segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Balanços e Perspectivas





"I have spoke with the tongue of angels 
I have held the hand of a devil 
It was warm in the ninght 
I was cold as a stone 
But I still haven't found 
What I'm looking for..." 
I Still Haven't Found What I'm Looking For (U2)

O ano de 2013 foi doído. Lembro bem que em dezembro passado eu não era ninguém, só queria deitar em posição fetal e esperar que 2014 chegasse logo e apagasse aquele final de ano da minha história. Nunca antes tinha tido um final de ano tão chato e que me sugasse tanto as energias como aquele. O trabalho me consumia e eu perdi uma oportunidade de promoção por motivos aleatórios e que nunca me desceram totalmente. É a vida, eu sei, mas a vida nem sempre é justa, não é mesmo?

Mas 2014 chegou e eu me obriguei a encará-lo de frente. Lembro de passar o réveillon em uma festa olhando os fogos iluminando a baía de Guanabara e desejando, enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto, que esse ano fosse melhor. E foi, viu, ainda bem!

Eu acho que existem anos bons e anos ruins. Assim como existem dias bons e ruins e momentos alegres e tristes. O legal é que essas marcas nos calendários servem apenas para vermos como podemos sobreviver aos momentos ruins e relembrar os bons. Deve ser por isso que o tempo foi dividido em anos e a humanidade está há milênios contando os dias, meses e anos. É mais fácil de assimilarmos o mundo e nossas próprias transformações graças a essas divisões. 2010 foi legal. 2011 foi ok. 2012 foi ótimo. 2013 foi terrível. E a gente segue, nesse mar de bons e maus anos, de lembranças e retratos imaginários guardados em nossos corações.

É exatamente como escreveu (bem!) Roberto Pompeu de Toledo:
"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente…"
2014 foi um ano de resoluções e de praticidade. Prometi a mim mesmo que simplificaria minha vida, deixando de lado o que me incomodava, abrindo mão sem dó de muitas coisas que eu nem mesmo sabia mais porque estavam comigo. Em 2014 eu fui muito mais eu mesmo, o Leandro que por tantos anos não existiu devido a convenções sociais e medos injustificados. Fui, para o resto do mundo, o Leandro que meus amigos conheciam e amavam mesmo assim. Liguei o foda-se total e, confesso, fui bastante feliz. 

De 2014 vou levar o melhor. As viagens, os passeios, as novas culturas que conheci. As pessoas que mantive em minha vida. As pessoas que deixei partir (foram tarde!). As pessoas que chegaram. Desse ano, vai ficar o gosto das coisas boas e novas experimentadas. Vão ficar as sensações de frio na barriga, de gostinho de sucesso e de um ciclo fechado (aquele da promoção perdida em dezembro de 2013 e que, ironia, chegou em dezembro de 2014).

O ano de 2014 foi de praia e sol, de momentos perfeitos ao lado da pessoa mais especial da minha vida, de sorrisos sinceros e gargalhadas mil. Foi de momentos incríveis que, ainda bem, são tão comuns que até o incrível tem se tornado rotina em minha vida. Por causa dele e devido a ele. Que mesmo quando me irrita (e tem facilidade para fazer isso), sabe lidar com o monstro agressivo em que eu posso me transformar e acaba domando tudo de uma forma que, devo admitir, me deixa admirado.

Mais que novidades, o ano de 2014 foi de assentamento de certezas. O Leandro de hoje tem que mudar alguma coisa? É claro que tem. O ser humano é mutante e mutável e manter-se preso a velhos comportamentos e atitudes é até idiota. Mas o ser humano é, também, linear e de padrões. Hoje eu sei exatamente quem eu sou e onde posso e devo melhorar, ao passo que sei onde não há espaço para mudanças e/ou invenções. Eu sou assim, desse jeitinho mesmo e é o que temos para a vida. Convivamos com isso!

De 2015 eu não peço muito. Sei que coisas boas virão, mas também que nem só de flores será feita a vida. Então meu querido novo ano, seja bem-vindo! Eu estou preparado e te recebo de braços abertos!

Cheers!
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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2 comentários:

Sonia Rodrigues disse...

Um 2015 do jeitinho que vc quer. Bjs

Viviane Santos disse...

E mesmo que aos 45 do segundo tempo fico feliz em poder ter feito parte do seu 2014! :)
Feliz Ano Novo!