sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sobre a sociedade que vivemos

Já dizia Drummond que o que se passa na cama é segredo de quem ama.

Isto deveria ser algo normal, não é? Pois bem, deveria, mas não é. Eis que hoje em dia as pessoas sentem a imensa necessidade de saber quem está com quem e se está o que fazem, e pasmem, desejam saber principalmente como fazem. Não importa a orientação sexual existem os patrulheiros do sexo atualmente e, atenção, cuidado com eles.

Se por acaso alguém foge aos padrões impostos pela sociedade, então ela será vítima de todo o tipo de julgamento e controle, e principalmente terá sua vida minunciosamente vasculhada. Porque o grande problema para esta sociedade é que diferenças não podem existir jamais, e aí chegamos no âmago da questão.

Como viver num mundo que prega a diversidade, mas que não a tolera? E aí que entra a tal dita sociedade heterossexual branca e brasileira, porque eles nem são a maioria da população, mas são os que tem poder e acabam ditando o que eles acham como tudo deve ser. Enquanto isso a grande maioria da população ou acha que tem que ser como eles querem, e se submetem a estas convenções, ou seguem por outros caminhos que podem ser, desde agir contra a ditadura desta mesma sociedade, que acha que as famílias devem ser como uma propaganda de margarina ou buscarem um caminho alternativo em que esta mesma família possa interagir com outra família composta por negros, pobres e gays.

Vale ressaltar aqui que a nova família brasileira está bem distante desta que vemos nos anúncios de margarina. Enquanto vemos avanços na nossa sociedade, ainda existem muitos retrocessos que precisam ser combatidos.

Não serei eu que vai dizer como deve agir a tal sociedade, nem tampouco serei eu que vou dar aqui alternativas, pelo menos não foi o objetivo aqui, encontrar soluções, mas apenas mostrar situações que vemos hoje em dia. Mas talvez com este post as pessoas possam entender que o mundo é repleto de pessoas dos mais diferentes desejos, e desde que eles não ultrapassem a dignidade de cada um, tudo é permitido. Afinal, cada um sabe a dor e delicia de ser o que é, como diria Caetano.
Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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Um comentário:

Alexandre Melo disse...

Esse tema merece um post mais longo porque é assunto para discutir e muito.

Valeu a intenção mas apenas arranhou a superfície o que entendo ser válido ou seria um tratado e não um post..