sábado, 31 de janeiro de 2015

O Que Você Quer Ser Quando Crescer?




Quando se é criança, uma das perguntas que mais ouvimos é: O que você quer ser quando crescer?

Aí a gente responde as mais variadas profissões, que fazem nossos interlocutores acharem a maior graça. De astronauta a bombeiro, de caixa de supermercado a professor, dificilmente ouvimos uma criança dizer que quer ser advogada, administradora de empresas, jornalista, contadora (só se for de histórias), publicitária, engenheira, arquiteta ou qualquer outra profissão dita glamourosa e/ou rentável. 

Dia desses na rua, dois meninos passaram por mim, deviam ter entre 8 e 10 anos, eram asiáticos e um dizia pro outro: "Eu quero ser entregador de pizzas". Não sei qual era o contexto da conversa, nem se falavam das profissões que queriam seguir quando crescessem, porém é sabido, ao menos pelos que tem um mínimo de instrução, que a educação asiática está entre as melhores do mundo. Japoneses, tailandeses, coreanos e chineses são preparados desde muito cedo para terem muito dinheiro, sendo homens de negócios e profissionais altamente bem sucedidos. Portanto, se aquele japonesinho não estava falando em ser entregador de pizzas na pizzaria que terá quando crescer ou da que seus pais já tem, realmente é encantador e comovente a inocência das crianças quando se trata de escolher uma profissão. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Sobre as Coisas Que Eu Não Disse: Gabriel





Bota a cara no sol, mana! Quem disse que você devia estar a esta altura, com mais de 40 anos, ainda pensando o que fazer da vida? Veja seus amigos, onde eles estão? Veja o quanto deixou de fazer e pare de culpar sua mãe, quando na verdade a culpa é sua. Mesmo ela tendo sido responsável por muitos erros, você se acomodou nesta falta de responsabilidade dela quando deveria ter seguido em frente. Culpar sua mãe é fácil; mas se era tão ruim assim, porque não foi a luta?  

Bota a cara no sol, mana! Vai me dizer agora que nunca percebeu que passou a vida toda sempre esperando por um homem que iria te resgatar quando na verdade era você mesmo este homem? Quantas pessoas te alertaram que o tempo passa? Se a felicidade não bateu em sua porta, por que não foi atrás? Durante tantos anos você acreditou que era uma diva, mas esqueceu que as divas trabalham muito para chegar onde estão. Elas estão acordadas desde cedo e você aí, ainda na cama, sonhando.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Rótulos! Ou Como as Pessoas Inventam Desculpas Para Suas Vontades





Ser gay é um peso enorme. Ninguém quer o ônus de carregar esse “rótulo” e toda responsabilidade que ele agrega. Direta ou indiretamente. Ser gay, nos dias de hoje, é levantar algumas bandeiras, apoiando-as ou não.

Nos últimos tempos surgiram novas denominações para associar homens que ficam com outros homens, mas não ‘curtem penetração’, os G0ys. Ou homens que sentem desejo por outros homens quando utilizam algum tipo de droga, e são conhecidos agora pelo termo highsexual. O medo de ser associado a uma camada da nossa sociedade, cada vez mais tão presente e ainda tão marginalizada nos dias de hoje, faz com que mais pessoas criem “novos rótulos” para sobreviver ao bom e velho julgamento externo.

Vamos ser honestos. Muitas vezes o pai, mãe, avô e avó sabem que o filho, neto, sobrinho, primo é gay. E muitas vezes eles não se importam com isso. Não se importam desde que os vizinhos, amigos e familiares distantes não saibam a respeito. Afinal, cresci ouvindo que “bicha tem na família dos outros”, mas não na minha.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O ‘Pra Sempre’ Sempre Acaba?





