quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Valew, 2015!




Então, não vai rolar textão. O que vai rolar aqui, nesse último relato do ano, é agradecimento. 2015 não foi um ano fantástico, mas, particularmente, foi tranquilo. Não tive muitas emoções, mas aconteceu coisa pra caramba! Viajei e pude ter os melhores momentos desse ano em São Paulo – já aviso que quero mais em 2016, sua cidade linda! Assim como trabalhei no Festival do Rio e conheci pessoas que quero levar pra minha vida. Um bando de lindos e lindas que sinto orgulho de poder chamar de amigos.

Em 2015 eu cresci em termos de relacionamento. Decidi deixar rolar e ter um, mesmo com uma distância considerável. Foi bom? Não, foi ótimo! O Silvestre aprendeu a dizer quando algo não parecia certo, quando estava com saudades e, acima de tudo, não ter vergonha de sentir nenhuma dessas coisas. Amadureci tudo aquilo que gostaria de ter amadurecido antes em outros relacionamentos ou tentativas de me relacionar. Mas, como chorar pelo leite derramado não vai adiantar de nada, vida que segue! Até porque quando você decide se relacionar, no fundo corre um risco danado. Pode ser que dê certo, pode ser que não.  Eu, por exemplo, levei meu pé na bunda. Mas isso também faz parte e vamos aprendendo e vamos vivendo! Afinal, 2015 veio pra ensinar, pra durar muito tempo e mostrar que toda história pode ter mil “plot twists” e seguir em frente. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

2015, Esse Incompreendido




2015 está chegando ao fim e me lembro que, exatamente um ano atrás, escrevia o quanto 2014 havia sido um ano especialíssimo para mim. E que o novo ano (agora, já velho) teria a árdua missão de substituir o anterior, cheio de coisas boas, para guardar na memória. Curioso que parece um consenso geral de que 2015 foi um ano ruim. Vemos memes e gifs de piadas sobre o quão difícil foi o período. Ainda assim, se você perguntar para alguém o que de tão ruim aconteceu, muitos falarão de crise, dinheiro e afins. Além das pequenas tragédias pessoais que um ou outro viveu, o que é natural em qualquer ano. Mas o que tornou 2015, então, esse incompreendido?

O Google faz a sua tradicional retrospectiva de todos os anos, com os assuntos mais procurados pela população mundial. Como costuma dizer uma colega de trabalho, especialista no meio digital, o Google hoje em dia é o vice de Deus. Costumamos perguntar mais coisas para ele do que os religiosos em suas preces. E o tema mais buscado em 2015 foram os atentados em Paris, somando os contra o Charlie Hebdo e os mais recentes, que envolveram diversos pontos na capital francesa e redondezas. Ok, esperada tamanha repercussão, ainda mais tendo em vista a influência que Paris tem para o mundo inteiro. Mas o segundo tema mais procurado foi... o Oscar.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Aquele Último Texto do Ano





Chegou a hora, minha gente! A hora de postar aquele último texto do ano, né? Aquele em que a gente para pra fazer um balanço do que passou, e encher de palavras bonitas e tal, mas... que ano mais encasquetado de ruim, puta que pariu! Pelo menos dá pra comemorar o fato de eu AINDA estar empregado. Então, Dilma, segura a marimba aí, meu bem, porque eu quero continuar assim, tá? Beijão!

Sério, 2015 até que começou bacana, mas depois que desandou... não parou mais! Foi em 2015 que eu descobri que sou um perigo pra mim mesmo e, consequentemente, para os outros, tudo por eu ser romântico demais (ai de mim que sou romântica ♪), me joguei na fossa, me ferrei todo, fiquei chato, paranoico, esquisito... Bem, vocês perceberam por conta dos meus textos, né? Então, foi bem assim. 2015 também ficou conhecido como o ano em que minha mãe iniciou sua batalha contra o câncer (é, eu sei, a vida acontece), e agora todos nós estamos unidos pra matar essa coisa!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Lembranças de Reveillons Passados





"(...) Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo.
Eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."
Receita de Ano Novo 
(Carlos Drummond de Andrade)

Já falei por aqui sobre como cresci desapegado à comemorações de datas quaisquer. Afinal, se sua família te ensina desde pequeno que comemorar o Natal é errado, ok, você acredita e não comemora o Natal. Que o Ano Novo é apenas mais um dia do ano, você assimila aquilo. Que pular o carnaval é pecado mortal, deus-me-livre de carimbar imediatamente minha passagem para a pilha de mortos do Armagedom. Mas o que aconteceu comigo e, tenho certeza, frustrou demais meus pais, é que eu cresci e, vejam só, passei a procurar pelos meus próprios valores e a pensar por mim mesmo. Pode até ser chato pra eles, mas pra mim, nossa, eu descobri o verdadeiro conceito de liberdade.

E, entre tantas datas comemorativas que eu finalmente pude experimentar depois que me libertei da amarra religiosa, o carnaval e o Ano Novo são meus feriados preferidos. Porque sim, eu gosto é de festa, farra e cerveja, então, nada mais natural que amar essa possibilidade de se jogar sem receio em comemorações que celebram a vida sem prisões de qualquer forma e os recomeços.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Se Organizar Direitinho, Todo Mundo Transa





Fosse eu uma pessoa mais desonesta, atrairia os cliques de vocês dizendo que esse é um texto sobre sexo. Bem... É, mas não é. É mais sobre a corrida de obstáculos na lama que parece ter se tornado obtê-lo depois que decidi desenvolver um senso mínimo de auto-respeito. No meu último texto, toquei brevemente no assunto ao comentar que o fim do meu 2015 foi de atípica LISURA. Sabem… Eu sou bem aberta acerca da minha vida amorosa - sendo “amorosa” uma palavra muito forte para descrever esse aspecto particular da minha existência. Não faço rodeios para pegar gente que me interessa. Isso enquanto pessoa sóbria. Quando estou bêbada, então... Nem precisa me interessar muito. Não tenho grandes exigências físicas (evitar regatas ajuda, mas até isso se mostrou negociável após descobertas recentes), não busco grande conexão intelectual em parceiros sexuais e compromisso, já aceitei, não chega a ser meu forte. Não marco em cima, faço questão de rachar todas as contas - inclusive a do motel - e não forço conexões emocionais. Não as descarto, também, mas a verdade é que faz tanto tempo que não vivo uma, que começo a me questionar se são apenas produtos da minha imaginação. Meus padrões são, para todos os efeitos, de médios para baixos - afirmação facilmente verificável com as amigas que vez ou outra têm que exercer o poder do veto ou fisicamente me remover de situações de perigo. Mas, de alguma forma, mesmo com toda a minha absoluta facilidade, as pessoas ainda conseguem, milagrosamente, me dar preguiça. Isso mesmo que vocês ouviram. Preguiça de transar. A que ponto chegamos.

