segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Não Mude Para o Natal, Mude na Vida





"Só vou te contar porque você já é de casa
Eu tenho um lado doce que quase ninguém vê
Se dou festa trato bem até quem chega de penetra
E quem me beija não consegue me esquecer..."
Stereo (Preta Gil)

Vinte e dois de dezembro de dois mil e quatorze. O clima de Natal, recheado de hohohos e boas vibrações, toma conta das pessoas nos Amigos Ocultos da empresa, nas confraternizações de final de ano e, claro, na iminência dos jantares familiares marcados para a noite do próximo dia 25. Está todo mundo mais leve, feliz e (imagino eu) tentando ser mais solícito ao próximo. Mas, pergunto, não deveríamos exercitar essas características o ano todo?

Antes de mais nada, devo confessar que não sou lá um fã ardoroso do Natal. Na minha família, que pertence a uma denominação que não comemora a maioria das datas religiosas comumente abraçadas por todos, o Natal sempre foi mais um dia como o outro, apenas um feriado qualquer. Assim, cresci sem esperar pelo dia e, no calor dos trópicos, achando estranho que uma data que deveria ser comemorada com neve e roupas de frio caísse por aqui exatamente no início do verão.  Natal, para mim, nunca teve essa conotação de perdão de velhas rusgas (mesmo que esse perdão durasse apenas por uma única noite). 

Mais velho, pensando por mim mesmo e consciente do mundo à minha volta, ampliei meu conceito da data. E se hoje sei perfeitamente que o Natal nada mais é que mais uma data comercial, não julgo quem entra no clima e fica feliz com as luzes e os festejos da época do ano. Eu mesmo não sou nenhum tipo de Grinch, e me divirto com as festas, a comida e com a possibilidade de feriados tão próximos uns dos outros.

O que me irrita é a hipocrisia. Não apenas no Natal, deixo claro, mas especialmente nele, já que a data parece maximizar isso em algumas pessoas. Afinal, você pode ser um tremendo de um filho da puta o ano inteiro, que chega o Natal e você é exonerado de ser quem efetivamente é? Comigo não, colega, porque você pode ser hipócrita, mas eu não.

Depois dos 30 (e como eu tenho dito isso, gente!), tenho me tornado ainda mais impaciente com gente escrota. Nunca fui lá um grande fã da raça (apesar de eu ter um jeitinho escroto-adorável, mas isso é outra história), mas com o passar dos anos, minha tolerância foi pro brejo. Você pode ser escroto? Claro que pode. Mas se for comigo (ou na minha frente), certamente vou mostrar pra todo mundo a sua escrotice. Beijos!

Por isso, se você é um tipo de pessoa durante um ano inteiro, não venha me abraçar nas comemorações de fim de ano, como se sua escrotidão tivesse sido esquecida. Não, não foi. E sim, eu vou te ignorar e causar climão e te deixar com cara de tacho onde quer que você esteja.

Quer ser uma pessoa legal, mostrar que está arrependido de antigos comportamentos e se reaproximar das pessoas? Que bonito, de verdade! Acho válido e, normalmente, costumo acreditar em mudanças. Mas faça isso diariamente e não em um dia específico para pagar de bonzinho para o resto do mundo. Se o "espírito do Natal" te tocou, que ótimo. Mas espero, sinceramente, que você continue sendo a mesma pessoa depois da data, porque senão, meu caro, vai se fuder, né? E comigo, venha ser legal a partir de janeiro, porque nesse dezembro (e em todos os outros), já ultrapassei minha cota de novas chances.

E pode levar para o lado pessoal sim, porque a minha forma de te tratar é inversamente proporcional ao seu comportamento padrão. Logo, você recebe de mim exatamente o que merece. No Natal, no Ano Novo, no Carnaval ou no dia de Finados. 

Afinal, existem duas coisas (na verdade três, mas não vem ao caso) que eu tenho certeza que não sou nessa vida: paciente e obrigado!
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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