Aniversário de uma de suas melhores amigas num restaurante, daqueles de salões imensos, cheios de mesas. Rodízio de pizza, gente conversando por todo lado, causando um zum-zum-zum digno de uma colmeia. Você retorna ao seu assento após pegar a sua comida. Senta, pede a sua bebida e vê a aniversariante se aproximando para dar atenção (afinal, você foi o último a chegar à comemoração). E quando você dá uma garfada, é surpreendido com a novidade: 
- Eu queria que vocês soubessem que eu vou me divorciar. Mas é consensual e nós estamos tranquilos. 
Depois de quase engasgar com a informação, admito que ainda não a digeri. Preservarei nomes, pois é algo muito pessoal, mas preciso dizer que fui padrinho de casamento dos dois. E ambos são queridíssimos. São pessoas do bem, felizes, ótimas companhias. Daquelas que você se orgulha de ter no seu círculo de amizades. Eles inclusive identificam isso um no outro, mesmo com a decisão de se divorciarem – um ama o outro e não quer que o outro saia da sua vida. E você acreditava, sim, que aquele casamento seria mais longevo que os três anos recém-completados. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Não Seja Velho; Seja Idoso!





Existe uma diferença gritante entre uma pessoa velha e uma pessoa idosa. A pessoa idosa gosta de aprender, se interessa por assuntos da atualidade, tecnologia, política, música, humanas; gostam de conversar, de debater sobre esses assuntos; elas sabem debater, argumentar, seja com pessoas da mesma idade, ou com pessoas mais novas, uma pessoa idosa gosta de estar no meio, de estar informada. Uma pessoa velha não é assim. A pessoa velha, como a palavra mesmo diz, é velha, e eu não falo da aparência física, mas da mentalidade. Um velho não quer aprender. Ele acha que não precisa aprender porque o que ele sabe da vida é o que vale, e é o que deveria valer para todos. Tecnologia? É luxo. Política? Saudades da Ditadura. Música, então? Os jovens estão perdidos, as músicas de hoje, nenhuma delas presta!

Quem é velho não sabe conversar, porque se julga coberto de razão sempre. Acham que os jovens só querem saber de sexo, drogas, de ir pra casa do seu Zé, que vai rolar uma putaria, e sempre se juntam com outros velhos, por terem interesses iguais. Ao contrário de um idoso, se você vira pra um velho e diz que existe a possibilidade de o resultado de dois mais dois não ser igual a quatro, ele vai dizer que você está errado, que as coisas são como são, que você está bebendo muito, não deveria ficar lendo bobagens pra não ficar dizendo bobagens, ao passo que o idoso senta com você e começa a dialogar, a tentar entender a sua teoria e, mesmo assim, se ele não concordar, não vai te julgar, mas vai gostar de ter como companhia alguém que acredite numa teoria dessas.

Idosos gostam de sair, de ver gente. Se associam a clubes, vão a excursões, viajam para o exterior, alguns vão até em baladas (como eu já vi numa boate gay daqui), e se divertem, dançam, bebem, riem, criam novas memórias, experimentam novos ares. Velhos não, eles estão velhos demais pra isso, preferem ficar em casa pensando nos dias de luta, dos caras pintadas, no descobrimento do Brasil, ou como foi difícil passar a fiação no mundo antes de Deus dizer "Haja luz". Velhos são chatos demais. O que eles aprenderam quando jovens morreu ali, apodreceu ali, e pra eles, na cabeça deles, estão certos, esse é o jeito certo de se viver.

Não seja velho. Seja idoso. Não se torne um ranzinza de oitenta anos que só sabe reclamar da vida, da bola das crianças que sempre cai no seu quintal, da pessoa que tem uma opinião totalmente contrária à sua, de como fulano leva uma vida de viagens, enquanto você vive trancado dentro de casa. Não termine os seus dias desse jeito. Seja idoso. Vá ao cinema, vá a bares, restaurantes, teatros, leia livros, escreva um; viaje, aprenda, conheça, viva.

Seja um idoso feliz, não um velho caquético.

Leia Também:
Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Lembranças de Um Passado Equivocado





"Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo 
Temos todo o tempo do mundo..."
Tempo Perdido (Legião Urbana)

Sempre fui de escrever muito. Seja para clarear as ideias ou simplesmente como treino, gosto de botar as ideias em palavras e, eventualmente, publicá-las.  O que é engraçado, já que até hoje consigo encontrar textos que publiquei anos atrás em blogs na internet, mas os que guardei para mim, em arquivos secretos no meu computador, nunca mais vi.

