domingo, 2 de novembro de 2014

Menino Ou Menina? Quebrando Estereótipos de Gênero





Você não me conhece, você não sabe quem eu sou ou como eu pareço. Deixe eu me apresentar. Eu gosto de exatas, eu realmente gosto de matemática e química, na verdade eu até cursei faculdade de Química, foi minha primeira faculdade, o que me proporcionou trabalhar na área da educação. Eu ensinava Química e Matemática para adolescentes do 9º ano e do Ensino Médio. Ensinei por uns dois anos.

Eu sempre gostei de ciências. Brincar de laboratório era minha brincadeira favorita quando criança, gostava de me imaginar sendo cientista e descobrindo novos elementos na tabela periódica. Sabendo disso, pra você eu sou menino ou menina?

Eu não me formei em Química, eu larguei a faculdade depois de uma crise realmente grave de depressão e, como eu não me encontrava feliz ensinando ou estudando química, resolvi mudar e me redescobrir. Foi assim que eu acabei na área da Comunicação, onde curso Publicidade e Propaganda, apesar de que, confesso, me sinto mais à vontade em trabalhos da área de jornalismo, trabalhei por um ano com fotografia e é realmente algo que me agrada. Eu me sinto bem trabalhando nessa área mais criativa e artística. Escrever, fotografar, criar é o que me interessa, é o que me faz feliz. E agora, eu sou menino ou menina?

Eu, quando criança, gostava de amarelo, não gostava de azul ou de rosa. Amarelo é uma cor legal, mas hoje em dia eu gosto de todas as cores. Eu adoro quadrinhos, especialmente de super heróis. Sou uma pessoa nerd, a clássica definição nerd, com óculos, fã de ficção cientifica, que tem Star Wars quase como uma religião e que pode discutir por horas sem fim o universo Marvel ou da DC, mas eu prefiro a Marvel. E aí, sou menino ou menina?

E se eu falar que eu adoro a Disney, acho os filmes Disney fantásticos, especialmente as princesas. Certo que eu não sou muito fã das princesas clássicas, eu prefiro as modernas, as que vem a partir da Jasmine, de Aladdin. Eu não gosto dessa ideia de princesa passiva que fica esperando ser salva pelo herói. Eu gosto quando elas são tipo a Mulan, que tomam sua própria história nas mãos.

Eu disse que sou feminista? Sim, eu acredito na igualdade entre todos os gêneros. Eu não acho que homem sejam superiores, tão pouco acho que mulheres sejam superiores. Acredito que todos sejam iguais e devemos ser tratados de forma igual e isso é o que o feminismo significa. Menino ou menina?

Deixa eu contar, eu gosto de meninos. E eu também gosto de meninas. Eu jogava futebol nos tempos de colégio, na verdade futsal e handbol. Eu também fui de grupos de dança e de teatro. E agora, ficou mais fácil dizer se eu sou menino ou menina?

Se em algum momento algo do que eu disse nos parágrafos anteriores fez você acreditar que eu sou ou menino ou menina, tenho uma triste informação para lhe dar: você é machista e acredita em estereótipos de gênero. Você tentou definir meu gênero baseado em atividades que eu aprecio, pessoas com quem eu me relaciono, posicionamentos políticos ou qualquer outra característica; e a verdade é que nada disse define se eu sou homem ou mulher. A verdade é que nada disso serve pra definir meu gênero.

Nem mesmo a minha aparência serve nessa definição. Se eu disser que tenho cabelo curto você vai me ver como homem? Eu lhe apresento milhares de mulheres que tem cabelo curto. Se eu falar longo? Eu não uso salto, mas conheço muitos homens que usam e andam melhor que muitas mulheres que eu conheço.

Até mesmo falar se eu tenho pênis ou uma vagina não serve mais pra definir se eu sou homem ou mulher. Porque Larvene Cox nasceu com um pênis e é uma mulher fantástica, deixando claro que eu usei o pronome aditivo e não o pronome adversativo; ela nasceu com um pênis E é uma mulher, não é um MAS nessa frase. Por que o pênis não a faz menos mulher.

Alguns homens nascem com vaginas, tipo o Chaz Bono, filho da Cher; algumas mulheres nascem com pênis, como já citei a Larvene Cox e, outro exemplo é a Lana Wachowski, que dirigiu Matriz com o irmão. Algumas pessoas não são nem homem e nem mulher, vamos colocar um fim no binarismo de gênero, existe muito mais do que apenas dois gêneros no mundo. Algumas pessoas beijam meninos, algumas pessoas beijam meninas e algumas pessoas gostam de beijar ambos, às vezes separadamente ou ao mesmo tempo, a escolha é delas.

Eu ser menino ou menina faz alguma diferença? Torna qualquer dos meus gostos mais significativo? O gênero a qual eu pertenço desvalida qualquer escolha que eu tenha tido?

Leandro Faria  
Camila Cerceira, nossa colunista convidada de hoje, é cearense, nerd assumida, feminista e alguém com muita opinião. Escreve em blogs diversos e não tem vergonha de ser exatamente quem é.
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3 comentários:

Esdras disse...

Que surpresa vc de convidada do blog, Camila!
Eu gostei tanto do seu texto. O jogo de adivinhação de gênero que vc fez foi simplesmente demais!
Continue escrevendo pro Barba e seja mto bem-vinda!

Marcos Campos disse...

Ótimo texto ! Um dia a humanidade vai aprender a ver pessoas, em vez de rótulos !

Alexandre Melo disse...

Excelente! Achei incrível você ter abolido o gênero no texto, daria um belo conto ou crônica, mesmo!

Já existem estudos apontando que as gerações recentes repensam a questão do gênero e que, anos mais a frente ele mesmo não existirá mais.

Veremos..