segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Afinidade





Mr. Jones and me tell each other fairy tales 
And we stare at the beautiful women 
“She’s looking at you. Ah, no, no, she’s looking at me” 
Smiling in the bright lights 
Coming through in stereo 
When everybody loves you, 
You can never be lonely… 

Quem consegue me explicar esse sentimento que nos toma quando conhecemos alguém que parece sempre ter estado em nossas vidas? Por que com algumas pessoas as coisas são tão mais fáceis e com outras tão mais difíceis? 

Você conhece a pessoa, sai com ela e então, em questão de minutos, está falando de sua vida, sem se esforçar pra ser simpático, simplesmente sendo você. Fala, ri, vê o sorriso do outro, sente que aquilo é recíproco e não quer que aquele momento termine. Quando termina, você quer saber quando poderá conversar mais, ter momentos como aquele novamente. 

Afinidade ocorre com amigos. Com aqueles irmãos que não tem os mesmos pais que você, mas que pensam igualzinho, tem alguns dos mesmos defeitos e qualidades, ri das mesmas coisas bestas e fica puto com o mesmo que você. Mas não é só isso. Você pode ter afinidade com alguém completamente diferente de você, mas que te complete, te instigue, te mostre novas possibilidades e te apresente um novo mundo. Meus amigos, os que ganharam esse rótulo, são perfeitos exemplos de afinidade para mim. Tudo farinha do mesmo saco, conforme diria minha avó. 

Afinidade existe entre pessoas que se gostam. O beijo pode ser bom, o sexo pode ser fantástico, mas o papo flui facilmente, os silêncios não são constrangedores e a presença da pessoa te basta. Olhar nos olhos é divertido, descobrir sinais característicos, marcas de expressão, explorar aquela pessoa que lhe parece tão familiar apesar de tão pouco tempo ao seu lado. 

Afinidade é querer mais e querer agora. É querer que o tempo não passe, que o relógio pare, que o mundo se exploda. Afinidade é congelar aquele momento e querer viver ali para sempre. Mas, quando o tempo passa e a vida segue, é a afinidade que faz com que o reencontro seja uma continuação daquele momento onde paramos. 

Arthur da Távola foi melhor que eu e disse bem: 
 “Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou, sem lamentar o tempo da separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado.” 
Pra mim, não há muito mais a ser dito. Só que afinidade é bom. Muito bom. Viciantemente bom! Bom pra caralho! 
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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2 comentários:

Alexandre Melo disse...

Afinidade é algo meio em falta hoje em dia quando se dá mais valor em execrar as diferenças e não simplesmente respeitá-las (ainda mais quando elas vem montadas em discurso de ódio, aí não há como deglutir mesmo).

Muitos relacionamentos seriam mais longevos se prezassem a afinidade e não apenas os termos vagos de ditaduras pessoais.

Ter afinidade é ter amor.

Serginho Tavares disse...

Quando eu te conheci, percebi isto e o melhor que nem preciso falar muito, você já sabe o que sinto.
Te amo.