E, pensando na coluna de hoje, lembrei do meu primeiro blog (tive muitos depois dele) e, através de uma googleada, acabei nele. E, putz, que vergonha! Em arquivos de 2004, me vi em lamentações bestas, reclamações absurdas e textos sem pé nem cabeça (sem contar as fotos horrorosas que tive coragem de publicar; sério, melhorei BEM de 2004 pra cá, mas divago). Claro que, nesse processo, o que tinha pensado inicialmente como tema da coluna foi para o espaço e cá estou eu escrevendo sobre o passado.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Quintas





Quintas-feiras são complicadas. Se as segundas-feiras começam com a perspectiva que, dessa vez, tudo vai se consertar e dar certo, nas quintas a realidade dá as caras e puxa para dentro do poço fundo tudo o que restou de felicidade - e o que havia restado era tão pouco que parecia uma grande covardia levá-la. Secar o que já estava com sede. ​

Às quintas-feiras percebo que o problema são as expectativas – porque as malditas segundas-feiras, traiçoeiras segundas, se mostram como a solução de tudo. Nelas começamos regimes, a escola, o trabalho. Sob o manto do recomeço, nos iludimos que dessa vez tudo irá dar certo. Tudo irá funcionar. Dessa vez não vamos cometer os mesmos erros. ​

sábado, 24 de janeiro de 2015

Olho Por Olho e Dente Por Dente?




O assunto é polêmico e, como tal, divide opiniões, e se não fosse uma rápida discussão entre amigos no último final de semana, não seria o tema de hoje desta coluna. Relutei em escrever sobre, pois pena de morte é um assunto delicado, mas a execução do traficante brasileiro Marco Archer na Indonésia, na madrugada do último domingo (18), mexeu muito comigo.

Sempre tive convicções muito rígidas à respeito de certo e errado/bem e mal. Meus posicionamentos sempre foram radicais, sem muitas chances de maleabilidade. Nunca tive dúvidas de que os ensinamentos que me foram incrustados na mente desde a mais tenra idade, eram verdades absolutas. Não existiam questionamentos acerca dessas verdades, que em sua grande maioria eram frutos de uma educação baseada, quase que totalmente, em ensinos religiosos e interpretações aleatórias de trechos bíblicos como esse: "E teu olho não deve ter dó: será alma por alma, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé."

Trechos da Bíblia, como o citado acima, me fizeram crer que a pena de morte fosse uma prática não condenável por Deus pois, segundo minha interpretação religiosa, aquele que mata merece morrer, sem dó nem piedade, o famoso olho por olho. E, embora minha interpretação deste texto e de mais uma porção deles tenha mudado bastante desde que decidi me afastar da religião, e eu busque sempre uma maior clareza de ideias, ser mais flexível em meus pensamentos e ter uma tolerância bem elástica, certas convicções permanecem, pois deixam de ser apenas um arremedo da religiosidade aprendida e lapidada com observações, debates sadios e bagagem cultural, tornam-se uma ideologia.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Sobre as Coisas Que Eu Não Disse: Jorge





Estava escolhendo qual roupa usar. Tinha passado aquele dia limpando todos os cantos da casa. O assoalho reluzia, assim como os azulejos da cozinha e do banheiro. O sofá, já velho, ganhou uma nova capa e parecia recém saído da loja, enquanto os outros móveis receberam uma boa dose de óleo de peroba. Colocou uma nova cortina na sala e o banheiro ganhou um novo tapete. Não esquecera de providenciar também uma nova pasta de dentes, já devidamente posta em seu novo lugar. Cansado, mas feliz, mereceu um banho demorado. Aproveitou para depilar todo o corpo. Ele gostava assim. Lisinho. Era também uma forma de passar o tempo e não criar mais ansiedade do que já havia no ar. Lembrou de quando o conheceu. Numa roda de samba. Ele tocava pandeiro e ambos não tiravam os olhos um do outro. Ele tinha um sorriso no canto da boca, cara de safado e a aliança no dedo denunciava o compromisso, porém não quis saber. Depois das meras formalidades (oi, como vai, qual o seu nome) ambos estavam na cama saciando o desejo. Desde então, viam-se se sempre em motéis baratos e aquela seria a primeira vez que ele conheceria a casa do amante, já que tanto esquivava com medo de ser visto. Entretanto, depois de tanto tempo e incansáveis pedidos, enfim ele foi convencido e daí tantos preparativos. Ele estava gostando de aprontar a casa para esperar seu homem, mesmo sabendo que ele não era apenas seu, mas sabia que naquelas próximas horas, seria. E podia fazer o que bem entendesse. Não esquecera que seu homem tinha um bom apetite, por isso encomendara um galeto na padaria da esquina que agora descansava em seu forno. Fez uma salada, arroz branco e abriu o pacote de farofa pronta que comprou no mercadinho há dois dias, junto com o sorvete napolitano para a sobremesa. O que faltava? Ainda tinha dúvidas com que roupa esperaria seu homem, ou se usaria alguma. Independente de qual seria, elas teriam o mesmo destino, o chão. Ele pularia em cima dele e lhe devoraria, talvez fizessem amor ali mesmo no chão reluzente da sala ou no sofá velho com capa nova e seu homem iria embora sem dizer-lhe nada, talvez nem reparasse em sua casa, talvez nem ficasse para jantar. Talvez.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Sexo Oral - # 02