Recentemente, tive uma conversa com amigos gays maravilhosos que estavam me contando sobre suas aventuras sexuais. Comentei com eles que estava com certa invejinha, considerando o estado de aridez de minhas partes íntimas. Eles perguntaram os motivos, dado que eu claramente não colocava muitos obstáculos para a prática sexual (tentei aceitar como elogio?) e, embora não seja nenhuma Adriana Lima, não chegue a ser muito repugnante (outro elogio, talvez?). Pra eles, homens heteros, em tese, deveriam achar isso legal. Bem, estereótipos de orientação sexual à parte - eles existem dos dois lados, mas nessa conversa havia apenas uma curiosidade natural e gentil para entender as dinâmicas específicas de relacionamento entre o mesmo sexo e os opostos -, comecei a pensar.  Por conta de pressões e expectativas sociais muito específicas, a relação homem + mulher tende a cair em armadilhas próprias. E, como parto da minha própria experiência para escrever este texto, é delas que irei falar. Se tem tanta garota que, como eu, só quer transar, e tanto homem que, como a gente, também só quer transar... Cadê a dificuldade, Brasil? Por que essa galera não se encontra e resolve essa parada? Essas questões de relacionamento são obviamente muito profundas e, depois de tantos estudos buscando decifrar os mistérios das interações amorosas, não sou eu que vou surgir com um plano de ação eficiente em 10 minutos. Mas, baseando-me no meu círculo de convivência, compartilho com vocês alguns dos problemas que encontro ao sair do conforto das minhas maratonas de documentários tristes para aventurar a selva da vida solteira. E disserto um pouco sobre como a consciência que adquiri em relação a pensamentos problemáticos sobre a mulher diminuiu amplamente minha disposição para superar disparidades intelectuais em prol de noites de sexo marginalmente satisfatório com semi-conhecidos.

sábado, 26 de dezembro de 2015

O Casamento, a Agressão e o Constrangimento





Sendo este meu último texto de 2015 para o Barba Feita, achei mais interessante fugir do clichê "retrospectiva do ano" (embora ela virá, provavelmente em minha primeira coluna para 2016, pois não resisto) e comentar sobre alguns assuntos que chamaram a atenção (minha e da mídia) nestas últimas semanas.

Começando por um assunto do qual entendo pouco, muito pouco mesmo, quase nada. Porém, vivo cercado por amigos que entendem bem do assunto: política. E, apesar de achar o tema chatíssimo, sendo absolutamente neutro nessa pauta, é impossível passar incólume por ele, pois os amigos que curtem o tema sempre se envolvem em debates e posições passionais e inflamadas. Quando estou entre eles nesses momentos, procuro ouvir com atenção o que falam e absorver a essência de tudo para diminuir um pouco minha alienação no assunto, até porque política é história, faz parte de tudo o tempo todo nas nossas vidas e, para quem se pretende um contador de histórias que um dia serão lidas e vistas pelo mundo, preciso entender minimamente do assunto.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Sobre Confissões, Promessas, Desabafos e Clichês (ou Vá Embora 2015 e Não Volte Jamais)





Sim, eu tenho algumas confissões a fazer. Mas esse texto não será longo, prometo. 

Eu não gosto de Natais, mas estou sempre cercado de pessoas que adoram. A minha madrinha, que além de gostar tinha uma família inteira que amava dar grandes festas, fazia aniversário em pleno Natal. E minha mãe nem se fala, que se delicia em decorar a casa até passar o dia inteiro preparando a ceia. E meu marido, como bom de garfo que é, aproveita para se fartar nesta época. Quanto a mim, me resta entrar no clima por obrigação. E, confesso, também gosto de estar com as pessoas que amo, mesmo não gostando da data. E a comida é sempre boa, claro. 

Confesso que não tem como no meu último texto do ano (que ainda por cima cai em pleno Natal) não fugir dos famigerados clichês. 2015 foi bem barra pesada e quem esteve comigo esse tempo sabe. Foram tantas coisas pantanosas que aconteceram e as boas que deixaram de acontecer, que me fez pensar que Deus deve estar preparando algo, tipo assim, GRANDIOSO, porque na boa, eita ziquizira, hein, fio?

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Dicas do Sil: Filmes Para Assistir na Noite de Natal





Hoje é quinta-feira e a penúltima do ano \o/. Eu sei, todos comemoram! Não sei se a maior comemoração é pela data (Natal) ou pelo ano estar no fim (finalmente). Mas vamos falar de coisa boa, vamos falar do dia de hoje. Afinal, é véspera de Natal. Eu, por exemplo, já tenho meus planos traçados. Estarei em casa, terei minha ceia e farei minha maratona de séries. Mas, uma tradição de Natal, que até já comentei algumas vezes por aqui, é assistir filmes. Existem alguns que sempre vi nessa época e que são a cara do Natal. Ou, ao menos, que eu acho a cara do Natal.

Pensando nisso, decidi fazer uma lista com cinco filmes que você pode assistir nesse dia especial e se emocionar, rir, sofrer ou ao menos passar o seu tempo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O Ar Nosso de Cada Dia





Respirar. Algo tão essencial à vida que fazemos involuntariamente, mesmo dormindo, mesmo desmaiados. Quando pequeno, achava graça em prestar atenção na própria respiração, pra saber se em algum momento, por um lapso, meu corpo me trairia e pularia a hora de inspirar. E achava mais graça ao ver que isso nunca acontecia e que, mesmo se eu “me esquecesse”, iria continuar respirando.

Era tão automático respirar que eu sequer imaginava que fazia isso mal. A grande mudança veio no último dia 30 de outubro, quando realizei a primeira cirurgia da minha vida: correção do desvio de septo. Procedimento simples, mas com pós-operatório chato, que desde a adolescência eu sabia que precisava fazer, porém, empurrava com a barriga por não se tratar de uma emergência. Em 2015, após três sinusites seguidas e depois de começar a estacionar nos exercícios físicos (em especial na corrida, que era meu esporte favorito, e na qual já sobrecarregava o meu coração), resolvi que era chegada a hora.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Éramos Jovens





Recentemente eu comecei a estudar. Gestão de Marketing, à distância. Ao mesmo tempo que eu gosto, eu odeio, porque eu sinto falta da sala de aula. Me chamem do que quiserem, mas é verdade. Sinto falta de conhecer pessoas novas, trocar experiências, a cumplicidade, convivência... O que me fez pensar bastante na época de colégio. Tantas lembranças... A maioria envolve um professor de Matemática da oitava série um tanto quanto incomum; um plano de suicídio que eu mais minha amiga Jessica bolamos, que consistia em pular da cobertura do "Shopping" de Barra Mansa depois de pegarmos o resultado de Matemática (é, era nesse nível). Uns nas casas dos outros, batendo perna na rua, sempre juntos. O Mal Caminho, ah, o Mal Caminho; a camisa azul-bebê com o Pink e o Cérebro na estampa (eu sei, não precisam comentar). Éramos jovens, era tudo tão divertido. 

