sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Sobre Pessoas Que Gostam (e Muito) de Sexo!





Sexo é bom e todo mundo gosta. Será? Acredito que talvez uns gostem mais do que outros, vide o texto sobre assexualidade publicado aqui mesmo no Barba Feita. Mas, e quando as pessoas colocam o sexo como centro de tudo que fazem, será que isso é sadio?

Revendo o filme Shame, vi que o personagem principal, interpretado por Michael Fassbender, é aparentemente um homem como qualquer outro. Trabalha, é bem relacionado, tem problemas como qualquer pessoa. E ele gosta bastante de sexo, nunca está satisfeito, se masturba em casa e no trabalho, sempre está paquerando uma mulher aqui e ali, até apanhou por isso, mas não desiste. Num determinado momento do filme, ele se joga pra cima de um homem. A cena é fantástica, porque não há diálogos, apenas olhares denunciando o tesão que sentem um pelo outro.

Eu costumo sempre achar que os filmes retratam sempre o que vemos em nossa sociedade; muitas vezes, as pinceladas são mais fortes, mas está tudo ali. Não vejo o personagem de Fassbender impossível; ele existe, pode estar dentro de sua própria casa e você não notou, pode até ser você.

O sexo, como algo imprescindível na vida do ser humano, pode (e deve) ser encarado naturalmente. Sim, sexo não deve ser visto como algo sujo. Sexo deve proporcionar prazer para as pessoas envolvidas. Infelizmente, em determinado momento da história da humanidade, acharam que deviam desassociar sexo de prazer. Castraram-no, transformando as relações sexuais apenas como algo procriativo. A mulher não podia sentir prazer, gays não deveriam existir e cabia ao homem a função de varão. A ele cabia todo o bônus. E ônus. Porque não é fácil ter que carregar toda a responsabilidade duma relação. Então, lá ia o homem procurar prazer em outras camas. Muitas das vezes, isso acaba levando ao vício, mas não vamos generalizar. Essa coisa de que apenas o homem é viciado em sexo é estupidez, muitas mulheres também gostam. E muito.

Quantas vezes já li caso de celebridades indo pra reabilitação por serem viciadas em sexo? Mas, e se a pessoa não é viciada em sexo e apenas gosta muito de fazer? A linha então deve ser bem tênue. E como saber? Eu tenho pra mim que qualquer vício é ruim quando desvia a atenção da pessoa. Ela deixa de trabalhar, estudar ou até de se relacionar com os amigos por causa do tal vício.

E é aí que mora o perigo. Sexo tem que vir repleto de prazer, um prazer que proporcione a pessoa a vontade de fazê-lo e a vontade de não fazê-lo. Nós é que devemos ditar quando queremos; quando algo se torna maior que isso, então pode ter se transformado em vício: quando não conseguimos controlar a vontade, quando é maior do que nós mesmos.

É claro que existe também a tal carência. Pessoas assim estão mais fadadas a se relacionarem com qualquer pessoa que aparecer em sua frente. Carência é algo deveras ruim, é danoso. Mas carência não quer dizer que a pessoa está viciada em sexo; ela está carente, precisando de amor, carinho, atenção. E sexo, também, claro. O problema é ela estando carente e começando a procurar o sexo como válvula de escape.

Mas, como eu disse antes, a linha é muito tênue. Cabe a pessoa perceber o quanto o sexo está a lhe fazer bem ou não. Se depois de tudo isso sempre vem a maldita culpa, é hora de repensar se o seu prazer pelo sexo está seguindo o caminho do vício. E vícios nunca são benéficos.

Escolhi esse tema para meu último texto do ano, porque aqui no Barba Feita sempre discutimos o assunto com total liberdade e, acredito, ajudamos muitas pessoas (e a nós mesmos) a encarar sua sexualidade sem preocupações. Ela deve ser livre de qualquer preconceito. E, como eu disse no começo do texto, sexo é bom e todo mundo gosta. E falar a respeito idem. 

Para o Leco que me deu a oportunidade de fazer parte deste grupo tão bacana; Sil e Esdras, que sempre tentaram entender minhas tempestades emotivas; PH, por tanta beleza; Glauco pelas pinceladas dramatúrgicas; Fred e Margot, por sempre serem tão gentis comigo; Marcos, Alan, Renato e Alexandre, meus afáveis leitores fiéis; Wans pelos melhores conselhos; Breno, Bruno e Edmárcio, pelos estupendos comentários; Tiago, pelo olhar singelo e carinhoso; Manuel, Diego, Kids e Vini, por entrarem em minha vida e deixar que eu entrasse na de vocês; Zo, Thiago, Erik e Mauj, por terem me me feito acreditar que não existe distância quando a amizade é verdadeira; minha gangue (Lu, Jhoe, Ed, Well e Raíssa); minha mãe, meus professores e meus amigos da Faculdade; para todos que durante esse tempo me leram, curtiram, me apoiaram e apoiam; para todos vocês, um Feliz Ano Novo. E nunca esqueçam: usem camisinha sempre! 

Semana que vem, ano que vem, tem mais! Beijos!
Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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2 comentários:

Marcos Eduardo Nascimento disse...

Irmão, boa tarde. Adorei o texto e os questionamentos. O que tenho a dizer: sexo só é sujo, quando não se toma banho depois! Beijo. Fui.

Margot disse...

Ser gentil com você é fácil querido, afinal, gosto de retribuir aquilo que ganho.....
Quanto ao sexo...é muito gostoso, mas como tudo o que é assim, também vicia! Todo cuidado é pouco...é não falo só de preservativo, sei que me entende!!
Beijos Serginho.