domingo, 30 de novembro de 2014

O Dia Em Que Eu Chutei e Empurrei Uma Velhinha...





Olá, prazer... Mr. Angel... Eu uso reticências para dar aquela pausa dramática enquanto você lê, não estranhe... Ok? 

Estou em Curitiba. Vim "dar close" aqui por conta da fortíssima crise dos 30 anos que me abateu nos últimos tempos (começou aos 25) e que está me levando a conhecer todas as capitais do país e desta vez dei a sorte de vir para a capital paranaense. 

Ela (a crise) está mudando muito de quem eu sou/era, me fazendo repensar no que eu acredito/acreditava, incluindo: virar vegano (um vegetariano mais fresco e chato), usar transporte público, sorrir mais, agradecer mais, ser mais simpático, amar crianças, animais.............. e idosos!

Eu sei, eu sei e eu seeeeeeei: TODOS NÓS VAMOS ENVELHECER e eu estou tentando fazer isto da melhor forma possível, mas tem muito velho chato nesse mundo! 

Deixe-me contextualizar: como estou "turistando" por aqui, acabo encontrando pessoas pelas ruas, museus, parques, shoppings, bares, restaurantes... E como tem velho em todos esses lugares; velhos mal educados, na sua maioria. A impressão que tenho é que esta geração de velhos está perdida...

Ontem fui bater um cabelo e enchi a cara de jack... Mas acordei cedo, vi meu amigo se trocando, levantei da cama num salto ornamental duplo carpado e dei um abraço forte, um beijo no pescoço desejando bom dia, como o ser mais fofo do mundo (morra de inveja Branca de Neve). E o que ele faz? Sim, me empurrou longe e mandou eu parar de viadice... 

Tomei um banho quentíssimo, cantarolando ("no samba ela me diz que rala... no samba eu já vi ela quebrar... no samba ela gostou do rala rala..."), me olhei no espelho, fiquei feliz com o resultado da dieta que estou fazendo (Herbalife: funciona!), me troquei, coloquei uma roupa confortável (mentira, era ryca e custou caro) e descemos para o restaurante, tomar café da manhã... 

Tinha uma velha no elevador. Falei bom dia. Ela não respondeu, a porta do elevador abriu e ela saiu correndo, como se eu fosse mordê-la. Ignorei, pensei: "deve ser homofóbica ou racista... foi muita minoria pra cabeça dela...". Sei lá, procuro sempre pensar o melhor das pessoas...

Chegando no restaurante, me dirigi ao buffet e procurei umas frutas pra comer; nada de muito interessante, mas tinha uma banana. UMA SÓ! Estiquei a mão para pegá-la, ao que uma mão ninja e enrugada alcançou a fruta fálica com uma tenacidade que deveria valer uma medalha olímpica e, em fração de segundos, descascou a banana e começou a comê-la na minha frente. Aquela boca murcha tentando fazer parecer que a banana estava deliciosa... Foi de maldade, foi nojento e... desnecessário! Pensei: "esta puta velha linda senhora deve estar precisando de mais rola potássio do que eu, né?" 

Entretanto, passado os momentos ruins, apesar de o dia estar chuvoso, consigo ver a beleza dos dias cinzas com a inocência de um recém nascido. Pegamos o carro e fomos para o famoso museu Oscar Niemeyer... Ahhh museu! Pessoas simpáticas, educadas... velhas... muitas velhas... velhas gritando, velhas correndo atrás dos netos... velhas reclamando das escadas... velhas cheirando mal.. velhas, velhas, velhas... O mundo está sendo dominado por elas e não há limites para suas atrocidades e repugnâncias. Elas podem ser racistas, homofóbicas, deselegantes, mal educadas e o caralho a quatro e ninguém fala e nem pode falar nada. Elas são velhas, respeite!  E eu respeitei, até aquele momento. 

Parece que quando uma coisa te irrita, essa coisa ganha proporções maiores e a sensação é de que a coisa só vai aumentando e ficando pior e pior e pior, até que... Ela estava vindo na minha direção; eu estava na direita da calçada (quem é paulista entende que sempre devemos andar na direita, regras sociais); ela não ia mudar de lado e deixou isso claro com aquele sorriso murcho... Íamos ter um acidente de pedestres... Era inevitável... Era iminente... Ou eu saía da frente, ou iríamos "trombar", mas eu não era mais eu... O namastê de cu tinha virado rola e eu estava puto com essas monstras sociopatas que acham que podem tudo só porque tem passe livre no ônibus!

Ela veio... Eu fui... Quando estava a 10 cm de mim ela tentou desviar... Era tarde demais!

Eu vi a cena em câmera lenta porque eu tenho super poderes que recebi quando assisti um DVD da Cher, mas meu ódio por aquela pobre e indefesa senhora que não havia me feito nada a não ser ter me dado um sorriso de longe como quem pede licença, era tão grande e tão intenso que eu não resisti: empurrei a perna esquerda, enquanto ela tentava se desviar de mim e chutei a canela dela... Depois bati com o braço na sua cabeça fazendo a senhorinha que parecia uma anã perto dos meus 1,90 m rodopiar em círculos ao redor de si mesma...

Passei, não pedi desculpas e olhei pra trás... Dei um sorrisinho sarcástico como quem diz: "PUTA!", que ela deve ter entendido como um pedido de desculpas, porque sorriu de volta...

Continuei caminhando... e envelhecendo!

With love,
Mr. Angel
Leandro Faria  
Mr. Angel é um demônio que aterroriza a alma o alter ego um rapaz super bonzinho que mora no interior de SP, acredita em Deus e acha que a vida é uma grande oportunidade de fazer os outros felizes. Os pais dele fumavam maconha e, por isso, é provável que tenha sequelas mentais, fruto de uma gestação complicada, o que ocasiona algumas histórias bem incomuns.
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3 comentários:

Aconteceu disse...

Muito bom o texto,dei muita ridada,lembrei do tempo em que morei em Curitiba.

Shirley disse...

a mim, com meus incríveis 1,40cm de "altura", encurvada pra frente e pro lado direito e usando 2(eu disse DUAS!) bengalas, me resta torcer fervorosamente pra nunca trombar com Mr. Angel, kkkkkkkkkkkkkkk ri horrooooooooooores, é muita politicamente incorretice pruma alma só! rs AMEI! ;-)

Alexandre Melo disse...

Amei, ri litros e molhei a calcinha...

Bravo! Textos assim são cada vez mais raros (infelizmente ou felizmente senão velhinhas seriam mais extintas que dinossauros)