Grande parte da turma foi pro mesmo colégio no Ensino Médio, o que foi uma pena, porque eu imagino o sucesso que seria aquela turma inteira dentro daquele colégio por três anos. Novos amigos surgiram, e junto com eles, novos inimigos. Eu gelei quando ouvi meu nome ser encaminhado pra turma que tinha, em sua maioria, todos os meus antigos Nêmesis, meus algozes. Entrei, sentei no fundo e pensei: "É, fudeu.", porque eu estava totalmente sozinho ali, enquanto meus amigos estavam na outra turma. Felizmente, eles conseguiram me salvar, o que eu nunca esqueci. Se uniram e me levaram pra perto deles. Lá eu podia respirar, ainda que houvesse um ou dois ali, mas não seriam problema. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Natal, Simbologia e Memórias





Eu não sou uma pessoa muito natalina. Sendo bem sincero, ainda hoje não consigo entender direito esse clima de hohoho e de paz na Terra aos homens de boa vontade que duram uma única noite. Culpa da minha criação, onde nenhum feriado religioso era comemorado, assim como aniversário e outras datas especiais. Sim, eu cresci sem saber o que era isso e vendo todo mundo à minha volta comemorando e eu apenas com aquela vontade de poder participar de tudo. Family issues, quem não os tem?

Sendo bem sincero, eu acho mesmo que o Natal seja apenas mais uma data, um dia como outro qualquer. Mas, agora que eu posso escolher por mim mesmo, vejo que a data é também um dia em que eu posso comer pra caralho e beber sem culpa. E, convenhamos, é bonitinho ver todo mundo se esforçando pra ser melhor que no resto do ano, né? 

domingo, 20 de dezembro de 2015

Uma Brasileira na Irlanda: Oito Meses... Aqui, Ali e Acolá!





No dia em que completo oito meses longe de casa e da minha tal “vida real”, senti a necessidade de transcrever meus sentimentos, pela primeira vez, em forma de linhas. Talvez isso seja saudade. Talvez seja a vontade de fazer a mesma coisa que os amigos: pegar um avião e passar o final de ano perto do sol e da minha família. Talvez seja apenas ociosidade e frio (nesse momento, o termômetro marca -4 graus). Seja qual motivo for, o fato é que tudo mudou nesse “curto” tempo, principalmente eu, e por conta disso preciso escrever. 

Para ninguém ficar perdido nessa crazy story, começarei do óbvio: do dia em que euzinha desembarcava na desconhecida Irlanda (Dublin) com uma mala na mão, uma mochila nas costas, sem inglês e um carrilhão de dúvidas e medos. Os primeiros dias, lógico, foram dramáticos, como tudo na minha vida. Cai literalmente de paraquedas num hostel lotado e com a única informação que, durante duas lindas semanas, dividiria o meu espaço/quarto com mais 32 pessoas. Era como um campo de concentração moderno, com camas, roupas e malas para todos os lados, wifi e TV. Sem expertise no ramo do intercâmbio, me desesperei e chorei litros por dias. Xinguei o universo e me culpei por ter a sábia ideia de largar tudo e apenas partir, porque estava cansada da minha vidinha repetida no Brasil. 

sábado, 19 de dezembro de 2015

Homens





Eles estão por toda a parte, invadindo minhas retinas e minhas fantasias. Eles quase nunca foram legais comigo. Me perseguiram, me humilharam, me rejeitaram. Mas sempre mexeram comigo. Com minha libido, minhas emoções, minha curiosidade, meus sentimentos e desejos mais íntimos. Eles, os homens (meu objeto de atração e desejo), foram o céu e o inferno, a melhor e a pior coisa que já aconteceu na minha vida.

Eles são muitos, dos mais variados tipos e tamanhos, e em determinados dias me deixam fora de mim. Na rua, no metrô, no trabalho, nos mais prosaicos momentos eles se proliferam, lindos, monumentais e inevitavelmente atraentes. Gordinhos peludos, magrelos tatuados, garotões musculosos, mauricinhos com cabelos milimetricamente penteados, coroas engravatados. Todos mexem comigo em algum grau. E quando se encontram no mesmo ambiente, todos juntos ao mesmo tempo, me deixam zureta, sem saber pra onde olhar. Mas quando todos os meus fetiches se unem em um único espécime masculino, aí eu entro em parafuso, piro o cabeção, saio de mim e só consigo pensar em uma coisa que um amigo sempre diz quando vemos um cara muito gato em algum lugar: "Dá vontade de pegar esses "homi" tudo e obrigar eles a estuprar a gente, né bi!" (sem apologia ao estupro, ok). Eu morro de rir, mas quando acontece, como aconteceu esses dias no metrô, de topar com um cara musculoso, tatuado e peludo, inevitavelmente lembro dessas palavras, que me soam sábias.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Sobre Dependências (ou A Subordinação às Máquinas)







E o assunto do momento foi o tal bloqueio do WhatsApp. Se já não bastassem tantas outras efemeridades, temos que lidar com as redes sociais em polvorosa porque seus usuários não podem acessar o bendito aplicativo. Mas espere, é para tanto?

Vivemos num mundo completamente dependente de tecnologia, o futuro imaginado por tantos escritores é bem diferente do real, mas Isaac Asimov acertou quando retratou um mundo dominado por máquinas. Quem já não percebeu que numa simples reunião de amigos as pessoas estão mais presas aos celulares do que às conversas ao redor? Esta é uma constatação, somos dependentes destas máquinas. 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Não Seja Um Babaca!




A ideia parece simples. É simples. Se você não conhece o outro, não sabe sobre a vida dele, não julga. Mas apesar de ser simples e de fácil entendimento, as pessoas continuam caindo over and over again no mesmo erro: Fácil Julgamento. O ato em si, acredito, que seja digno de pena. Afinal, quem somos nós para exercer esse “poder” todo sobre a vida alheia? Não estamos na pele daquela outra pessoa. Não sofremos, não conquistamos, não encaramos os dissabores que é estar ali, ser aquele outro ser.

Mas, em época onde vomitar verdades seja um esporte disputadíssimo em nossa timeline, não me surpreende que um vídeo onde uma mulher é “pega” no flagrante por seu marido, entrando do motel com o melhor amigo dele, tenha se tornado “viral”. Não me choca ler comentários maldosos e machistas. Não me choca ver homens vomitando o poder de sua macheza alfa e outras mulheres berrando castigos eternos para aquela outra mulher. Para aquela outra pessoa.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

The Voice e a Lição de um Campeão




Ontem (hoje, na verdade, porque acabou já às 2h da manhã) foi dia de final do The Voice. Não essa versão brasileira, que me desagrada muito (não farei críticas mais contundentes porque sei que há gente de valor que trabalha no programa), mas da americana. Sou um imenso defensor da cultura do nosso país e creio que não existe comparação entre as nossas canções com as deles. Porém, a execução, o cenário e a grandiosidade da produção tornam a experiência de assisti-la única. Além do nível dos candidatos e, principalmente, dos treinadores. 80% do entretenimento desse programa vêm deles.

