quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Bodas de Estanho





De alguns dias para cá, um tema tem sido muito debatido aqui no Barba Feita: o amor. Na verdade, esse talvez seja o principal tema em pauta na humanidade, até porque amor nunca sai de moda. Admito que não era esse o assunto que eu iria tratar hoje por aqui, mas senti que não tinha como fugir dele, uma vez que na última terça-feira (também conhecida como “ontem”) completei dez anos ao lado da pessoa que amo, dos quais exatamente três casados no papel e dentro de nossa religião (sim, escolhemos a mesma data propositalmente). E por acreditar que o amor é um universo tão rico que, certamente, minha visão a respeito dele e as dos meus colegas não necessariamente são as mesmas.

Não vim aqui para detalhar o que passei nesses dez anos de trajetória. Mas, de uns tempos para cá, tenho refletido muito sobre o “sucesso” dessa empreitada e a vontade que tenho de cada vez mais fazer essa vida a dois nos levar a uma velhice bonitinha, com muito Corega e rabugice, juntos.

Não, não foram dez anos de comercial de margarina. Eu nunca acreditei, na verdade, em amores como os disseminados pela Disney ou por Shakespeare, como ressaltou meu nobre colega Leandro Faria, em seu texto na segunda-feira (não leu? Clica aqui!). Garanto a vocês: eu era uma pessoa amarga e desacreditada no amor. Vi, aos 13 anos, meus pais se separarem (depois de seis anos, eles reataram, gente!); vi a menina que eu achei que gostava durante anos sempre me recusar; depois tentei relacionamentos que nasciam com tamanha força, mas duravam poucos meses. Minha mãe (sempre ela) dizia que eu era uma pessoa tão difícil, que eu morreria sozinho, porque ninguém iria me aturar no dia-a-dia. Mamãe é uma pessoa muito sábia, mas que bom que ela erra de vez em quando (geralmente, quando ela falava que ia chover ou esfriar, ela acertava!).

Eis que aos 20 anos eu conheci o cara que está ao meu lado até hoje. E já passei um terço da minha vida com ele. Construímos muitas coisas juntos, temos nossos filhos (caninos e felinos e planejamos uns humanos também), nosso espaço e o respeito de muita gente.

Para tal, não existe uma receita de bolo, mas certamente algumas pequenas coisas somaram para que estejamos aqui, juntos, felizes e planejando:

  • Não acreditar que a sua felicidade está no outro. Pode parecer piegas ou terapêutico demais, mas somos laranjas inteiras... Essa coisa de metade nunca colou comigo...
  • Não achar que um relacionamento é feito somente de amor. Ele é MUITO amor, mas é também respeito, compreensão, admiração, companheirismo, atração e várias outras coisinhas.
  • Não achar também que o relacionamento deve se sustentar no sexo. Sexo é ótimo, é parte integrante da vida da gente. Mas achar, em pleno século XXI, que se casar é uma forma ter sexo garantido em casa, é muito, digamos, ultrapassado. Ouvi no dia do meu casamento: casar é escolher alguém para dividir a sua vida, atração física é outra coisa. Que bom quando elas caminham juntas, mas é preciso lembrar que um dia carecas aparecerão, o tônus muscular vai embora, as rugas e as pelancas surgem... Isso tudo é logo ali... (tô malhando e correndo pra atrasar um pouco).
  • Ah, tem outra coisa que minha mãe um dia me disse que ouviu de um desses playboys famosos, provavelmente da família Guinle ou afins, ao dar uma dica para a sua filha recém-casada: nunca faço número 2 no banheiro na frente do seu cônjuge. Sei, gente, pode parecer bobagem... mas, não dá! Concordo plenamente. A convivência diária já é cheia de desafios, pra que associar mais um momento desagradável, totalmente evitável, a ela?
Brincadeiras (ou não, porque eu levo a sério o lance do banheiro) à parte, casar é uma eleição. Mas nesse pleito, os votos não são renovados de quatro em quatro anos apenas, porém todos os dias. Tenho consciência de que erramos muito nesse período, acertamos muito mais... Mas casados estamos. Porque, contrariando Tom, é possível, sim, ser feliz sozinho. Mas junto, é muito mais gostoso!
Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor do livro Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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2 comentários:

Aconteceu disse...

Lindo texto, também estou em relacionamento com quase 06 anos,e não é fácil, acredito que momentos mais complicados do que simples,e acho que isso que vai fortalecendo o respeito a amizade a dedicação,que eu sou um e ele outros,respeitar as opiniões,acredito que o amor é como uma "escola construtivista",que aos poucos vão agregando sentimentos,valores experiências até o amor estar ali,um ao lado do outro.
O AMOR.........Parabéns pelo texto

Alexandre Melo disse...

Há 14 anos que escrevo a minha receita de bolo com o mesmo homem e realmente, ela não existe em sei definitivo, é escrita no cotidiano.

O amor existe sim mas não aceita desaforo e requer dedicação, paciência e esforço, itens que hoje em dia as pessoas relutam e muito em utilizar tão centradas em suas 'selfies' que estão.

Acima de tudo, creio que as pessoas esqueceram de que relacionamentos são feitos em pares e não individuais.