sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Sobre a Violência Contra a Mulher ou Porque Instrução Faz Tanta Falta





Existem tantas Marias, Sílvias, Anas, Sofias, Helenas. Quantas mulheres perderam suas vidas por crimes hediondos, quantas mulheres perderam a vida apenas por serem... mulheres?

Sim, apenas isso: o homem, acreditando ser ele o provedor, se coloca na condição de subjugar a mulher. A ela cabe a tarefa de ser sua escrava, devendo total obediência ao seu amo e senhor. E não estou falando de fatos ocorridos em séculos passados, estou me referindo a eventos cotidianos, do nosso dia a dia. Este assunto, infelizmente, é uma realidade cultural e varia muito de um lugar para o outro, portanto quero enfatizar que vou me referir ao que vejo ocorrer em minha cidade, Recife. Quantas vezes, zapeando por canais abertos, me deparo com programas policialescos em que mulheres sofrem violência doméstica? Ou porque não querem mais o companheiro, ou porque ganham mais que ele, ou porque apenas querem trabalhar e ter seu próprio dinheiro, enfim, os motivos são os mais banais, mas suficientes para um homem, que foi "educado" dentro de um modelo arcaico de machismo, não aceitar o fato de uma mulher o deixar, ou que ela não precise financeiramente dele. Isto jamais!

Os motivos que levam atitudes irracionais serem ainda tão exacerbados e proliferados nos dias de hoje são inúmeros. Lembro que, certa vez, alguém disse que grande parte desse machismo é culpa da própria mulher, que cria homens assim. Lembro de uma cena do filme A Cor Púrpura, em que Celie aconselha o enteado a bater na esposa. Logo a Celie, que apanhara tanto do marido. Mas, veja bem, estamos lidando com mulheres que são massacradas por homens e não apenas fisicamente, mas principalmente intelectualmente. É o mesmo caso do escravo negro que ganha alforria e escraviza outros negros apenas porque, para ele, aquilo tudo, a escravidão, já se tornara normal. Para muitas dessas mulheres, apanhar acaba por virar rotina e ser "natural". Elas se acostumaram com aquela dor física e começam a achar que não lhes resta mais nada. Não foram educadas para mais nada, apenas para aceitarem a cultura da violência, onde bater é a solução dos problemas - e elas acham que elas são um problema!

Durante suas vidas, essas mulheres viram ódio por sua condição, ao ponto de acabarem sendo tomadas por esse mesmo ódio por si mesmas. E sim, ainda existem mulheres que se colocam em posição inferior perante os homens. Esta violência entra dentro de suas mentes como a única coisa que lhes resta.

E, pior, não existem políticas para conter o avanço desse mal. O que de fato existe é apenas um paliativo. Ficar sentado julgando porque determinadas mulheres não denunciam seus agressores é muito fácil. Quero ver estar na pele judiada de cada uma delas.

Ok, muita coisa mudou no mundo. É verdade que existem delegacias especializadas, a lei Maria da Penha, mas ainda precisamos mudar mais! E apenas ficar esperando que mude não vai fazer acontecer. E se me perguntam se tenho a resposta para o fim desse problema? Sim, eu tenho. Tudo se resume numa única palavra: instrução.

Sim, instrução, aquela oferecida nas escolas. Instrução essa que o governo deveria oferecer para todos, porque educação vem de casa, mas quando esta falta, a instrução está aí para resolver o problema. Eu, por exemplo, sou grato por terem me dado as duas coisas. Mas nem todos tiveram a mesma sorte.
Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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4 comentários:

Alexandre Melo disse...

Na verdade, não bastam políticas preventivas enquanto o problema for efetivamente cultural.

Claro, essas políticas devem ser reforçadas e aplicadas rigorosamente e não como vemos hoje quando o são após a morte da vítima.

Voltando, o problema ainda é cultural e não vejo como mudar isso quando um certo gênero musical (???) exorta em sua letras as mulheres como latrinas sexuais, objetos de sex shop de quinta e, porque não dizer (alguns torcerão o nariz) as próprias mulheres aceitam e propagam esse papel nos bailes da vida o que, certamente, não justifica a violência sob forma alguma se considerarmos isso como mera expressão de sexualidade.

Equanto perdurarem esses conceitos e estereótipos estaremos fadados a ver cada dia mais mulheres sendo vítimas do mundo macho.

Leandro Faria disse...

Eu acho tão triste esse tipo de coisa. E, quantas vezes, nós mesmos não ignoramos o problema apenas para vivermos a nossa vidinha tranquila e perfeita?
Realmente, falta instrução, mas também falta dignidade.
Excelente texto (mesmo) e que mexe em uma ferida que precisa ser exposta!
Bjos

Margot disse...

Minha mãae vem de um tempo em que "tomar um pescoção" (tapa na cara) era normal. Mas, não com ela. Tinha o apelido de "onça" e não era por nada. Era brava! Nesse quesito, aprendemos com ela. Apanhar de homem(ou mulher), nunca! E minha mãe não tinha escolarização, mas tinha educação e muito, muito amor-proprio.
Veio nela e ela passou pra nós, a importancia de se amar e se valorizar. É como o Melo disse, não existirá politica que dê jeito, enquanto a cultura, e com certeza, o amor próprio, não ajudarem.
Juntando-se a isso, a falta de escolarização, a desvalorização corporal e a cultura machista, mais casos ainda existirão. Triste constatação!
É onde os direitos igualitários deviam valer, infelizmente em certas regioes (e para casos diversos) isso não existe.
As esclarecidas ainda estão aquém do percentual desejável, mas, chegaremos lá! Tenho fé.

Ótimo texto.
Abraços

Anônimo disse...

Novas formas de violência contra a mulher

Organização criminosa no Brasil utiliza arma sonora dispositivo de envio de voz para o crânio humano patente americana V2K tecnologia desenvolvida pela Darpa para uso militar para torturar pessoas.
O equipamento permite a escuta e o monitoramento dos pensamentos, sonhos e memórias e transmissão de sons da fala para o córtex auditivo da vítima, é como receber uma ligação telefônica no cérebro. Os criminosos se encontram diariamente num determinado endereço onde se revezam para atormentar a vítima que é obrigada a ouvir suas vozes ou qualquer outro tipo de ruídos que queiram impor.
Imaginem seu cérebro conectado a um computador num local remoto sendo operado por delinquentes e você não faz idéia de como bloquear o sinal já que às autoridades competentes fazem vistas grossas ignorando o fato de existirem uma centena de vítimas no país e esse número tende a aumentar já que está tecnologia pavorosa caiu nas mãos de uma ralé.
Sugiro a abertura de um inquérito policial para averiguação dos fatos busca e apreensão do equipamento e punição dos culpados.

Leiam o texto da Dra.Rauni - Leena sobre Implantes de Microchip e Cibernética.

https://sites.google.com/home/controlemental/voz-intracraniana