segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Síndrome da Aliança: Por Que Pessoas Comprometidas Parecem Mais Interessantes?





"It's meeting the man of my dreams
And then meeting his beautiful wife husband
And isn't is ironic... don't you think?"

Eis um fato da vida: se você está solteiro, livre e desimpedido, você será mais um na multidão. Agora, se comprometa com alguém, entre em um relacionamento e perceba: você passará a ser desejado por quem antes sequer notava sua existência. É um fenômeno que merece um estudo científico, mas que eu, em minha vasta experiência de vida, chamo de Síndrome da Aliança. E não importa se você é bonito, feio ou apenas normalzinho: vai ter sempre alguém querendo tirar uma casquinha do que é dos outros.

Um exemplo pessoal: na última semana fui a um show, onde tirei uma foto com uma grande amiga. Ela e eu, lindos, sorridentes e abraçados. E o que fazemos com foto bonita? Postamos no Facebook, é claro! Confesso: me assustei com a quantidade de likes da foto, em sua grande maioria de amigos homens dela. Ela, solteira, me disse que vários caras puxaram papo no dia seguinte, dizendo estar com saudade e até mesmo querendo marcar "alguma coisa". Ou seja, pela nossa intimidade e com a legenda que coloquei, as pessoas deduziram que estávamos namorando e, para aquelas mentes equivocadas, ela deixou para trás o status de Solteira para o de Infinitamente Mais Interessante.

É ou não um belo exemplo da Síndrome da Aliança? Porque enquanto estava sozinha, era apenas mais uma na lista de vários amigos homens. Quando arrumou um "namorado", passou a despertar o interesse de caras que há muito tempo sequer a notavam. Moral da história: fiz um bem enorme para minha amiga que, se for esperta como eu, deve estar capitalizando em cima do meu charme irresistível naquela foto que a transformou em objeto de desejo para vários homens que adoram sentir-se machos alfa e capazes de tomar o que é de outrem. Gata, fica a dica pra você: o número da minha conta será informado em breve. Obrigado!

Mas voltando ao assunto sério, há muito observo essa tendência natural de repararmos em pessoas comprometidas. Uma aliança como adorno tem um efeito irremediável para chamar a atenção de terceiros e, mais uma vez, me uso como exemplo. Em uma festa que fui desacompanhado, mas usando minha aliança, fui alvo de várias pessoas interessadas, que chegavam como quem não quer nada, olhavam para minha mão perguntando se estava acompanhado, ao mesmo tempo que faziam de tudo para fisgar minha atenção para que eu ficasse com elas. Chegava a ser divertido observar o comportamento de tantas pessoas acometidas pela Síndrome da Aliança, já que estive em diversas outras festas, sem usar nada na mão, e não era sequer notado.

Assim, chegamos à questão que está no título desse texto: por que pessoas comprometidas parecem mais interessantes aos demais? E acredito que a resposta seja bem mais ampla do que apenas culpar a canalhice humana (porque a Síndrome da Aliança acomete homens e mulheres!), e ela pode ter diversas razões.

Afinal, sabemos que curiosidade é foda. E se alguém está em um relacionamento sério, significa que já passou pelo controle de qualidade de outra pessoa, o que pode gerar a curiosidade alheia de experimentar o que a outro viu ali para permanecer e criar vínculos. Em tempos em que poucas pessoas se aventuram a levar uma relação adiante, ver que existem outros dispostos a isso aguça o desejo dos demais de provarem o que essas pessoas tem e elas não.

Outra razão de pessoas comprometidas chamarem a atenção é bem simples: felicidade nos deixa mais bonitos. Quando estamos apaixonados, de bem com a gente e com a nossa relação, somos mais relaxados e felizes, o que se reflete em nossa aparência. A pele fica mais bonita (Ô!), os sorrisos mais iluminados, até mesmo passamos a cuidar mais de como nos vestimos e nos apresentamos. E é óbvio que isso faz com que outras pessoas passem a reparar naquilo que muitas vezes não enxergavam. 

Não sei vocês, mas eu levo a Síndrome da Aliança alheia como uma grande diversão. Acho engraçado fazer sucesso simplesmente por ser comprometido e tiro um bom sarro da situação. Fora que, convenhamos, faz um bem danado pro ego de quaquer pessoa sentir-se desejado e interessante.

No fim das contas, cabe a cada um de nós saber lidar com a Síndrome da Aliança, quer sejamos nós os infectados por ela ou o objeto de desejo de quem a adquiriu. Porque uma coisa é certa: a Síndrome passa, podem ficar tranquilos. Ou não!
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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3 comentários:

Serginho Tavares disse...

Ah mas é sempre assim mesmo. Quando estava solteiro não arrumava nem resfriado, bastou casar que todos descobriram que eu existia e que não estava mais no mercado.
Enfim, eu acho que tem bem a ver com aquela lei de oferta e demanda...
rs

Beijos parabéns pelo post, queridão!

Alexandre Melo disse...

Fecho na canalhice humana, sórdida e pura porque somos uma raça das mais infelizes e fétidas, fato!

Mas, rancores de lado (sim, eu serei feliz quando souber que nossa raça será extinta porque tivemos tudo para dar certo e, infelizmente, só deu merda) acho que o caso vai mais pelo que você disse sobre a felicidade, somos criaturas invejosas por natureza, não adianta disfarçar e a grama do lado sempre será mais fresca e verdinha.

Assim, onde há felicidade melhor se abastecer de muito sal grosso, espada de São Jorge e patuás porque certamente haverá quem babe por acabar com a felicidade alheia..

Esdras disse...

Apenas concordo com Alexandre Melo. Sem mais.