segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

(Meus) Gatos & Eu






"Dizem que gato não pensa, 
Mas é difícil de crer.
Já que ele também não fala
Como é que se vai saber?"
Gato Pensa (Adriana Calcanhoto)

Eu nunca fui um grande fã de animais. Antes de mais nada, deixo claro que nunca odiei nenhum bicho, mas também nunca caí de amores, feito Felícia e sua necessidade de abraçar e apertar e beijar um bichinho. E olha que cresci em uma casa onde sempre tivemos animais por perto, desde cachorros até mesmo alguns mais exóticos (na adolescência tive um coelho chamado Windows, me julguem!)! Entretanto, nunca me preocupei efetivamente com os bichinhos, que sempre foram mais dos meus pais do que meus, e estavam lá ocupando um mesmo espaço onde eu também vivia.

Dessa forma, eu via amores avassaladores por animais (como os expressados em livros como Marley & Eu, por exemplo) e não entendia. Até que Wolfgang e Philip (e Dimitri e Mikail, posteriormente) entraram em minha vida e eu passei a ser uma dessas pessoas que gostam de animais. Mentira. Passei a ser uma pessoa que ama gatos específicos: os meus.

Wolfgang e Philip entraram sorrateiramente na minha vida. Eles estavam lá antes de mim e, pouco a pouco, foram me conquistando. No início, eu era um visitante na casa deles, mas quando passamos a viver juntos, morando no mesmo lugar, eu já estava encantado. Philip nunca foi uma criatura muito sociável, mas Wolfgang, gente, Wolf é só amor.


Foi em 2011 que eles entraram na minha vida e eu não imaginava que seria um amor tão avassalador. Com a convivência, passei a me encantar com o estilo totalmente foda-se dos bichanos para o resto da humanidade. Se eles querem carinho, se aproximam de você, se esfregam, deitam e esperam que você faça o seu papel. Se estão com fome, sede ou simplesmente querem que você troque a areia onde fazem suas necessidades, miam e você sabe que tem de parar o que está fazendo e serví-los. E isso é tão mágico! Nenhuma obrigação de passeios, ou barulho irritante em sua cabeça ou necessidades muito especiais. Para os gatos, eu sou um servo que eles permitem que viva sob o mesmo teto que eles e lhes preste serviços. De boa, posso conviver muito bem com isso.

Por um tempo foi tudo lindo. Mas com tanta autossuficiência, me esqueci que eles são seres vivos e, como tais, também tem prazo de validade (como nós, por mais que me negue a pensar muito sobre o assunto). E foi com surpresa que me dei conta da doença de Philip que, com uma insuficiência renal, acabou nos deixando. Confesso, foi uma dor absurda ter de me despedir dele, mesmo sabendo que era melhor que ele parasse de sofrer. As lágrimas rolaram, a saudade apertou e eu só conseguia pensar em como um serzinho tão low-profile podia fazer tanta falta.

Preocupados com Wolfgang, acabamos tomando uma decisão: adotar um novo filhote para fazer companhia. Queríamos um branco (para contrastar com toda a negritude de Wolf) e acabamos recebendo Dimitri. Que, vejam só, não veio sozinho. Vocês devem entender: ele tinha um irmãozinho e adotar somente um e deixar o outro seria muito ruim. Veterinários amigos tem esse tipo de papo e, claro, acabamos convencidos e foi dessa forma que Wolfgang ganhou dois novos companheirinhos, Dimitri e Mikhail.

E ter filhotes de gatos em casa é uma coisa MUITO divertida. Os bichinhos são encantadoramente atentados e nos arrancavam muitas gargalhadas. Sua curiosidade em descobrir o mundo era terapêutico para os "donos"; a cada dia ficávamos mais encantados pelos filhotes.


Foi tudo muito lindo até que Mikhail sumiu. Sim, sumiu. Ele estava lá um dia e no outro, puft, sumiu! Apesar de ter um apartamento totalmente telado para evitar acidentes dos bichanos, estávamos com obra no prédio e os pedreiros usavam nossa varanda. E tenho certeza que numa dessas, Mikhail, que tinha comportamento de cachorro (leia-se: era fácil e se esfregava em qualquer um) foi levado. Fiquei puto, mas, o que fazer? Minha síndica tem uma teoria da conspiração e diz ter certeza de que ele está no nosso prédio e sendo bem tratado, mas que não pode acusar ninguém. É a vida, mesmo que com ladrões malditos de gatos alheios vivendo à minha volta.

Por esse motivo, hoje residem em minha casa apenas duas criaturas adoráveis: Wolfgang e Dimitri, meus yin e yang, preto no branco. São gatos fofos, queridos, safados toda vida e que me fazem muito feliz. Eu, que nunca fui lá muito fã de animais, tem dias que me sinto a própria crazy cat lady

Mas, querem saber? Amo absurdamente Wolfgang e Dimitri, fico preocupado com eles e sou uma pessoa melhor e mais feliz devido a existência deles em minha vida. E agradeço a eles por isso.
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
FacebookTwitter


2 comentários:

Francine Tribes disse...

Sabe, Leco... eu tinha dessas de gostar só do meu bicho (o Shadow, no caso), mas depois que ele se foi e que me vi sem poder adotar outro bichinho, estou me esbaldando com os bichos dos outros... rs...

Giselle disse...

Ownnnnnnnn
Lembro da época em que vc não gostava de gatos. Lembro da época de vc fazendo cara feia pelo Guto.
Gatos são só amor <3