quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Não Te Amo Mais





Você conhece um casal e acha os dois fofos*. Aos poucos, começa a perceber que toda utopia contada pelos livros de história e os filmes da Sessão da Tarde, podem sim existir. Eles (o casal) têm algo de especial e isso, de certa maneira, você consegue ver. E assim sendo, decide acreditar no amor. Não. Não acreditar. Vamos dizer que está mais para um voto de confiança que ele (o amor) pode realmente existir. Mesmo que você ainda não tenha encontrado o seu ou tido só azar no meio dessa “busca”. Mas vendo que alguém já o encontrou, é um sinal de esperança. Um sinal para não desistir e jogar a toalha. Um simples sinal que o amor de fato existe!

Mas um belo dia, sem mais nem menos, aquele casal perfeito, fofo, quase comercial de margarina, acaba.  ACABA! E você descobre isso através de uma notícia compartilhada no Facebook. É traumático? É! Mas serve de lição que o amor pode ter um prazo de validade e acabar. Quer dizer, mudar. Na verdade, não sou da teoria que o amor simplesmente acaba e um belo dia deixa de existir. Acho que ele vai aos poucos migrando, mudando suas cores, texturas e pequenas fibras de sentimentos, até se tornar outra coisa. Outro “carinho” por aquela pessoa.

Lembro que fiquei um pouco traumatizado ao assistir o filme Closer – Perto demais (que nome infame em português, senhor). Personagens se pegando, se amando e se desejando por todos os lados. Tesão e amor; em uma eterna briga por equilíbrio e poder. Até que alguém percebia que não amava mais a outra pessoa. Não da forma como sempre amou. Não da maneira com que costumava amar. O amor simplesmente acabou. Ou – como considero – mudou.

Já conheci muitos casais “conto de fadas” e o fim desses relacionamentos sempre significou pra mim uma prova de que o tal do amor era relativo e que não estava disponível para todos. Vamos ser realistas. Com o tanto de gente que nasce e morre todo dia, a alma gêmea de alguém vai acabar se perdendo, inevitavelmente, nesse caminho. Seja por conhecer outro alguém; seja por ter outro destino.

Mas também acredito que algumas vezes o amor se constrói. Algo que vem da convivência, do passar dos dias, sabe? Algo que não existiu em um primeiro momento, mas foi aflorando, se construindo e brotando entre duas pessoas improváveis. Até acho que quando isso acontece tem um peso maior do que o amor à primeira vista. Já que é simples você amar alguém assim que conhece, no primeiro olhar. Mas o day by day é que vai determinar se o amor vai só aumentar ou diminuir e, consequentemente, acabar. É desse amor aos poucos que acho que nasce o relacionamento entre amigos. Aquela coisa meio Dawson e Joey, sabe?

Ao fim. Toda música composta. Todos os momentos de fofura e todas as entrevistas assistidas ficaram na memória. O que vem depois disso? Ainda não sei. Estou olhando o teto branco do meu quarto tentando descobrir.

*Esse post foi nasceu com a notícia do término do relacionamento de Clarice Falcão e Gregório Duvivier. O colunista ainda se encontra em estado fetal chorando compulsivamente e torcendo para que isso seja uma confusão causada pela passagem de um comenta ou abertura do portal com a realidade paralela.

** ler o post ouvindo a música que me fez shippar o casal...

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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2 comentários:

Aconteceu disse...

O amor é um sentimento impossível de ser decifrado,é algo fascinante,como saber se o que sentimos em determinados relacionamentos é amor?Não tem como...aliás só quando o "amor" termina,é claro não era amor, acabou fica um vazio,né? uma impressão de que não sabemos distinguir amor de paixão.Esse texto....muito interessante....Parabéns....

Alexandre Melo disse...

Pode acabar sim e isso não há receita de bolo que dê certo posto que varia mais conforme os ingredientes (leia-se, nós) do que se possa ponderar.

Mas, acredito que o fim do amor possa estar relacionado com nossa inaptidão em lidar com sua natureza transmutável, sim, ele inicia de uma forma, cresce de outras tantas e amadurece outras mais.

Nesse caminho vamos lidando com essas metamorfoses amorosas e, creio, quando perdemos o jeito em lidar com as novas facetas dele, chega aos seu final.

Não existe o conto de fadas justamente por se conto e de fadas, amor é antes um conto de fodas e não me refiro ao sexo mas um pouco além. A vida impõe ao amor conceitos e visões que de românticos possuem apenas nosso olhar, esse olhar é a diferença entre florescer o amor e sepultá-lo.

Esse olhar precisa estar treinado para absorver as metamorfoses do amor.