Após assistir desde a quinta temporada (estamos na nona, ou seja, a quinta consecutiva), virei um verdadeiro fã. E vi um bocado de tudo. Nunca havia torcido pelo campeão: na quinta temporada, minha favorita era a Jacquie Lee (vice-campeã); na sexta, não tive um preferido; na sétima, de novo gostava do vice, o roqueiro Matt McAndrew. Na oitava edição, a mais dura pra um torcedor como eu, minha favorita de todas as temporadas, Kimberly Nichole, foi eliminada no Top 6. Mas agora, na nona temporada, algo diferente aconteceu. O mundo se deparou, desde as audições às cegas, com um favorito incontestável: Jordan Smith.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

As Músicas do Meu 2015





Espera aí, antes de começar eu preciso dar play na música certa. Pronto!

E aí, como ceis estão? Resolvi fazer algo mais descontraído hoje, tem tanto tempo desde o último texto mais light, né? Então eu vim aqui pra compartilhar com vocês as músicas que marcaram o meu 2015. Por que? Porque é a internet, e a gente tira um tempo pra compartilhar coisas com as outras pessoas (e porque eu tenho um tutorial pra postar, mas tô longe de terminar e não quero fazer de qualquer jeito!!).

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Estar Solteiro: Que Mal Existe em Ficar Sozinho?




Uma coisa que acho muito engraçada (e incompreensível) é o desconforto de tantas pessoas em estar solteiro. Como se estar sozinho fosse um peso enorme e a própria companhia não fosse suficiente para a existência. E, sei lá, acho que exatamente essa necessidade de estar junto é que faz tantos relacionamentos já começarem fracassados, já que o outro, a sua cara metade, ganha logo de início um imenso saco de expectativas (suas) sobre as costas.

Tem bastante tempo que não sei o que é ser solteiro, mas nunca tive grandes problemas com a solteirice quando ela era a minha companheira. E por encarar a solteirice mais como uma amiga do que como uma vilã a ser vencida, tive excelentes experiências que me prepararam para quando meus relacionamentos começaram.

Que fique claro: não estou falando aqui daquela fase da vida, lá pelo fim da adolescência, início da idade adulta (e não, se você tem vinte e poucos anos, você não é mais adolescente, dica!), quando ainda estamos experimentando a vida e nunca tivemos um relacionamento, o que faz com que o nosso desejo por um seja maximizado. É nessa fase que temos as primeiras paixões, os amores eternos de uma semana, as experiências inesquecíveis que serão apagadas poucos anos depois e ficarão lá, como singelas e distorcidas recordações. Falo de gente adulta que sofre por estar sozinho e não consegue fazer nada na vida sem se preocupar com um futuro pretendente em cada esquina.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Cultura do Tabloide





Quando decidi largar a faculdade de Fisioterapia e embarcar pela jornada magnífica ilusória da Comunicação, pensei em cursar Jornalismo. Como o curso de Comunicação Social possui a mesma grade curricular até o quarto período, eu teria dois anos para me certificar dessa decisão ou decidir se mudaria para Publicidade. Lembro de contar para a minha avó e ela me parabenizar, dizendo que eu iria trabalhar no Jornal Nacional. Talvez esse tenha sido o empurrão necessário para, de fato, desistir do Jornalismo. Essa seria uma adorável história se o único contratempo tivesse sido o tortuoso elogio da minha doce avozinha. A verdade é que a Publicidade é um mundo ainda mais ilusório (e talvez mais sujo, apesar de ainda ter minhas dúvidas) que o Jornalismo, que possui boas intenções, mas péssimas execuções. E como diz o ditado: de boas intenções o inferno está cheio. 

Hoje vivemos o que gosto de chamar de “Cultura do Tabloide”. Nunca vi uma geração tão conectada, interessada e opinativa quando se trata de assuntos polêmicos. Ou desastres. Ou futebol (o importante é participar, não é mesmo?). A questão é que o interesse, assim como a vontade, é muito superficial. Vai até onde a manchete te levar. E acreditem, meus caros, esse lugar não é a verdade absoluta. Sequer a meia verdade. Algo que aprendemos durante a graduação em Comunicação Social é que a mídia deve ser obrigatoriamente imparcial. Um comunicólogo em exercício de sua profissão não deve ser partidário de direita, esquerda, Flamengo ou Vasco. Fora do trabalho, podemos nos digladiar à vontade. 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Num Domingo, às Três da Tarde




Num instante de distração entre as viradas das páginas de seu livro, percebeu o olhar malicioso e aquela ajeitada por cima da calça. Um frêmito de excitação percorreu-lhe o corpo todo. Manteve o olhar, antes atento às linhas do romance que lia, em direção ao desconhecido, e duas estações depois, saltaram juntos.

Falaram poucas palavras, os olhares trocados diziam o suficiente. Em minutos estavam num quarto de motel. O cara romântico fez algumas perguntas que o desconhecido mal respondeu, não estava a fim de muito papo, calou-lhe a boca com beijos afogueados e famintos. O cara romântico deixou de lado seus romantismos e entregou-se ao puro desejo carnal, a libido que o desviou de seu caminho e o fez chegar até aquele luxurioso momento.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Sobre Trabalhos, Conclusões e Cursos (ou Apenas Inquietações)




Há quase um ano venho preparando meu trabalho de conclusão de curso, algo que, pelo menos para mim, foi uma grande viagem com começo, meio e infinitas possibilidades. Não foi fácil, mas quem disse que seria? O melhor é a sensação de dever cumprido e poder afirmar que, enfim, eu me superei. Como um atleta que quebra um recorde mundial, superei a mim mesmo.

Superei o desgaste emocional, o cansaço, a falta de emprego, a doença da minha mãe e, depois de tanto procurar um estágio e conseguir, tentar conciliar tudo isso à nova atividade. Realmente não foi fácil. 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Dicas do Sil: Novas Séries Que Todo Mundo Deveria Assistir





Eu, viciado em séries de televisão como sou, não poderia deixar de dar boas dicas a vocês, caros leitores, em um ano de estreias excelentes e que merecem ser conferidas. Por isso, está no ar a segunda edição da minha coluna Dicas do Sil (a primeira você pode conferir aqui), onde compartilho com vocês as minhas impressões sobre o que considero que vale a pena o seu tempo.

Vamos às dicas de hoje?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Pais e Filhos





Meu filho vai ter nome de santo. Será? Na verdade, se a escolha passasse unicamente por mim, provavelmente não teria. Nada contra nomes de santos; afinal, eu, como Paulo que sou, carrego o de um dos mais famosos. Mas é que quando era pequenino, lá pelos meus sete anos, prometi a minha mãe que daria o nome do meu primogênito de João Victor (se bem que existe São João e São Victor, né?), depois de ela ter confessado que assim seria batizado um hipotético irmão meu. Tão hipotético quando esse filho biológico que eu julgava que teria com toda a convicção quando ainda era criança.