Janeiro está mais quente que nunca e é nesse ritmo que vai a nossa coluna mais amada da interwebs! Se você vem chegando agora e não tem ideia do que acontece por aqui, seja muito bem vindo! Pode chegar junto, ler e participar; seja comentando ou enviando uma pergunta pra gente. E, caso você já esteja acompanhando o que vem rolando por aqui, só tenho uma coisa pra te dizer: Hoje tem! 

Vocês já sabem como funciona. Reunimos aqui algumas perguntas que recebemos (envie a sua) e um convidado e eu, respondemos o que acreditamos ser o melhor conselho para você(s). Não significa que todas as perguntam sejam só sobre sexo. Temos aquela que também envolve a vida como um todo. E o convidado dessa semana, que vai me ajudar nas respostas, é alguém que sabe dar um choque de realidade nas pessoas. Glauco Damasceno, o homem das terças-feiras aqui no Barba Feita

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Contra o Carioca Tipo Exportação





Diz o dicionário que carioca é “pessoa natural ou habitante da cidade do Rio de Janeiro”. Não nasci no Rio; sou de Niterói e me mudei para a capital somente aos 25 anos. Mas diariamente já vinha para a cidade desde os 21 anos por conta do trabalho. Mesmo assim, segundo o dicionário, posso me considerar um carioca, já que aqui escolhi para morar. Até exerço minha cidadania como eleitor por essas bandas. 

Mas, se tem uma coisa na qual eu não me enquadro é no carioca clássico, aquele tipo exportação. Esse ser mitológico que tem que mostrar a sua malemolência, sua ixperteza e seu amor escancarado pelo Rio – mas o Rio da Zona Sul apenas (talvez uma ou outra quadra de escola de samba na Zona Norte ou Subúrbio, mas de preferência uma que tenha ar condicionado...). 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

E Se?




Foi horrível. Eu não devia ter ido, algo dentro de mim dizia para que eu não fosse. Mas eu fui. Manipulei a informação, disse pro responsável da organização religiosa que ia visitar uma garota, ou como eles dizem lá, "A minha bênção.". E lá fui eu. 

Seis horas de viagem, duas daqui pro Rio e quatro do Rio pra lá. Quando paramos no meio do caminho pra lanchar, eu sentei no meio fio e olhei pra trás. Não tinha mais volta, por mais arrependido que eu estivesse, não tinha mais volta. 

Quando eu cheguei na rodoviária, era noite e havia poucas pessoas ali. Eu devia ter confiado nos meus instintos, mas eu não acreditava neles naquela época. Quando eu vi uma mulher pegando um pacotinho de pipoca no chão pra comer, eu sabia que eu não devia ter ido. Mas eu tinha um objetivo, e não era conhecer aquela garota, que estava longe de ser uma bênção. O objetivo daquela viagem era conhecer o primo dela. Ela foi apenas um álibi... Eu precisava dela pra encobrir o fato de que eu era gay e fazia parte daquela organização. Cruel da minha parte, eu sei, mas o que eu poderia fazer? Então eu fui, manipulei tudo e todos, e apenas meu melhor amigo sabia o que eu realmente tinha ido fazer naquela cidade.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A Hipocrisia Nossa de Cada Dia






"A tua piscina tá cheia de ratos
Suas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para...
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para, não para não, não para..."
O Tempo Não Para (Cazuza)

