segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Religiosidade e Outras Drogas





"Quem me dera, ao menos uma vez, 
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
Sua maldade, então, deixaram Deus tão triste..."
Índios (Legião Urbana)

Eu já fui um cara temente a deus. Ou temente à ideia que eu tinha do que/quem seria deus. Mais precisamente, eu tinha medo do que poderia me acontecer se eu não fosse temente a deus. E religião, convenhamos, é basicamente isso: cabresto. Hoje eu dia, entretanto, estou é cada vez mais intolerante a tudo e qualquer coisa que tenha ligação com religião, principalmente com evangélicos. Apesar de tentar não generalizar e evitar a "evangelicofobia", tenho criado verdadeira aversão a qualquer discurso religioso mais veemente, principalmente se for direcionado a mim, no sentido de querer me converter. Sei que é feio, confesso e faço aqui a mea-culpa, mas queria que todo evangélico-religioso-whatever, principalmente aqueles que decidem que estou interessado em compartilhar suas crenças, se mantivessem distantes de mim. 

Meus pais, por exemplo, fazem parte de uma instituição religiosa. E eu, durante boa parte da minha vida, também frequentei e fui membro assíduo de uma religião formal. O problema de abandonar suas até então crenças pelo meio do caminho é que as outras pessoas não fazem isso e questionamentos do tipo "por que você abandonou Deus?" ou "você pode ter se esquecido, mas Deus não se esquece de você!" tornam-se comuns e cada vez mais irritantes. E eu só consigo pensar: "Pelo amor de deus (pode usar deus num post em que eu demonstro minha total aversão a determinados princípios religiosos e até passo uma ligeira impressão de que posso meio que duvidar de sua existência? Mas divago), deixem-me em paz!"

Minha irritação reside no fato de pessoas religiosas incluírem seu deus em todas as frases e insistir em dizer que ele está esperando por mim. Tadinho, vai cansar, né? Pega uma revista de variedades pra se distrair nesse meio tempo. Quando mais novo, dependente dos meus pais, acompanhava-os e até que participei ativamente da vida religiosa. Mas nunca acreditei realmente naquilo. Por isso, muitas vezes me sentia tão inadequado e hipócrita. Por causa de uma crença que não era minha eu estava deixando de ser quem eu era, de viver a minha vida e sufocando meus desejos. 

Além disso, já pararam para pensar nas feridas emocionais que a religião acaba causando a diversas pessoas mundo afora? Afinal, de acordo com a maioria dos princípios religiosos, você tem que se enquadrar em um padrão e, quando foge disso, tem de lidar com o fato de deus condenar o pecado e seu modo de vida, se não for como o pregado pela religião em si. E eu, meus caros, sou bem grandinho e sei como funciona o conceito de lavagem cerebral. 

Se não acredito em nada? Não sou tão extremista. Pode ser, e isso é apenas uma hipótese, que exista algo superior que eu não sei exatamente o que é. Mas não acredito em NADA da baboseira religiosa baseada na bíblia como manual de instruções. Pra mim, a bíblia é apenas um amontoado de ficção desinteressante, como tantas outras que existem por aí. E, ficção por ficção, eu fico com Harry Potter que acho bem mais divertido. 

E nos dias atuais, com exemplos de líderes religiosos como Marco Feliciano e Silas Malafaia em evidência, meu asco para com a religião em geral apenas aumenta. Porque, sinceramente, gostaria de saber o que as pessoas que seguem esses homens tem dentro da sua cabeça, porque massa encefálica certamente não é.

Dia desses, dentro do vagão do metrô a caminho do trabalho, me peguei prestando atenção na conversa de um homem e uma mulher. Tenho essa péssima mania de, na falta de coisa melhor para fazer, ficar ligado no mundo à minha volta, encarando caras estranhas e ouvindo conversas aleatórias. A pauta era as maravilhas que deus havia feito na vida da mulher. Segundo ela, deus se manifestava e era presente em sua vida, lhe aparecendo em sonhos, soprando respostas em seu ouvido e lhe indicando os caminhos que deveria seguir. 
-É uma benção, não é? – perguntou a homem. 
"Esquizofrenia", eu quase respondi. Mas me calei, pois uma coisa eu aprendi: com doido não se discute! Mas que me deu vontade, ah, eu juro por deus, como deu!
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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2 comentários:

Anônimo disse...

Leandro,

Entendo bem suas aflições e angústias frente às religiões. Sempre questionei muito também o tema e hoje vejo religião como uma forma de fuga da realidade, que castra, que reprime, que isola.

Para mim as religiões enquanto instituição, foram criadas como uma forma de tomada de poder, em momentos diferentes da história do mundo.

Espiritualidade, energia positiva, equilíbrio, resiliência, bem estar e tantas outras virtudes podem ser encorajadas sem o auxilio da religião, que como você mesmo disse trata hoje as grandes questões de forma massificada sem olhar para as exceções.

A religião é talvez válida, mas elas devem ser revistas.

Abs,

Renato



Serginho Tavares disse...

Eu sinto o mesmo com relação a você sobre religião e principalmente os ditos evangélicos. Gostaria que ele não apenas me deixassem em paz, mas deixassem o mundo em paz!
E de fato, com doido não se discute, rs

Mais um excelente texto, Leco! Não seria diferente. Parabéns!