Se tem uma coisa em que a homossexualidade pode ser cruel com alguém muito bem resolvido com ela é em relação à limitação da reprodução com aquele que se ama, quando isso é um desejo íntimo dessa pessoa. Uma característica tão inerente a qualquer mamífero (heterossexual). Descobrir-se gay pode trazer diversas coisas a uma pessoa: autoaceitação, um relacionamento amoroso verdadeiro, sexo de forma completa... mas, definitivamente, não traz a possibilidade do cruzamento entre dois espermatozoides. Ou dois óvulos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Brincando Com a Pedra





Outro dia fui eu pagar umas contas da loja na Loteria que tem aqui perto. Fui todo serelepe (mentira) pensando na vida, já que estava sem meu livro (tava ameaçando chover e sim, eu consigo andar e ler ao mesmo tempo), então pensar na vida era o que me restava, quando OPA, senti algo me incomodando. Qual foi a minha surpresa? Sim, uma pedra tinha entrado no meu tênis. A famosa pedra no sapato, sabem? Pensei: "Oh, quanto tempo que isso não me acontecia...". O que? Não me olhem assim, vocês sabem que eu penso de um jeito estranho. 

Ao invés de parar no meio do caminho e tentar, de forma discreta ou não, tirar aquela pedrinha, eu segui meu caminho, com a maldita indo de ponta a ponta do meu pé, me dando aquela dorzinha, que não é forte, é apenas incômoda. Pensei em resolver isso na Loteria, quando ficasse parado na fila. Não tinha fila. Entreguei as contas e o dinheiro pra moça do caixa e fiquei observando ela trabalhar. E fiz amizade com a pedra. Tá, ok, não se chama amizade, até porque é um ser inanimado, mas eu comecei a brincar com a pedra segurei ela com o dedão e fiquei rolando de um lado pro outro dentro do tênis, que nem criança quando tira meleca do nariz e fica fazendo uma bolinha, sabem? Acho que a sensação que eu senti ali era próxima disso. E lá estava eu, que a poucos minutos estava praguejando contra a pedra, agora estava ali, brincando com a pedra, conscientemente causando em mim aquela dorzinha incômoda. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Desconstrução





Éramos quatro pessoas conversando casualmente quando o assunto mulheres negras veio à baila. Começou como um comentário sobre o texto de uma colunista convidada aqui do Barba (Mulheres Negras, belamente escrito e esclarecedor), mas foi se ampliando para outras discussões. Racismo, cotas, meritocracia. Eu, que normalmente ouço essas palavras e tenho calafrios, com preguiça de entrar em discussões inúteis, não fugi dos temas e me posicionei sobre o que penso, argumentando com base naquilo que tenho aprendido com a minha própria desconstrução, com a mudança das minhas verdades absolutas, com a assimilação de outros pontos de vista.

Porque tenho aprendido que a gente pode e deve mudar de opinião. Ou melhor, devemos desconstruir nossas ideias preconcebidas, buscando descobrir de onde elas vieram e para onde estão nos levando. Afinal, algo que aprendi com a minha experiência de vida até agora, nesses 34 anos já experimentados, é que só não muda de opinião e reavalia valores as pessoas realmente idiotas e pequenas.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Charlie Sheen e o Holofote (Controverso) ao HIV





O movimento social reclama há tempos que o tema HIV/AIDS não estava na pauta principal da mídia, mas há duas semanas, o tema voltou com força total. Pena que o motivo não tenha sido um dos melhores. Charlie Sheen, ex-protagonista da série de humor americana Two And a Half Men, declarou ser soropositivo há cerca de quatro anos. 

E por que essa notícia não é boa, partindo do princípio que Charlie é uma pessoa conhecida e pode fortalecer a luta dos outros soropositivos, desmistificando o assunto e reduzindo o preconceito? Bem, desde o início, a revelação do seu diagnóstico soou estranha, uma vez que Charlie nunca foi uma pessoa muito engajada, senão nas suas causas próprias. Recentemente, inclusive, ele veio à mídia falar que já transou com cerca de 5 mil pessoas, talvez, tentando reforçar essa ideia de que um homem pode transar com todo mundo e ser visto como garanhão, enquanto as mulheres são, apenas, objeto sexual. Até porque, não imagino uma mulher famosa falar isso na mídia e não ser tachada como vagabunda por quase todo mundo. Bem, mas isso é outro assunto. 

sábado, 5 de dezembro de 2015

Retoque o Batom





- Oi, Dra., boa tarde!
- Boa tarde! Pode sentar ali.
- Bom, eu não sei por onde começar.
- Comece se apresentando. Diga seu nome, sua idade, profissão. E fique à vontade. Relaxe!
- Bem, meu nome é Suzana. Tenho 35 anos. E sou o que chamam hoje em dia de gastrônoma ou chef. Na verdade, sou cozinheira mesmo, é assim que me considero, sem essa pompa toda da nomenclatura. Tenho um pequeno ateliê de massas.
- Então você é uma empresária do ramo alimentício?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Sobre Sucesso e Trabalho





O sucesso é algo que denota trabalho, pelo menos eu penso assim, ou deveria ser assim. Alcançar o sucesso requer esforço, força de vontade, além de ser difícil e demorado. Entretanto, vivemos numa sociedade que dita que o sucesso pode vir de uma maneira fácil e rápida. Uma pena.

Quantas subterrâneas celebridades vivem à procura de um lugar ao sol ou uma nota de rodapé num site? Basta acessar qualquer um destes vários que temos por aí, que veremos alguns destes pseudo artistas na praia ou na academia exibindo sua boa forma. Conteúdo que é bom, nada, mas tais "matérias" geram muitas visualizações para estes sites, o que mostra que de fato há um público interessado na vida fútil de algumas pessoas.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Tem! Mas Acabou... Ou Quase...





É mais ou menos assim. Ainda temos 28 dias de dezembro pela frente, mas tem vezes que parece menos... E outras, que parece mais. Final de ano é uma droga! Você pode concordar com essa afirmação, sem medo. Não aguentamos mais nossa rotina, existe um clima de “já acabou”, mas continuamos levando nossos afazeres, à espera do pequeno reboot, chamado de ano novo.

