sábado, 20 de dezembro de 2014

Carrie Bradshaw, Amiga, Eu Te Entendo Tanto!






Sabe qual meu seriado favorito atualmente?

Se você pensou em  Game Of Thrones, House Of Cards ou How to Get Away With Murdererrou. Meu seriado favorito no momento é Sex and the City.
Nossa Esdras, que coisa mais antiga!
Sim, Sex and the City é bem anos 90, mas seu tema principal são os relacionamentos, nossas expectativas e comportamentos diante deles, e este é um tema que nunca sai de moda.

Por que estou assistindo a história das quatro amigas solteiras, bonitas, independentes e bem-sucedidas, que vivem uma vida de luxo e glamour em Manhattan, enquanto se divertem com os homens errados até achar o certo, 10 anos depois de ter chegado ao fim em sua sexta temporada?

Bem, quando Sex and the City estreou na HBO, em 1998, eu era um adolescente de 15 anos, pouco interessado nos mimimis amorosos e sexuais de um bando de mulheres na casa dos 30, loucas por homens e grifes. Lembro que achava a proposta interessante, mas não o suficiente para me atentar à ela e acompanhá-la com afinco. Meus interesses eram outros...

Aí o tempo foi passando, a série foi fazendo sucesso, o povo comentando, fãs ardorosos pipocando por todos os lados, os dilemas das quatro meninas de Manhattan causando grande identificação também com o público gay, e quando comecei a me interessar pela história, os episódios já chegavam em suas últimas temporadas. Mas, convenhamos, que pra curtir Sex and the City, envolver-se e divertir-se com os causos e dramas de Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha, nem era preciso ter assistido a série inteira. Foi quando me deliciei em 2008 com Sex and the City - O Filme, e não fiquei nem um pouco perdido na história por só ter assistido 2 ou 3 episódios do seriado. Depois veio a sequência Sex and the City 2de 2010, que gostei menos que o primeiro, mas também foi ótimo. E agora me encontro com o box completo de todas as seis temporadas do viciante seriado e não quero saber de mais nada.

Eu sei que a série já está disponível online há muito tempo, mas agora é o meu momento e não dá pra negar a delícia que é o ritual de assistir no DVDabrir o encarte, pegar o disquinho, inseri-lo lá (sem trocadilhos, por favor), selecionar o episódio e apertar o play. É total e adoravelmente anos 90, e aí reside toda a graça.

Esta introdução toda é tão somente pra dizer o quanto me identifico com as agruras, indecisões  e conclusões as quais Carrie Bradshaw passa e chega a cada episódio. Sem a menor dúvida, a personagem com a qual mais me identifico. Num dos últimos episódios que assisti, da segunda temporada, chamado A Dor Maravilhosa, me vi tanto em Carrie, que minha vontade era entrar na TV, abraçá-la, chorar junto com ela e dizer: 
Amiga, eu te entendo tanto. Você não tá sozinha. Tamo junto!
A angústia que assolava a protagonista era o eterno dilema de seu relacionamento com Mr. Big. Carrie fica sabendo, por acaso, que seu namorado pretende mudar-se para Paris à trabalho, onde ficará por um ano, quando o próprio comenta o assunto de forma displicente, como se para ela não tivesse a menor importância. Faz isso a poucos minutos de embarcar em uma viagem de negócios, deixando-a sem reação e sem chance de começar uma DR. Atormentada e furiosa com o pouco caso de Mr. Big, Carrie desabafa com as amigas e chega a conclusão de que ter um namorado morando em Paris não parece ser tão ruim; fazendo os devidos ajustes, pode ser até bem vantajoso. Já conformada e com as ideias renovadas, Carrie recebe Big toda amorosa e cheia de planos. Ela já estava se imaginando mudando-se para a capital francesa para viver ao lado do homem que ama, mas Big joga um balde de água fria em seus sonhos românticos, quando decreta que não quer que ela vá a lugar nenhum em função dele, que não quer que ela mude nada em sua vida por causa dele, porque ele não está preparado para assumir algo tão sólido como ela deseja.

Mais uma vez decepcionada com seu amor, Carrie chega a conclusão de que é masoquista em sua relação com Big. É uma relação que a faz sofrer; por vezes, dolorosa, mas é tão maravilhoso estar com ele, que dificilmente ela resiste. Carrie não consegue simplesmente se entregar à forma de amar de Mr. Big, leve, descompromissada, sem expectativas, pois em sua lógica, quem ama quer compromisso, insere, comunica, dá satisfações e faz planos com a pessoa amada, tudo o que Big repele. Carrie quer gritar ao mundo o quanto o ama e como teve sorte de encontrar o homem de sua vida, enquanto Big quer exatamente o oposto, um relacionamento low profile, sem grande estardalhaço, quase secreto.

Por fim, após pesar os prós e os contras, Carrie conclui que não dá mais, cansou de ser masoquista e sofrer por expectativas frustradas. Tentou o quanto pôde se moldar ao jeito de Mr. Big, mas não está disposta a anular seus desejos e faz sua escolha, optando pelo rompimento na relação.

Aí eu sofro, choro e reflito como Carrie, lembrando de todas as expectativas criadas em cima de amigos e amores. Tantas frustrações e decepções. A gente tenta o quanto pode levar em frente esses tipos de relacionamento em que o outro nunca cede e parece não dar o devido valor ao nosso sentimento, achando que nós é que estamos errados, que nós é que estamos sugando e exigindo demais do outro, que nós é que somos carentes e pegajosos. Quando na verdade, o erro não é o tamanho do nosso amor e as expectativas depositadas nele, mas sim a quem o direcionamos. Nem todos estão preparados pra nossa intensidade e profundidade e muito poucos à merecem.

Vamos aprender a redirecionar nossa carga emocional e sentimental. Sentimentos precisam estar na mesma sintonia. Nada de jogar pérolas aos porcos e nem ficar tentando mudar a outra pessoa para que ela fique na mesma vibe que a sua. Tudo bem, a gente até tenta um pouquinho, mas nestes casos não seja flexível demais, imponha seu limite e, quando ele começar a ser ultrapassado, dê um basta. 

Não seja masoquista, se te faz sofrer não vale à pena. Nenhuma dor é maravilhosa!
Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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Um comentário:

Rejane Silva disse...

Vc esta cada vez mais sencivel, mais a flor da pele.
Parabéns pelo delicioso texto !