  • Ele é pai de família, trabalhador exemplar, provedor eficiente, ostenta uma brilhante aliança de ouro na mão esquerda. Mas trai a mulher com pessoas diversas enquanto finge-se de bastião da moral e dos bons costumes para os membros da igreja e o resto da sociedade.
  • Ela é politizada, faz campanha no Facebook pelo fim da corrupção, sendo dona de discursos homéricos sobre a podridão do sistema e da humanidade. Mas baixa músicas e filmes em sites de download na internet, possui uma carteirinha de estudante falsa para pagar meia em shows e no cinema e, quando parada em uma blitz, ofereceu uma graninha para o policial, porque tinha bebido umas cervejas e não poderia ser multada.
  • Ele é gay, bem resolvido, vive um relacionamento estável com um companheiro há mais de cinco anos e diz ter encontrado o amor da sua vida. Acredita que, apesar de gay, passa longe da "promiscuidade" da maioria das relações, já que nem mesmo considera a hipótese de um dia viver um relacionamento aberto, "essa devassidão que toma conta dos pares gays de hoje em dia". Mas entra em salas de bate papo e frequenta saunas e ambientes afins buscando sexo sem compromisso, uma gozada pura e simples, antes de voltar para casa e para sua vidinha perfeita.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Paranóias




Eu sempre tive horror da figura do Ronald Reagan. Mas tinha muito mais pavor da Margareth Thatcher.  Por causa dela, acreditava que a qualquer momento poderia eclodir a Terceira Guerra Mundial.  Para piorar, lá em casa tudo era motivo para um terrorismo: meu avô e meu pai eram da Marinha e, em hipótese alguma, podia pensar ou falar mal do governo.  Achava o presidente Geisel um carrasco, mas minha mãe tocava o rebu, dizendo que poderiam prender meu pai por causa das minhas críticas – como se uma criança de seis anos pudesse ter um senso tão crítico assim.  Eu ainda nem tinha nascido durante o golpe de 1964, mas de tanto meus pais contarem aquelas histórias de perseguições, acreditava, na minha mente infantil, que poderiam invadir a nossa casa, prender todo mundo, queimarem meus livros e saquearem a geladeira. 

Meu pavor aumentou quando o Reino Unido declarou guerra à Argentina por causa das Ilhas Malvinas. Sempre achei a história desse conflito meio sem propósito. Eu tinha uns 12 anos e não entendia direito o porquê daquilo tudo... Analisando geograficamente, a Inglaterra era tão longe... e as Falklands estavam bem ali ao lado dos nossos hermanos. Pra quê os ingleses se importavam tanto com umas ilhotinhas tão sem graça e tão distantes?  

sábado, 17 de janeiro de 2015

Por Que Não Tenho Namorado?





Nos últimos meses, tenho sido questionado com maior frequência, se já namorei alguma vez e por que não namoro atualmente. Confesso que, um tempo atrás achava a pergunta meio constrangedora. Porque, não, nunca namorei, nunca tive um relacionamento com outro cara. 

Com 25, 26 anos, eu ficava com vergonha de confirmar que nunca tinha tido um namorado e, às vezes, inventava que sim, que obviamente já tinha namorado antes. Mas nessa idade, quando dizia a verdade, muitas pessoas não ficavam tão chocadas, achavam que eu ainda era jovem pra me envolver seriamente com alguém, e que devia aproveitar mais, me divertir bastante antes de me comprometer com um relacionamento, e então eu respirava aliviado com a condescendência alheia. Afinal, admitir que eu nunca tinha tido ninguém pra chamar de meu, já tendo vivido um quarto de século era, no mínimo, assumir que havia algo de muito errado comigo. E os outros deduzirem que eu estava solteiro por opção até então, era ótimo, pois me poupava uma série de explicações. Na verdade, não namorar naquela época, não era uma opção, mas isso explicarei mais à frente. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sobre as Coisas Que Eu Não Disse: Bruno