Mas estou tão de saco cheio que esse não é um daqueles textos espirituosos sobre como um lindo novo ano vem aí e que precisamos recarregar as energias para conseguir lidar com o novo, a novidade que será e virá no próximo ano. Esse é um texto sobre estar de saco cheio. Estar em um momento em que não aguento ligar minha TV, abrir a internet (isso inclui qualquer rede social ou site de notícias) e ter um papo despretensioso no WhatsApp.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A Reta Final no Peru: O Maior Perrengue de Nossas Vidas (ou Caverna do Dragão)





Acordar de madrugada pela segunda vez seguida para cair na estrada às 5h. Essa foi a nossa sina naquela manhã fresca em Aguas Calientes. O plano seria caminhar até a Hidrelétrica, que ficava em Santa Teresa, e ir até Cusco, numa viagem que duraria, ao todo, cerca de 9 a 10 horas (teríamos que pegar um voo 12 horas depois, para Lima, logo teríamos uma margem ainda). Compramos nossas garrafas d’água, colocamos os mochilões nas costas e as mochilas de ataque nos ombros e começamos a caminhada que, segundo os locais, deveria durar umas 3 horas. Ao todo, eram ao menos 12 km andando pela linha do trem, o que significava caminhar sobre montes de pedras portuguesas soltas ou sobre dormentes.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Pode Deixar, Eu Te Protejo





Hum... O que é aquilo? Aaaah, achou mesmo que eu não ia te ver? Mas droga, se eu latir ele vai acabar acordando, e eu não quero que isso aconteça. Mas droga, esse é o MEU quintal, é o meu DEVER proteger a área. Bem, aqui esse gato não vai ficar. EI, SAI DAQUI! SAI! SAI! SAI! SAI! PULGUENTO!! Pronto, a área tá limpa. Bom trabalho, garota. 

Ai não... Ele acendeu a luz. Droga, acordei ele. Talvez, se eu ficar rosnando na direção pra onde o gato foi, ele não se irrite dessa vez. Talvez ele fique orgulhoso de mim!! Lá vem ele. Hora de rosnar pro nada. Olha lá, era um gato, ele entrou no quintal e... AI! Essa água tá gelada!! Por que me jogou água gelada?? Eu ajudei! Eu espantei o gato! Droga... Vou ter que dormir molhada mesmo. De manhã ele vai estar mais bem humorado. Melhor eu ir dormir também.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Férias, Viagens, Ócio e Afins





Na próxima quarta-feira retorno ao trabalho depois de exatamente 40 dias de puro ócio e deleite. Há muito tempo eu não tirava férias tão longas e, putz, como isso é bom! Minha empresa nos dá a possibilidade de dividir nossas férias em dois períodos distintos durante o ano e é isso que eu normalmente faço. Entretanto, eu havia planejado um curso de inglês de um mês em São Francisco para esse ano e por isso agendei as férias, mais algumas folgas a que havia direito por trabalhos nos fins de semana, para o fim de outubro e todo o mês de novembro. Mas, apesar de ter de adiar o projeto para um futuro incerto graças à nossa economia e à assustadora alta do dólar (obrigado, Dilma, beijos!), mantive a data e as férias programadas. Foi um ano puxado no trabalho, com um estafante projeto do Rock in Rio no meio; eu precisava.

Dessa forma, com 40 dias disponíveis e um projeto adiado, o que fazer com o tempo livre? Logo em minha primeira semana de férias reservei 5 dias para uma viagem curta com dois dos meus melhores amigos para São Paulo. Eu confesso que detestava São Paulo. Sempre achei uma cidade overrated, estranha e, sinceramente, com nada que me fosse particularmente atrativo. Tinha coisas pra fazer? Claro que sim, como toda grande cidade, inclusive o Rio. Mas era perto, relativamente barato e, mais importante, seria ótimo para estar com os meninos, que amo tanto e que quase não vejo devido às nossas limitações geográficas.

domingo, 29 de novembro de 2015

O Ano Em Que Me Apaixonei Pelo Não




2015 começou meio engraçado. Vou poupá-los dos detalhes sórdidos (até porque eu não lembro deles), mas minha virada envolveu muito glitter, areia, vômito roxo, nudez em suas formas acidental e proposital. Ou seja. Não acredito em presságios, mas, caso acreditasse, diria que esse foi um. GRANDÃO. Tive um ano bagunçado, difícil, confuso. Cheio de descobertas tão dolorosas quanto necessárias, de rupturas externas e conflitos internos, de muito desgaste emocional. Foi o ano em que abracei minha personalidade introspectiva, em que dei tchau pra gente que eu achava que nunca iria embora, em que gastei mais horas do que poderia contar escrevendo textão no Facebook, desconstruindo discursos e perdendo amigos no processo. Foi um ano bastante solitário em alguns sentidos, o primeiro desde os 17 que passei sem nenhum envolvimento amoroso, com poucas noites de sábado vomitando vodca com Red Bull nos canteiros do meu condomínio e muitas maratonas de documentários tristes e fantasias sujas com o John Oliver. Foi um ano em que reavaliei muitas verdades que acreditava conhecer sobre mim mesma. Foi um ano em que comprei muita briga. Mas a descoberta mais importante de todas foi a que talvez a que tenha motivado as outras. 2015, esse safadinho cheio de surpresas, foi o ano em que descobri o poder transformador do NÃO.

É engraçado como aprendemos a demonizar essa palavra. O quanto condenamos a "negatividade" das pessoas, o quanto glorificamos pessoas que ~topam desafios e ~se abrem para as experiências, o número de mensagens motivacionais no Instagram que nos encorajam a viver o momento, a expandir os horizontes, CARPE DIEM tatuado em nucas ao redor do mundo. No trabalho, ser uma YES PERSON é praticamente pré-requisito. Não importa se você é inteligente, competente, empenhado. Impor limites é mau negócio. Sim, eu posso ficar até mais tarde! Sim, eu aceito essas suas ordens que vão completamente contra os meus princípios! Mais um comando arbitrário sem nenhum motivo de ser de uma pessoa marginalmente qualificada? SIM, POR FAVOR, ME VÊ DOIS! Nos relacionamentos, o SIM ganha ares de inevitabilidade - afinal, é a palavra que define o tal do "compromisso". Tá ruim? Tá doendo? Tá incomodando? Ah, faz parte! Relacionamento TEM QUE ser assim! CLARO que eu adoraria passar um dia com seus amigos que eu detesto! ÓBVIO que eu estou super de boa com fazer todas essas coisas que eu não gosto no meu dia de folga! E por favor, não consigo pensar em nada melhor para fazer nessa quarta do que assistir a um filme conceitual que eu pra falar a verdade nem entendo! A existência social é um poço de SIM compulsório. SIM, eu vou pra esse almoço chato com a família que mal conheço para ouvir piadas sobre a Dilma! CLARO que eu topo gastar muito dinheiro num vestido para ir num casamento de gente que mal conheço e beber whisky barato! Por favor, sim, pode embrulhar um pouco dessa torta de climão para levar pra viagem? O quanto da nossa vida a gente passa dizendo sim pelo simples medo de parecermos rudes, chatos, rabugentos ou, pior ainda, NEGATIVOS. Quem quer estar perto de uma pessoa ~pra baixo, não é mesmo?

sábado, 28 de novembro de 2015

Pergunta ao Tempo






Eu tinha sete pra oito anos quando ganhei o livro infantil O Fio Mágico. Era um livro bonito, super ilustrado, em formato brochura, que fazia parte da coleção Contos Populares da Velha Europa. Essa coleção não era de histórias bobinhas, traziam sempre lições importantes até para adultos, mas obviamente num formato mais leve, colorido, infantil enfim. Lembro que dessa coleção, ganhei até uma versão de Rei Lear, de Shakespeare, chamada Capote de Junco, linda por sinal. Mas a lição mais marcante, que me fez voltar às minhas histórias infantis quando pensei neste texto, foi mesmo O Fio Mágico.

