segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O Que Vem Depois?





"Se lembra quando a gente
Chegou um dia acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber que o pra sempre
Sempre acaba..."
Por Enquanto (Cássia Eller)

Mesmo sendo de família religiosa, acho que nunca parei muito pra pensar no que viria pela frente, no depois que essa existência chegasse ao seu final. 

Para meus pais e sua crença (que hoje vejo muito claramente, nunca foi a minha), estamos aqui apenas esperando que Deus acerte suas contas com o Diabo e a Terra vire um paraíso. Para os espíritas (e não sei muito bem a divisão entre um e outro), a reencarnação é uma possibilidade; enquanto para os católicos e alguns evangélicos, o céu ou o inferno nos aguardam. 

E o que eu efetivamente penso disso tudo? Nunca me importei, na verdade. Se estamos aqui de passagem; se existe um depois que vamos descobrir quando enfim morrermos; se ao fecharmos os olhos e nosso cérebro parar de funcionar, é um simples puft, acabou! Para mim, até então, isso era assunto filosófico-particular e que, sinceramente, não me interessava. Mas, de uns tempos para cá, tenho sido surpreendido com pensamentos do tipo: o que vem depois? Será apenas isso realmente? 

Antes de mais nada, deixo claro que não acredito no conceito de Deus da maioria das pessoas. Não que eu desacredite de algo superior, mas é forçar demais a barra o que nos empurram goela abaixo desde sempre. O tal Deus de Amor pregado pelas pessoas não condiz com o Deus rancoroso do Velho Testamento e que promete mandar tudo pro espaço no livro de Apocalipse. Desculpa ae, mas acho que se Deus existe de verdade, ele deve estar muito ocupado (ou curtindo umas boas férias no infinito de sua onipresença) pra se preocupar pessoalmente com cada um dos bilhões de pessoas que vivem hoje na terra, fora aqueles que por aqui já passaram. Além disso, se esse Deus realmente existisse, putz, tremendo de um fanfarrão, todo trabalhado em observar o grande Big Brother chamado Terra, não é não? 

Ao mesmo tempo, não consigo desacreditar de tudo também. É muita pretensão achar que estamos nesse universo em expansão sozinhos, sendo os únicos seres pensantes por aí. Deus, deuses, extraterrestres, inteligências superiores. Sei lá, eu devo acreditar em alguma coisa que ainda não faço ideia do que seja. Quando a corda aperta pro meu lado, não tem jeito, inconscientemente eu peço por ajuda. Vai que na hora tem alguém olhando praquela câmera que me filma o tempo todo nesse reality chamado vida e me dá um help de última hora? 

Não sei se é a idade, mas tenho parado cada vez mais para me perguntar: para que tanto conhecimento, trabalho, conforto e situação financeira se uma hora ou outra eu vou deixar de existir? E então, o que há de vir? 

Não, não quero ser convertido. Muito pelo contrário, tenho verdadeiro ASCO de quem tenta me converter a aceitar as suas crenças particulares, ainda mais se vier com o papo furado de Bíblia pro meu lado. Eu posso acreditar em alguma coisa, mas é certo: na Bíblia eu NÃO acredito. 

Dessa forma, não pense que esse texto é um pedido de socorro de uma alma desesperada, porque não é. São apenas palavras avulsas sobre um assunto que passou pela minha cabeça enquanto não tinha nada de mais importante para pensar, como por exemplo: o que será que terei para o jantar?
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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