sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sobre Relacionamentos ou A Fórmula Mágica Que Não Existe





Sexta-feira, dia da minha primeira postagem aqui no Barba Feita e pensei que seria legar escrever sobre como esse dia é tão esperado por todos. Entretanto, resolvi deixar esse tema de lado, já que independente do quanto todos gostem ou desgostem dos seus afazeres semanais, a sexta é santa e intacta, uma verdadeira unanimidade: todos a amam. Dessa forma, resolvi então dissertar sobre algo que vejo que todos sentem necessidade de ter, mas que não obstante lutam para manter: um relacionamento!

Hoje em dia, encontrar um relacionamento verdadeiro, estável,  é quase que acertar na loteria. Talvez as facilidades do mundo moderno tenham feito as pessoas colocarem o carro na frente dos bois, deixando o tal do romance de lado. Romance esse que, criado e imortalizado nos contos de fadas, para alguns é a pura realidade, enquanto que para outros, apenas ficção.

Entretanto, acredito que manter um relacionamento requer, entre outras coisas, paciência. Além de bastante tempo para que ambos possam se permitir ceder em vários aspectos. Nos dias atuais, todo mundo tem tanta pressa para fazer tanta coisa, que acabamos por viver presos em uma bolha, onde aprendemos a não ceder sequer um dedo.

E é aí que se encontra o âmago da questão: ceder faz parte, meus caros. Mas quem quer saber disso? Por falta de tato ou boa vontade, lá se vai um relacionamento que poderia ter dado certo. Lembro do caso de um amigo que não quis prosseguir a relação porque o outro gostava de um estilo de música bem diferente do dele. À primeira vista, essa postura pode parecer extremamente radical, e eu confesso que achei isso na época. Custava usar um fone de ouvido? Mas, quando esse estilo musical define toda uma cultura que ele não queria vivenciar, fazer parte de modo algum, é bem coerente fugir antes que seja tarde! Afinal, apesar de ceder fazer parte, será que ceder em tudo também não é demais?

Outro ponto a se frisar, é que paciência é algo que ou a pessoa tem ou não quer ter tempo para adquirir. Ora, como alguém acha que o relacionamento vai durar se, na primeira toalha molhada em cima da cama, já termina tudo com o outro por esse motivo? Lógico que as coisas nunca devem ser reprimidas num relacionamento, caso contrário, depois da décima vez que isto acontece pode sair até tiro! Acreditem, tem gente que mata por bem menos que uma toalha em cima da cama...

Finalmente, lembro que um relacionamento de verdade não tem nada a ver com o príncipe encantado que vem montado em um cavalo branco. Na verdade meus caros, se ele montar em você na cama, dê-se por satisfeito. Relacionamento tem a ver com todas aquelas imperfeiçõezinhas que ele tem, que você também tem, e que juntos constroem uma vida a dois.

Por isso, lembro a você, querido leitor: essa coisa de amor e uma cabana pode até ser lindo; mas não dura uma semana.
Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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10 comentários:

Leandro Faria disse...

A verdade, meu caro, é que todo mundo quer um relacionamento, mas não quer os ônus que vem junto com essa responsabilidade.
Porque querer um relacionamento é fácil. Viver um é que são elas.
Ainda vou escrever um texto sobre a idealização dos relacionamentos, viu. Olha você me inspirando.

Parabéns pela estreia, meu amigo!

:-)

Silvestre Mendes disse...

Eita assunto complicado e delicado. Já fui tão utópico com o tema e hoje sou mais... realista. Não existe príncipe encantado vindo diretamente da Disney em cavalo branco. Acho que existe é uma parceria e algumas coisas que acabam aceitas dentro dessa história.

Ótimo texto, viu Sérgio? Começou bem aqui no barba!

Serginho Tavares disse...

Acho que é bem por aí mesmo. Hoje em dia todo mundo quer a praticidade, a felicidade propagada pelos filmes por exemplo, mas esquecem que vem o "the end" vem o "E AGORA?"

