ar ou pela água e não existem evidências que mosquitos ou outros insetos possam ser vetores da doença. Somente mamíferos podem ser infectados e espalhar o vírus. 

Todo profissional de saúde que entrar em contato com um paciente que seja suspeito ou que esteja infectado, deve estar corretamente equipado com vestimentas que impossibilitem a sua infecção, além de que não poderem ficar se deslocando com esse traje por todos os lugares. 

Os principais sintomas da infecção são febre, dores musculares e abdominais, vômitos e diarreia. É importante ressaltar que esses sintomas são muito comuns em outras doenças, como a Dengue, por exemplo. Por essa razão não se pode sair crucificando alguém que apresente a sintomatologia. 

As melhores formas de evitar a infecção é lavar as mãos constantemente ou usar álcool 70%, evitar contato com fluidos de outras pessoas (principalmente se ela estiver doente), não manusear itens que possam ter entrado em contato com fluidos de outra pessoa, não tocar no corpo de alguém que possa ter morrido por Ebola e não tocar em morcegos e primatas não-humanos ou em seus fluidos. 

Atualmente, não existe nenhuma vacina ou medicamentos aprovados especificamente para prevenir a infecção. Os sintomas são tratados quando surgem e consistem basicamente em manter a pressão sanguínea e a oxigenação normais, fornecimento de fluidos intravenosamente, balanceamento do equilíbrio eletrolítico e o tratamento de outras infecções caso apareçam.

Caso tenha medo ou dúvida, por favor não saia acreditando na primeira coisa que dizem. Procure entender o outro lado da moeda e procure informações em fontes confiáveis como  FioCruz, Ministério da SaúdeAnvisa, OMS (em inglês), FDA (em inglês) e CDC (em inglês)

Realmente espero ter trazido um pouco mais de compreensão a todos!
Leandro Faria  
Vinicius Melo, um típico sonhador que prefere ser essa metamorfose ambulante a ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Geek, ainda espera sua carta de Hogwarts chegar ou a oportunidade de ter seu próprio Eevee. Enquanto isso não acontece, escreve toda quarta feira aqui, no Barba Feita.
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2 comentários:

Fábio Gomes disse...

Já tinha lido sobre a doença pra me inteirar mesmo por conta dos boatos nas redes sociais. Realmente se todos procurassem antes de julgar qq coisa, seria ótimo. Belo texto e explicação !!

PS.: Adorei a foto kkk #pokemonforever

Serginho Tavares disse...

Adorei a ideia do pokemon e adorei que tenha falado sobre um assunto tão relevante hoje em dia. Disseminar o medo é fácil, difícil é conter as pessoas.
Abração e parabéns pelo texto, seu moço bonito!