quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Sexo Oral de Quinta-Feira





Nunca tive problema em falar sobre sexo. Desde muito cedo recebi uma boa liberdade dentro de casa para tratar sobre o assunto. Assumo que com meus treze/quatorze anos me achava o máximo por assistir ao Erótica MTV, apresentando por Babi Xavier (muito antes do silicone labial) e Dr. Jairo – Delicia – Bouer.

Verdade seja dita. Eu era um feto – se comparado aos dias atuais –, mas já me interessava ouvir e falar sobre o assunto: Sexo. Era, por motivo da idade, um curioso. Queria saber como era. O que era.  Como fazia... Não, pera! Na época não se tratava muito de fazer sexo. A ideia de falar sobre o tema e tentar entender o que podia ser entendido, era melhor. Era o máximo! Não fazia, mas sabia. Meio nerd, que domina toda a teoria, mas não tem nenhuma noção de prática. 

E conforme o tempo foi passando, fui fazendo amigos e crescendo, o foco sexo só ficou mais latente. Posso afirmar que hoje em dia, quando todo mundo se reúne, é sobre isso que passamos a maior parte do tempo conversando. Agora não só como teóricos, podemos debater com propriedade de praticantes.  Muita prioridade. E muita prática, diga-se de passagem!

Também costumo dizer que quem tem amigos não tem intimidade. Quem nunca dividiu algumas frustrações ou surpresas que aconteceram na hora H? Não tem como mentir. Abrimos o jogo mesmo. Somos naturalmente curiosos e, sobre sexo, todo mundo fala. Ou ao menos falava.

Sou filho do fim dos anos 80 e tive uma liberdade tão bacana na minha pré-adolescência nos anos 90, que me custa entender certas coisas que estão acontecendo com essa nova geração. Não falo isso só pela “onda de conservadorismo” que anda na ~moda~, mas pela caretice de algumas pessoas. Hoje, falar sobre sexo ou qualquer outro assunto do gênero, parece pesado. Inadequado e fora de lugar. E não digo isso só pela onda do politicamente correto. Algumas pessoas decidiram entrar em uma máquina do tempo, onde ignorar certas questões as mantém a salvo do trabalho de pensar e, consequentemente, questionar.

Se hoje, Serginho Groisman e Otavio Mesquita possuem um momento de perguntas sobre sexo em seus respectivos programas, foi porque a MTV – que já não existe mais como antigamente – abriu esse canal de comunicação. Ela passou a informar o jovem de uma maneira “menos careta” e mais direta. Se você queria saber sobre penetração, masturbação, sexo anal ou oral, o Erótica MTV (1999 – 2001), o Peep MTV, apresentado por Jairo Bouer, Didi Wagner e Penélope Nova, (2002) e Ponto Pê, apresentado só pela Penélope (2006 - 2007), eram o lugar certo de se perguntar. Independente de qual fosse, o programa não te enrolava na resposta. Você descobria o que queria saber e aprendia a melhor maneira de se proteger contra as DSTs e todas as outras possibilidades de doenças que existem por aí. E tudo dito na boa, sem nenhum slogan conservador ou feito por uma equipe de publicidade “pra jovem”.

Então podemos dizer que em pleno 2014 as coisas estão mais evoluídas nesse assunto, correto? Afinal, todo mundo é depravado nos dias de hoje e fala sobre sexo. Bem, é errado! Muito errado pensar assim. Parece que falar para os jovens se tornou um problema muito grande. Tudo tem que ser com as palavras certas (que de certas mesmo só existem para conforto dos mais velhos) e em momentos propícios com uma pegada menos invasiva, mas que tem uma sutilidade menor que de uma criança de cinco anos que indaga aos pais se eles namoram pelados. A grande questão não está na pergunta, mas na resposta! Nem tudo é um bicho de sete cabeças. O sexo não precisa voltar a ser um enorme tabu.

Não sei ao certo explicar o motivo ou em que momento isso aconteceu. Só que aparentemente foi montada uma proteção para os jovens de hoje, em que tudo já é predeterminado a ser ofensivo e minimamente perturbador de se questionar. Não importa a pergunta, sendo o conteúdo sobre sexo, já não é bem vinda.

Ao que parece, tudo se divide basicamente entre o povo que “decide esperar” e a galera que sai pegando qualquer um. Particularmente, não é bem assim. Não acredito que tudo seja o preto no branco. Você pode falar sobre sexo e não fazer. Esperar pelo cara certo, pessoa certa ou o seu momento certo. Falar não significa necessariamente fazer.

É por isso que proponho uma vez por mês, às quintas, fazermos o Sexo Oral. Assim, vocês leitores perguntam e nós do Barba Feita respondemos. Sei que nossa comunicação é, por enquanto, só na base da escrita, mas enquanto ainda não falamos propriamente com vocês, vamos mantendo esse nome e fazendo assim, pode ser? Tudo bem por vocês?

Então, vamos falar sobre sexo? Podem usar os comentários ou, se quiserem uma coisa mais íntima, sem ninguém saber que você está perguntando, pode mandar email pra gente. O anonimato é sempre garantido:
barbafeitablog@gmail.com
E se você não chegou a conhecer o Erótica MTV, apresentado pela Babi e Jairo, dá o Play e divirta-se.



Ou assista ao Ponto Pê, com a Penélope e seus adoráveis casos da semana.

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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3 comentários:

Luciana disse...

Ahh eu tbm sempre fui de boa quanto a esse assunto.
porem em casa, c pais conservadores.. aprendi tudo n rua. Em revistas e em programas. Na marra.
Quem me conhece não imagina isso..
mas meu pai foi introduzir uma conversa sobre sexo seguro quando eu tinha quase 20 anos e ja estava cansada de dar..
e as palavras dele: Espero que sua mãe ja tenha conversado c vc sobre.
Eu só confirmei c a cabeça e saí d sala.
Eh mt estranho falar de sexo c meus pais.. mas c outras pessoas, falo até o q nao devo hahahaha

Klaus Roger disse...

Sil seu maravilhoso!
Falo de sexo sempre que você quiser, seu lindo iuahiudhasiudhisahdiuhsaiduh
Vou bolar alguma pergunta boa pro próximo!

Rubens Rodrigues disse...

Que saudade do Ponto Pê!