Leco, muito obrigado pela oportunidade de estar aqui, meu querido.

Serginho Tavares disse...

Todos adorariam ter um príncipe da Dismey, mas esquecem que ele não estará sorrindo com sua armadura brilhante num cavalo branco ao acordar de manhã.

Fico feliz que tenha gostado, Sil. Obrigado.

Bruno Etílico disse...

Oi, gato. Li o texto :)
Então, creio que não exista nenhum manual de como namorar. E a culpa não é do "hoje em dia". Estamos, socialmente falando, num momento de transição: ainda com raízes nas utopias românticas vendidas pela mídia desde o surgimento de Hollywood (que foi quando começou-se o movimento de massa de se casar por " amor") e estamos na busca pelo prazer individual, porque historicamente passamos por uma maré de repressão dos nossos próprios interesses. O conflito se insere nisso, porque o modelo que era vendido e comprado por nós hoje dá margem para novas formas de relacionamento que não sejam as monogâmicas, por ex.

Bjoooo

PABLO BIGLIA disse...

Eu vivi algo muito parecido recentemente. Mas eu acho que também depende do amadurecimento da pessoa. Já queremos alguém pronto e não temos paciência para respeitar, esperar, ensinar...

Parabéns pelo texto!

Serginho Tavares disse...

Realmente meu querido, não existe nenhum manual, nunca houve, nem nunca haverá. Mas a falta de paciência das pessoas hoje em dia é bem diferente da falta de paciência de antigamente porque as opções que temos agora são bem maiores. Mesmo durante a era de ouro de Holywood no século passado, as pessoas buscavam um relacionamento que durasse e elas tinham tempo e as prórpias convençoes facilitavam isso.Hoje ninguém tem tempo nem pra comer (quanto mais ser comido) mas quer a refeição pronta e de preferência bem mastigadinha dentro da boca.
Daí complica tudo, né?

E muito obrigado por ter vindo e volte sempre, adorei sua presença aqui.

Beijão

Serginho Tavares disse...

Pois é Pablo, é disso que falo. Falta paciencia para tudo! Uma pena...
Muito obrigado pelo comentário, por ter vindo nos prestigiar. Volte sempre!

Marcos Eduardo Nascimento disse...

Boa noite, parabéns pela estreia por aqui e peço desculpas por nao escrever antes, meu irmão. Além da falta de paciência, que foi citada no texto e nos comentários, eu sinto também falta de empenho nas pessoas. Com a esfarrapada desculpa "eu nao tenho tempo, vida corrida, cidade loka"... mas pera aí! Eu não tenho que ser igualado ao que acontece de ruim com todos! Eu escolhi você para viver ao meu lado, e não o cara que veio com a mochila me apertando no metrô hoje de manhã. Auto lá, fio! Eu sou a sua prioridade. Porque é assim que eu vejo você. Então, já que eu não sou prioridade em sua vida, eu vou tratá-lo como opção! Irmão, estou tão cansado deste tipo de postura (você não faz ideia!). A maioria faz uma ótimo discurso, fotos belissimas no face e afins, mas na hora do vamos ver, da pegada do macaco... é tudo uma cambada de gente superficial. Te acusam de ser intenso. Onde que se viu isso?! Como assim?! Não desejei ou desenhei uma idealização do amor, não, pra minha vida. Só quero e espero encontrar e ser encontrado, não somente pelas minhas qualidades, mas acima de tudo, pelos meus defeitos. Compartilho com alguns pontos do seu brilhante texto, viu! Um arraso você, viu! Um beijo e um xêro!

Alexandre Melo disse...

Concordo totalmente com o que já disseram aqui mais acima: todos querem um amor pra chamar de seu mas não arcar com o 'peso' disso.

Sinto dizer mas quem pensa em termos de 'si' está fadado a morrer no caritó, relacionamentos demandam atenção, dedicação, certas doses de sacrifício e algo que está em extinção, respeito.

As pessoas querem apenas os seus termos, o 'self', nada além e quando as arestas batem, a culpa é do outro nunca do eu...