terça-feira, 4 de novembro de 2014

A Paciência Ficou No Útero





Outro dia meu colega do Barba Feita, Esdras Bailone (leiam os textos dele aos sábados, são excelentes!), disse que queria ter a minha capacidade pra fazer síntese, porque meus textos são curtos se comparados aos dos meus colegas lindos do blog. E não, não é uma crítica aos meus colegas, vocês vão entender.

A minha capacidade de síntese, como disse o Esdras, se dá pelo fato de que eu sempre vi a vida como um todo assim. Eu sou do tipo que chega num lugar, faz o que tem que fazer e pronto! Se eu quero comprar alguma coisa eu vou lá, compro e saio da loja. Não existe a necessidade de fazer mais que o necessário.

Eu trabalho no comércio, então imaginem o meu desespero ao ter que ouvir os problemas dos outros e, PIOR, ter em minutos a solução prática para os problemas deles, problemas esses que eles carregam por meses (ou até anos), mas não poder falar, pois eles não pediram a minha opinião, apenas estão despejando os problemas deles em mim, como se eu tivesse pedido ou fosse obrigado, o que eu não sou.

O povo enrola muito, inventa problema onde não tem, pensa muito sobre dois mais dois ser quatro, ou o que usar em dias de chuva, enfim, coisas triviais se transformam num inferno desnecessário.

Um exemplo? Você encontra um cara legal nesses aplicativos que as bicha usam pra fornicar, aí ele mora longe, mas fica te instigando. Aí você coloca ele contra a parede, digamos, e pergunta quando pode ir conhecê-lo. Ele faz o quê? Recua. Ah, por que, hein? Por que as pessoas não podem ser mais práticas? Por que não chegar, fazer e pronto? Por que não dizer: "Eu quero" ou "Eu não quero"? Que tipo de jogo mental é esse? Será que eles não percebem que afetam os outros com essas indecisões? 

Eu sei que costumo pensar muito sobre muitas coisas, mas a maioria das coisas que eu faço são sempre assim, de um jeito prático. Dá pra fazer? Dá. Não dá? Deixa pra segundo plano. Próxima prioridade. Nem tudo precisa ser estudado, analisado, pesquisado e coisa e tal, senão a vida fica muito chata. Mais chata do que já é!

Então, se você se identifica comigo, me dá um abraço. Se não se identifica, tenha paciência, porque nós, pessoas práticas, precisamos de pessoas muito, mas muito pacientes do nosso lado.
Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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6 comentários:

Anônimo disse...

-Gostaria de ser mais prático como você. Confesso que tenho aprendido mais ultimamente a ser assim. Já fui bem mais dramático com tudo. A maturidade tem me ensinado a ver o mundo sob uma nova perspectiva. Sem tantos rodeios e frescuras.E uma certa coragem pra lidar com o incerto.

Glauco Damasceno disse...

Isso aí, cara, tem que ter coragem de arriscar, mas se você sente diferença no seu modo de ver e agir, já é um ótimo começo :)

Marcos Campos disse...

Muito bom ! E é isso mesmo, descomplicar, essa é a palavra !

Abraço !

Glauco Damasceno disse...

Isso aê! Abraço (=

Alexandre Melo disse...

A praticidade e o 'foda-se' andam de mão dadas, fato!

Glauco Damasceno disse...

Aham, esse é um fato universal!