A história, aparentemente simples, me serve hoje de exemplo de uma forma absurda. O protagonista era João. Ou seria Pedro? Não lembro com clareza. Vamos chamá-lo de João. Um menino de 10 anos. Tinha ânsia que o tempo passasse rápido. Queria crescer logo. Virar adolescente, depois adulto, namorar, casar. Estava sempre insatisfeito com o momento e a fase em que vivia. Um dia desejou com tanta força que o tempo passasse rápido para crescer e fazer coisas que acreditava ser mais interessantes do que a vida de criança que, de repente, topou pelo caminho em que andava devaneando com uma velha senhora, que ao ser ajudada por ele, concedeu-lhe, como agradecimento, um pedido de algo que desejasse muito.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Sobre Cotidianos (e Sobre Patrick 1,5)




Göran e Sven são apaixonados e felizes, formam o chamado casal perfeito. Eles acabam de se mudar para uma casa nova, num subúrbio sueco onde tudo parece um comercial de margarina visto de longe, e até que são bem aceitos por alguns vizinhos, apesar das brincadeiras tolas de algumas crianças que insistem em quebrar-lhes a caixa do correio e os insultar. Os dois sonham em adotar uma criança e, depois de um tempo na fila de espera da adoção, os rapazes ficam felizes e ansiosos com a chegada de um bebê de pouco mais de um ano. Mas eis que para o espanto deles, recebem em casa um adolescente de 15 anos que é ainda por cima um delinquente que acha que todos os gays são pedófilos! Para a infelicidade do casal, são obrigados pelo governo a ficar com a guarda do jovem até que as coisas se acertem, mas descobrem da pior maneira que nem tudo era tão perfeito em suas vidas como eles mesmos acreditavam.

Eu já escrevi sobre este filme outras vezes, sua história é repleta de grandes momentos e, por mais que pareça previsível, eu sempre penso como muitas pessoas gostariam de ter uma vida assim, simples. Não basta muito. São apenas coisas que podem parecer bem banais, mas no fundo são essenciais quando se pretende viver em comunidade.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O Cu De Todo Mundo




Admito que até hoje não tinha refletido sobre o tão cobiçado, proclamado e famoso orifício. E cá entre nós, nunca entendi muito bem a obsessão que algumas pessoas possuem por ele. E não, não estou sendo nada irônico. Pense só comigo. Quando pequenos, ouvimos a torto e a direito os adultos e os quase adultos mandando todo mundo tomar no meio do olho do cu. Crescemos acreditando que essa é a maior ofensa que qualquer pessoa pode receber e qualquer outro pode desejar e berrar em um momento de raiva!

Mas não é só isso. Existe também o tabu sexual que envolve essa “parte do corpo”. Homens querem. Mulheres (algumas) nem cogitam usar essa área do corpo, já que dizem (as más línguas) que isso (utilizar) não é coisa de mulher direita (e não estou usando nenhum exemplo extraído de uma obra de Nelson Rodrigues). Alguns outros (homens, mulheres e trans.) utilizam como ganha pão. Quando não, acabam tendo que usar os dos clientes para que eles saiam satisfeitos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Retornando ao Peru: a Imponência Inca em Cusco e Machu Picchu




Seguindo o roteiro traçado para a viagem, mesmo com os imprevistos (que estavam só começando), voltamos ao Peru. Ao chegar a Puno, decidimos descer na rodoviária e buscar outro ônibus que nos levasse até Cusco. O próximo turístico, da empresa Cruz del Sur, com quem tivemos uma boa experiência no início da viagem, sairia somente às 22h. E eram pouco mais do que 15h30. Resolvemos tentar qualquer empresa que saísse por aquele horário. E encontramos a companhia Libertad. Os peruanos foram super solícitos, vendo a nossa urgência de chegar a Cusco, e fizeram de tudo pra gente embarcar o mais rápido possível, sem maiores burocracias. O ônibus tinha dois andares e, aparentemente, estava em melhores condições que o da Litoral, que veio da Bolívia. Pelo menos a janela abria e o banco estava inteiro, seco e reclinável. O banheiro também não tinha água e fedia, mas estava no primeiro andar. Nós viajávamos no segundo, logo, longe do cheiro. Todo o ônibus tinha um odor estranho, mas que não identificamos a princípio. Eu havia sido avisado que o transporte para turistas era muito diferente daquele dedicado aos moradores locais – e que estávamos experimentando naquele momento.

Dentro do ônibus, conhecemos um casal de brasileiros que estava fazendo uma viagem mais baixo custo. Eles nos alertaram que haveria uma greve de trens em Machu Picchu, nos dias em que nós iríamos para a cidade, o que nos gerou apreensão a partir daquele momento. Tentamos descansar ao longo da viagem, enquanto o coletivo se enchia de peruanos, principalmente quando parou na rodoviária de Juliaca, outra cidade próxima. Aliás, houve várias paradas. Em uma delas, entraram duas mulheres de avental, oferecendo uma bebida estranha dentro de um saquinho, que parecia um saco de mijo. Depois, passaram vendendo uma carne assada. Sim, uma delas abriu um embrulho com uma imensa carne assada dentro do ônibus e cortou com um cutelo, como uma açougueira enlouquecida, enquanto o ônibus balançava pela estrada. Depois, colocou os pedaços dentro de um saquinho e entregava para quem comprava, junto com um pedaço de papel higiênico para limpar os dedos engordurados. Era o cheiro desse assado que estava entranhado no ônibus e não tínhamos até então identificados.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O Preço de um 2016 Livre e Justo




Não sei se eu disse isso ano passado, mas eu não sou de fazer promessas pro ano que vai entrar. Nunca cumpro, mesmo. Mas dessa vez eu quero começar o ano de forma diferente, e foi o que fiz.

Eu era uma pessoa escrota (não que hoje eu seja flor que se cheire, mas eu sou mais legal, juro!) e, sendo uma pessoa escrota, eu meio que fui escroto com algumas pessoas que não tinha absolutamente nada a ver com os meus problemas, mas que eu acabei despejando nelas a minha raiva e minhas frustrações. Como vocês bem sabem, eu acredito na lei do retorno, inclusive, o celular furtado foi o preço que eu paguei por ter magoado uma amiga. Na hora que senti que o celular não estava lá eu pensei naquele momento lá em dois mil e não sei quando, o que me fez tomar essa decisão.

