segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Falando de Amor







“Eu podia ser um mistério e viver cercado de estórias 
Só te olhar do jeito mais sério , mas eu estou falando de amor 
Eu podia ser a ternura , sem desejo, beijo, nem sexo 
Ser somente a história mais pura , mas eu estou falando de amor…” 
Falando de Amor (Leoni & Rodrigo Maranhão)

Já reparou que tem sempre alguém falando de amor? Da busca pelo amor, de amores mal resolvidos, de histórias de amor. Os folhetins SÓ falam de amor e dos desdobramentos que o amor (ou a falta dele) causa na vida das pessoas. E você já viu quantas pessoas infelizes vemos ao nosso redor? Infelizes por causa do amor. Ou pela falta dele. Ou pelo excesso. Aliás, o que é esse tal de amor que é sempre tão alardeado por aí? 

Vejo pessoas que apostam a vida na busca por seu par perfeito com quem viverão sua história de amor. Investem tempo nessa busca incessante e acabam frustradas pois acabam sempre com a cara no muro. Seus príncipes ou princesas encantadas nunca aparecem. 

Conheço pessoas que vivem "histórias de amor". Alardeiam a felicidade aos quatro ventos e afirmam não ter problemas amorosos. Mas traem, enganam, mentem. Vivem o amor da sua vida. E se dedicam a mil paixões paralelas, enquanto o amor que consideram da vida está em casa, sem nem desconfiar (será?) do que acontece à sua volta.

E existem as pessoas normais. Tipo aquele casal, que poderia ser o seu/meu pai e mãe, que são casados já por toda uma vida, criaram filhos, vivem juntos e felizes. Daquele tipo de felicidade que dá invejinha branca, sabe? E se você perguntar pra eles o segredo do sucesso, sabe o que respondem? Que sucesso não existe, já que o que eles fizeram foi aprender a conviver e apenas não deixaram que a chama da paixão fosse apagada pela convivência… 

Em tempos como os nossos, em que todo mundo quer um amor, mas tão poucos de nós queremos nos dedicar ao outro, como encontrar o dito cujo que tantas pessoas dizem não achar? Não seria a hora da maioria das pessoas mudar o próprio conceito do que é efetivamente o amor?

Li esses dias que Shakespeare e a Disney fuderam com a nossa cabeça, ao plantar em nós a idealização do romance. Malditos sejam eles e nós, que acreditamos (e divulgamos) fórmulas prontas e surreais de uma ciência que de exata não tem absolutamente nada. 

Porque amor não são só belas histórias, suspiros e sexo de tirar o fôlego (e eu acho que amor até pode faltar; sexo bom, não, por favor!). Amor não é só felicidade. Amor não é feito apenas de sorrisos e abraços apertados. Amar é aturar o mau humor do outro, a dor de cabeça, a chatice. Amar é dividir os problemas e poder falar por horas sobre aquele assunto que nem você aguenta, mas do qual não consegue parar de falar. Amar é ouvir algo que você não queria e procurar entender. Amar é abrir mão em prol do outro; é se colocar no lugar. 

Além disso, pensar fora da caixinha pode ser interessante. Por que o seu amor tem que ser exatamente como você imaginou e não como lhe foi apresentado? Existe uma infinidade de possibilidades de se relacionar (e de amar!) que fogem do convencional e que muitas pessoas não tem vontade (coragem?) de experimentar.

A grande verdade, entretanto, é que amor não é só beleza. Amor, como nós, é imperfeito.

Mas, quer saber, quem disse que não vale a pena?
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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3 comentários:

Alexandre Melo disse...

Você fez a pergunta e a respondeu, não existe mesmo fórmula muito menos essas que cinema, (parte da) literatura e a Disney, novelas e tudo mais nos enfiaram a vida toda goela abaixo.

Aí sai uma ou várias gerações entupidas de remédios pára depressão e ansiedade porque a ficção jamais imita a vida porque se o fizesse não vendia nem um tostão.

Tenho um relacionamento de 14 anos com a mesma pessoa e temos sim problemas, mentiras, verdades, momentos bons outros nem tanto, altos, médios e baixos, em suma, vivemos.

Como lidamos com tudo isso ao nosso jeito é a nossa fórmula, cada um deve buscar a sua e ir aí com o tempo e empiricamente fazendo valer.

O resto é ouro de tolo.

Esdras disse...

Ah Leandro, que texto!
Acho que do seu jeitinho vc ama de verdade, né?
Já que o assunto é amor... amei sua explanação!!!

Silvestre Mendes disse...

Eu só acho que quando todo mundo decidir cair na vida real e perceber que filmes e novelas, são filmes e novelas, muita gente trocaria a conformidade pela felicidade. Leandro e seus textos <3