terça-feira, 21 de outubro de 2014

Romantismo: O Que Pensa Um Homem Gay Sobre o Assunto?





Recentemente, conversando com um amigo que não sabe que eu sou gay (o quê? Eu não saio por aí com um megafone gritando pelos quatro cantos que beijo rapazes!), ouvi ele dizer:
"Que amor é esse? Gays são um bando de sem vergonhas, isso sim!" 
Quando se fala em gays, a maioria das pessoas pensa logo em orgias, homens se agarrando em público, sexo anal, palavras de baixo calão, perversão, pedofilia, e todas essas coisas. O que essas pessoas acabam se "esquecendo" é que heteros TAMBÉM fazem orgia, se agarram em público e outras mil coisinhas mais. Já passou da hora de mudar esse pensamento. 

Não me venha com essa de que gay só pensa em putaria, porque gay é romântico sim! E reitero: sexo, masturbação e putaria não são exclusividade dos homossexuais; basta olhar em qualquer site pornográfico e perceber que existe uma série de possibilidades infinitas. 

Se ofender com um casal gay por eles darem um selinho perto do seu filho menor de idade não os faz pedófilos ou repugnantes. Gays, acima de tudo, são seres humanos e, como todo ser humano, eles se apaixonam, mandam flores, bombons, levam pra jantar, mandam SMS de bom dia / boa tarde / boa noite (ou whatsapp), criam apelidos bregas, e tudo o mais que casais heterossexuais fazem, inclusive sexo

Associar gays a pegação em público é errado, porque sabemos que existem heteros que fazem pior. Eu mesmo, dia desses, fui comprar não sei o que num depósito de doces e dei de cara com um casal hetero se agarrando num corredor, o que foi bastante constrangedor. E não pensem que foi por ser um casal hetero, mas por ser em um lugar onde vão diversas pessoas, inclusive crianças. Ou seja, uma criança pode ser exposta a esse tipo de atitude, mas um casal gay andando de mãos dadas causa alvoroço e repulsa? Conta outra, vai, isso tem nome e a gente já discutiu aqui: preconceito!

O grande problema é que ninguém está livre dos fiscais da vida alheia, especialmente os gays. O ideal é não desistir e pensar positivo que tudo se ajeita um dia. Quem sabe, né?
Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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4 comentários:

Esdras disse...

Glauco, eu só queria ter seu poder de síntese. Texto curto e claríssimo!

Glauco Damasceno disse...

Brigado, Esdras!

Marcos Campos disse...

Quem sabe ! E olha que a gente vive numa época em que as coisas estão infinitamente melhores do que há um tempo atrás !
Mas quem sabe, essa humanidade toda um dia evolui e começa a enxergar pessoas, não rótulos !
Bom seu texto !

Alexandre Melo disse...

Os excessos chocam independente da orientação mas, porque nós chocamos mais?

Quando um homem é visto 'engalfinhado' com uma mulher é o que se espera dele como macho sendo que a mulher essa, coitada, vai ser taxada de puta por não se dar aos respeito.

Se fossem dois homens seria sem vergonhice pura e simples e dá-lhe lâmpada na cara porque, onde já se viu?

A questão não é o atentado ao pudor mas como cada orientação lida com o sexo e sua expressão. Nós gays somos associados a putaria e promiscuidade pelo simples fato de praticarmos nossa sexualidade com muito mais liberdade que os heteros presos em suas equações normativas e sociais caducas.

Existem os heteros putos? Claro! Mas a diferença é como eles lidam com isso e como os gays lidam. Enquanto eles se culpam e dissimulam nós vivemos isso de forma aberta e sem medo o que fatalmente choca aqueles que não puderem ou podem viver suas vidas assim.

Não quero dizer que por sermos gays podemos ser lascivos e sem limites mas entendo como uma conquista podermos ter essa sexualidade livre de culpas e grilhões dos heteros.

Nos vejo como muito mais evoluídos nesse sentido.