sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Sobre a Difícil Vida Fácil





Mateus, 33 anos, sempre teve dificuldade com encontros amorosos. Tímido, não se acha bonito e segundo ele, sempre sofreu nos relacionamentos. Um dia, descobriu que para aplacar sua carência afetiva, estava disposto a pagar por sexo. Tem agido desta forma durante um bom tempo, mesmo se sentindo vazio após as relações. 

Lucas, 22 anos, é o rei das festas. Dono de um lindo sorriso, é eloquente e vivaz. Se considera bonito, vai à academia todos os dias, conforme ele diz, para manter o corpo sarado e desejado por todos. Possui um bom emprego e está sempre namorando alguém. Porém, mesmo estando numa relação estável, nunca foi fiel e costuma sair com garotos de programa, às vezes. 

João, 46 anos, não se considera nem bonito nem feio; segundo ele, é simpático. Não gosta de academias, mas corre de vez em quando no parque da cidade, onde aproveita para paquerar quando tem oportunidade. Acabou de sair de uma relação longa e costumava sair com garotos de programa junto com o namorado. 

Estes três relatos são baseados em histórias reais. Obviamente, suprimi os nomes verdadeiros. O que leva alguém a se prostituir é um assunto delicado e não serei eu que vou fazer juízo de valor. Cada um sabe de si e eu, sinceramente, não tenho nada contra quem ganhe a vida sem precisar matar ou roubar. Meu intuito com este post, entretanto, não é promover o tal sexo pago. Mas compadeço de quem use de tal solução para sobreviver. Imagine ir para cama com alguém que acabou de conhecer e que talvez te machuque não apenas fisicamente, mas moralmente? Como o título deste texto diz, é uma difícil vida fácil que, de fácil mesmo, não tem nada. 

Mas o que leva alguém a sair com um garoto de programa? Mateus, Lucas e João são três rapazes de idades distintas que saem ou já saíram com garotos de programa. Busca por afeto, se sentir desejado ou dono de uma situação, necessidade de manter uma relação ainda acesa depois de muitos anos; são todas as razões mais óbvias e mais aparentes, também no caso destes três. Eles poderiam buscar sexo de outra forma, afinal, com a quantidade de pessoas disponíveis que existe na internet hoje em dia e como a capacidade que as tantos tem de se mostrarem mais abertos, pagar por sexo poderia até soar como algo fora de moda. Mas não é. 

Desde que o mundo existe, as pessoas usam deste artifício. Sexo é bom e todo mundo gosta; e se tem alguém que não gosta do ato, uma dica: por favor, vá fazer! Entretanto, sexo é algo que requer intimidade e intimidade leva tempo. Tempo até para sair de casa, por exemplo. 

Hoje vivemos numa sociedade mais caverna do que nunca. Está tudo a nossa mão. A internet nos deu, por exemplo, a capacidade de conversar com nossos amigos e marcar encontros em nossas casas para ver um filme. Ou até mesmo de conhecer alguém e fazer sexo sem culpa nenhuma. Mas, mesmo com tantas facilidades, por que pagar por algo que se pode ter de graça? 

Talvez porque nem tudo que é de graça pode ser feito como a pessoa gostaria. Mateus tem dificuldade em falar o que gosta por causa de sua timidez. Ao acertar o encontro por telefone deixa claro o que faz, o que não faz, o que quer façam e não façam. Lucas não gosta de perguntas. João acredita que uma relação longa pode cair no comum e um garoto de programa é como um brinquedo de sex shop. Todos eles possuem seus argumentos que, talvez, muitos de vocês pensem que são frágeis demais para buscar o consolo de uma relação paga. 

Porém, quem somos nós para atirar a primeira pedra e dizer que jamais faremos uso de tal serviço?
Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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3 comentários:

Breno Silvestre disse...

Muito bom o post. Parabéns.

Edmárcio Alcântara disse...

Muito bom o texto Serginho!!!!! Mas confesso quando "as aranhas fazem sua casa em mim" Sei bem onde resolver esse problema kkkk

Alexandre Melo disse...

Não vejo o problema, é apenas mais um serviço como outro qualquer outra, a questão reside em como fazer uso dele.

Se você busca afeto e afeição sinto mas está buscando no lugar errado e usando o dinheiro como desculpa para isso comprando doses homeopáticas de uma pessoa que está efetivamente vendendo isso e não disposta a trocar ambos consigo.

Acho que essa romantização do sexo prejudica e neurotiza demais a todos e sexo com amor é bom, sim! A intimidade sexual entre pessoas que se amam ou possuem afinidade é boa? Claro! Mas seria comparar alhos com bugalhos.

Obviamente que o ato de flertar e conquistar são prazerosos e fazem bem ao ego mas muitas vezes, melhor e manter a coisa simples afinal qual o problema em apenas querer fuder?

Contratar um GP mantem as coisas simples e fáceis se o objetivo é o gozo o problema, como disse, reside em como você faz isso e qual seu real desejo, se usa isso como escapada para um relacionamento ou vício.