quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Livros. Livros Por Todos os Lados!





Adoro o final de ano por inúmeros motivos e o maior deles se chama Black Friday. Utilizo a sexta-feira de promoções como desculpa para comprar e meter o pé na jaca mais um pouco, quem nunca? Mas o que isso significa na pratica? Não, não saio comprando roupas e eletrônicos como se não houvesse amanhã. Minha praia é outra. Resumindo: aproveito a data para comprar livros (e box de séries). Claro que mais livros que já compro normalmente.

Acho engraçado o quando a memoria é algo bastante seletiva. Se você me perguntar, não saberia dizer exatamente qual foi o primeiro livro que comprei com meu dinheiro (de mesada ou presente de aniversário, mas vocês entenderam o significado de “meu dinheiro” nessa frase, né?), mas lembro exatamente pelo que estava passando ao ler determinada obra. Toda descoberta de um mundo mágico com Harry Potter, assim como o desejo por ter amigos tão inseparáveis quanto Rony e Hermione. De me sentir um chato reclamão quando tinha 15 anos, como Holden Caulfield, de O Apanhador no Campo de Centeio. Ou até mesmo perceber que levo tudo muito mais a sério do que deveria e que relaxar, como Maude ensina para Harold em Ensina-me a Viver, é mais do que o recomendado.

Livros não são só válvulas de escape da sua realidade. Acredito que possuem a melhor forma de você conseguir se conectar com você mesmo. Através das páginas e dos personagens é possível perceber quem nós somos realmente. Sem máscaras, sem desculpas, sem disfarce.

O que anda me incomodando um pouco é o filão. Ou a eterna mania que existe em transformar uma boa obra em produto de mercado. Não foi Suzanne Collins quem descobriu o fantástico mundo das distopias com sua Katniss. George Orwell e 1984 estão aí para provar o que estou dizendo. Mas o ato desesperado da indústria em criar distopias com jovens desgovernados, na esperança de vender livros e criar sagas cinematográficas, me deixa irritado.

Quem não se lembra do último banho de sangue nas prateleiras das livrarias com o retorno dos mortos vivos, chamados de vampiros? Até uma tentativa de romancear zumbis aconteceu, mas não deu certo. Sagas com Anjos também apareceram, mas o espaço foi ocupado mesmo pelas distopias. Além, é claro, de elas terem tirado mais personagens do universo literário e levado diretamente para as já famosas trilogias (dividas em quatro partes) cinematográficas.

Posso listar os bons livros que li esse ano, mas foram os poucos que trouxeram elementos novos para minha vida. Acho que toda leitura é válida, consumo tudo, mas chega um momento que tudo o que você mais quer é entrar em uma trama bem escrita, além de ser perfeitamente estruturada. Bons livros, querendo ou não, ficam atemporais e não importa muito qual época de leitura, você sempre conseguirá encontrar elementos do seu universo naquelas páginas.

O fim do ano está aí e a obrigação de presente, existe. Mas todo o trabalho em presentear alguém pode ser sanado com a qualidade do que é dado. O que quero dizer? Não sinta-se obrigado a comprar presente X ou Y para determinada pessoa. Dê um bom livro. Dê algo que você goste. Assim, pode ser que você esteja aprendendo a compartilhar um pouco do seu universo (que é conhecido dos outros ou não), com o próximo. E fazendo o que o espírito do Natal ensina. Amando o próximo. 
Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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3 comentários:

Luciana disse...

eu sou super a favor de dar livro d presente.. Mas fico extremamente chateada quando o amigo em questao faz teu presente de enfeite..
Por esse (e outros) motivo que só dou livros pra quem REALMENTE gosta de ler..
Se a pessoa quiser entrar um pouco n meu 'universo', ela vai me pedir algum emprestado.. U.U

e Btw, queria ter podido aproveitar a Black Friday =´( #Chateada

Rafael Oliveira disse...

Cura qualquer mal, carência, soluciona qualquer problema interno ou externo. Ajuda na sua visão de futuro e a encontrar você dentro de você. Livros.

Alexandre Melo disse...

Lembro até hoje de minha adolescência, na escola, amigo secreto e eu punha na lista de presentes apenas livros.

Os outros olhavam com aquele ar de estranheza, não entendiam como eu na flor da idade poderia desejar livros como presentes.

Sempre os amei e por conta deles, escrevo. Sinto muita pena de quem não o faz...