Eu disse no começo do mês que também tinha as minhas palavras não ditas, não foi? Então eu fui atrás de cada pessoa (não vou dizer quantas, fica aí a reflexão, bjs) e fiz o que? Sim, pedi desculpas. Essas eram as minhas palavras não ditas. Cada momento, cada palavra que eu disse, cada reação que eu causei, tudo isso ficou gravado na minha memória e eu convivi com essa culpa por tanto tempo que pensei: "Ah não, tá na hora de fazer diferente. 2016 vai ser diferente, quero começar do zero.".

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Survivor: Um Vício em Forma de Reality Show





Eu adoro realities shows. Acho interessantíssima a dinâmica humana quando em competição, tendo de assumir papeis ao mesmo tempo que corre atrás de seus objetivos. E, salvo raras excessões (oi, The Voice Brasil), as versões nacionais de bons realities shows são tão boas (e algumas vezes até mesmo melhores) que suas originais. O sucesso do Master Chef Brasil (e de sua fofíssima versão Junior) e do nosso famoso Big Brother apenas comprovam isso.

Entretanto, temos um grandiosíssimo problema com realities shows no Brasil: a desnecessária mania de se dar poder ao telespectador para decidir o destino dos participantes. Dessa forma, fórmulas consagradas e que envolvem estratégias dos participantes nas versões de outros países, são diluídas a meros jogos de coitadinhos e favoritos do público por aqui. Foi o que aconteceu, por exemplo, com No Limite, o primeiro grande reality nacional, "inspirado" no americano Survivor, que teve 4 temporadas por aqui, entre 2000 e 2009. E se a primeira temporada do programa, em 2000, foi um sucesso absoluto (com a vencedora sendo divulgada por um jornal semanas antes da exibição da final - ah, os tempos sem o reinado absoluto da internet!), as demais foram sem graça exatamente por dar poderes ao público para definir destinos do jogo.

domingo, 22 de novembro de 2015

Mulheres Negras





Eu não sou muito política. Falo isso sem orgulho nenhum. Porém, tenho de reconhecer que não sou engajada, que não sou militante de causa alguma. Eu me envergonho dessa passividade porque eu deveria ser. Nasci negra e mulher. Além disso, não sou uma mulher bonita ou magra, então as coisas complicam muito pro meu lado. Ah, nasci numa família pobre também, que continua pobre e não tem perspectiva de mudar isso. Só que consegui dar uns saltos para fora dessa curva. Consegui me educar minimamente. consegui um emprego razoável que me permite acessos que minha família não tem. Não me identifico com os valores da classe média brasileira, porque minha origem não é essa, mas o fato é que hoje minha renda per capita me enquadra exatamente aí no meio desse povo que tem uma cultura e um pensamento bem diferentes do meu sobre vários assuntos que me são caros.

Eu leio muita coisa por aí. Leio bastante sobre feminismo e leio ainda mais sobre a condição das pessoas negras, especialmente as mulheres. É muito foda ser negra e pobre no Brasil e, quando eu digo isso, não estou falando sobre a minha vida, mas sobre a vida da maioria das mulheres negras. Vidas que estão próximas de mim, pois não preciso ir muito longe para ter exemplos que se encaixam com perfeição nas estatísticas que nos evidenciam o quão mais complicado é ser um cidadão se você faz parte de determinado grupo social. Eu tenho mulheres na minha família dentro dessas estatísticas todas que pululam por aí. A educação de baixa qualidade. O salário baixo. O subemprego. O trabalho doméstico. Os acessos restritos. A gravidez na adolescência. Todos os fatores nos quais o grande contingente é feito de mulheres negras.

Eu não sei como articular de forma clara o meu pensamento, mas estou tentando porque tenho um grupo de amigos e outro dia eles discutiam algumas características do movimento feminista feito por e para mulheres negras, particularmente a agressividade e o que alguns consideram como equívocos de posicionamento. Meus amigos não entendem e como explicar? Eu não sei. São questões muito complexas, que não permitem respostas simples.

sábado, 21 de novembro de 2015

Pequena Reflexão Sobre as Palavras de Matheus




Essa semana, meu participante favorito do Master Chef Junior saiu do programa. Estou falando do fofézimo Matheus B., o Matheuzinho. Atrapalhado, guloso, emotivo, engraçado e com um par de bochechas impossível de não querer apertar, o menino de 11 anos é a personificação da fofura. Todos os participantes de Master Chef Jr são absurdamente encantadores, aliás, o reality culinári é um grande deleite, mas Matheus, francamente, é uma coisa.

Em sua eliminação, o pequeno Matheus deu um depoimento que me pôs a pensar. Ao despedir-se, ele afirmou que quer ser um grande cozinheiro, e que até já tinha combinado com alguns participantes de abrir um restaurante quando crescer. Então pensei, todos ali acalentam o mesmo sonho. São crianças com um talento especial para a cozinha, um talento que realmente impressiona. Mas quantas daquelas crianças realmente serão grandes chefs, assim como sonham hoje?

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Sobre Medrosos e Impiedosos




Vivemos num século muito diferente do que foi idealizado por escritores, poetas, sonhadores. Estamos longe das invenções que imaginavam o homem voando em espaçonaves pelo cosmos. Mas mesmo assim, a terceira tela é uma realidade. Em função disso, hoje estamos mais conectados do que nunca. Não apenas vemos TV, por exemplo, mas somos críticos impiedosos, com opiniões sobre tudo. Ou torcedores fanáticos, apaixonados, que defendem com unhas e dentes suas causas, artistas, times, opiniões.

Entretanto, tanta informação tem saturado o público de tal forma que ele ou reage com desprezo, ou acredita piamente, não existe uma linha tênue que separe o que é real do que não é. Não existe um equilíbrio. Não existe uma necessidade de buscar conhecimento, ao mesmo tempo em todos acham que sabem tudo. Contraditório, não é?

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Nada Justifica...





O mundo anda tão louco que não sei sobre o que poderia escrever. Não, não quero falar sobre as pessoas que andam perdendo a noção cada vez mais. Também não pretendo fazer uma análise de como a mídia não anda sabendo lidar com tantos acontecimentos simultâneos. Se acontece uma tragédia aqui, é preciso equilibrar com aquela outra ali e ter flashes diários sobre aquela outra lá.

Graças ao mundo conectado, ou por culpa dele, pouca coisa ainda foge aos nossos olhares ou nosso conhecimento. Parte disso é muito positivo, afinal, é mais fácil descobrir o que “de fato” anda acontecendo do que só ter um olhar, de um veículo, sobre o tema. Mas ao mesmo tempo é enlouquecedor. Estamos lidando com tanta informação, com tantas notícias verídicas que parecem que são tiradas da capa do site Sensacionalista, que é tudo muito desgastante.