terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Namore Um Cara Que Lê





Eu sempre gostei de ler, gente. Desde pequetucho minha mãe, essa linda, me incentivou a ler. Quadrinhos, tirinhas de jornal, os livros da escola, coisas na TV, tudo. Nossa, como era legal. Ela sempre dizia 
"Meu filho, para ler, você tem que saber interpretar o que está escrito. Tem que ler de acordo com o que está escrito no papel, saber entender o que está acontecendo."
Com isso as leituras se tornaram ainda mais prazerosas e meu gosto por leitura só aumentou. Gibis, livros de bolso, jornais e afins.

O gosto pela leitura me fez procurar por pessoas que tivessem essa mesma característica. E, por leitura, eu não digo apenas livros e ficção, mas todo o tipo de leitura útil (e um pouco de leitura inútil também, afinal, ninguém é de ferro). O problema é que muita gente não tem esse hábito. Pior, algumas pessoas sentem orgulho disso. É SÉRIO, gente!

Estava eu na fila da Loteria, lendo, porque a fila estava enorme, quando passa um colega meu e diz:
"Nossa, que garoto culto, hein! (detalhe, eu estava lendo A Batalha do Apocalipse, mas tem muita coisa histórica no livro, realmente bem interessante. Mas voltemos). Eu só lia no Ensino Médio, hoje em dia só leio o Meia Hora!"
E riu alegre, feliz... Já eu, fiquei pensando... Que coisa triste, né?

Gente, não dá, sério mesmo. Você está de rolo com um cara, vamos supor, e comenta sobre... Ah, comenta sobre os reféns no Lindit Cafe e, Sydney, aí ele vira e "Hein? Tô sabendo, não...", sendo que saiu em tudo que é canto. Aconteceu comigo, quando eu comentei com um garoto que eu estava ficando, sobre o incêndio da Boate Kiss. Ele virou pra mim, na maior naturalidade e: "Que isso... Sério? Quando foi? Não assisto jornal..."

Mas como assim, meu povo? Não dá, sério. Quem gosta de ler, de se manter informado, sempre vai procurar alguém que goste do mesmo. Não vem com esse papo de que o amor supera tudo, porque não dá, tudo tem limite. Eu sei que estou repetindo muito que não dá, mas é a verdade

Por isso eu digo: namore um cara que lê. Afinal de contas, namoro também é uma troca de experiências, certo? Vai por mim, esse lance de beleza, de "Ai, você é lindo, te amo" e viver constantemente apenas pela aparência não dá futuro. 
Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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Um comentário:

Alexandre Melo disse...

Fato inegável! Muito relacionado a outra postagem recente aqui, creio que do Silvestre sobre sua paixão/mania por livros.

Comungo da mesma fé e jamais me relacionaria com uma pessoa que não lesse. Meu marido ama a leitura tanto quanto eu e não há prazer maior que trocarmos impressões e experiências sobre o que lemos, não consigo conceber uma relação onde isso não existe ou melhor, consigo sim, basta olhar para alguns casais que vivem a pasmaceira de uma relação falida e onde os sonhos morreram ou agonizam, não sei qual o pior.

Fecho contigo: namore uma pessoa que lê e não apenas isso, que goste também de colocar na vida um pouco mais de graça e ar seja pela leitura, música, cinema ou afins, sem isso é apenas uma imitação barata da vida...