Quando procuraste saber onde eu estava já era demasiado tarde. Já havia estado em tua casa e revelado, como quem revela uma fotografia, toda espécie de sordidez que deixaste comigo. Denunciei à tua mãe aquilo que ela jamais ousou conhecer. Estava eu enganado quando vociferava que todas as mães intuíam ao respeito dos vossos filhos. A tua jamais soube e, tenho que admitir que tu estiveras sempre correto ao teu respeito e conseguiste mesmo enganar-lhe com tamanha maestria. E se não fosse as provas que possuía ao teu respeito ela não acreditaria. És um mestre neste ofício e tiro o chapéu para tamanha desfaçatez. Não obstante, agora sim, ela sabe. Sabe das nossas falsas noites de amor, porque do teu coração embusteiro nunca houve amor. Sempre iludiste-me como iludes teus clientes com teu perverso e adulterado sotaque sulista. Sim, Bruno, tua mãe conhece tuas patranhas, tuas fingidas promessas, sabe dos teus dentes em meu corpo, do teu corpo dentro do meu corpo e do meu corpo a engolir-te por inteiro. Para ela, vomitei todas as inverdades que um dia contaste a mim e tudo que escreveste agora está nas mãos dela. Sim, Bruno, agora ela será capaz de entender o quanto és covarde, que nunca em tua vida irás assumir quem de verdade és. Deixei que ela sucumbisse em prantos. Deixei que chorasse, que sofresse, que sentisse o que eu senti porque necessito que quando descobrires, sintas enfim, o ódio. Talvez este será o único sentimento verdadeiro que poderás ter por mim afinal. Eu amei-te e agora deixei tua mãe a jazer no chão da tua sala. Aquela mesma sala que já nos amamos tanto. A mesma sala que ocultava nossos suspiros e gozos. Deixei que ela parasse de respirar no lugar onde nossos fôlegos perderam-se imensamente. Onde meu suor unia-se ao teu suor perdulário após pertencermos um ao outro. Tua mãe não poderia supor que o horroroso tapete que adormecia a seus pés era cúmplice de tantos segredos. Tão cúmplice quanto o abajur, o sofá e a mesa de canto que tu acreditavas que enfeitavam aquela casa. Casa que nunca seria nossa porque nunca houve nós, e sim nós estrangulando minha garganta como sempre fizeste. Sim, Bruno, agora ela sabe, perece e nada mais podes fazer. Viverás então a carregar esta culpa e este rancor por toda tua vida. Sim, cada vez que saíres a rua e virares a esquina, eu posso estar à espreita, cada vez que cruzares a rua eu posso estar do outro lado, cada vez que subires as escadas eu posso estar no topo e, quando desceres, já estarei à tua espera. Roubei-te a paz para que meu nome esteja sempre em tua boca.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Je Suis: Egalité, Liberté & Beyoncé




Estou cansado. Entra polêmica e sai polêmica, as redes sociais são invadidas por opiniões ácidas, às vezes, conservadoras, mas que em sua grande maioria pertencem a pessoas que pensam estar, intelectualmente, acima do bem e do mal. Todo mundo apoia tudo, é contra tudo e sabe de tudo! Ninguém tira um tempo para tentar entender (se é que existe como) o que de fato aconteceu.

Afinal, o que é verdade nos dias de hoje, além das notícias compartilhadas por aí na sua timeline? Quem tira uns cinco minutos do seu tempo para ver se algo que é dito em poucos caracteres e uma imagem, é verdadeiro?

A grande realidade é que todo mundo é porta voz de alguma coisa hoje em dia. Seja da liberdade, seja do controle sobre o humor feito em tiras de jornal ou em vídeos semanais na internet, seja por defender um ponto de vista retrógrado ou, até mesmo por ser contra todo mundo e achar que todos estão/são errados! O que acontece é que hoje todo mundo abraça uma bandeira e se diz fazer parte de uma causa, mas no fundo não sabe ao certo por quem de fato está lutando.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Deus no Banco dos Réus







Mesmo enquanto ainda se contava o total de corpos, o massacre ocorrido na redação da revista satírica francesa Charlie Hebdo na última semana já havia passado por seu julgamento e tido o seu réu definido: a religião. Dois homens encapuzados mataram a sangue frio doze profissionais da publicação, a maioria deles cartunistas renomados, supostamente em retaliação a charges do profeta Maomé consideradas desrespeitosas por correntes extremistas islâmicas. No dia seguinte, três templos muçulmanos na França já haviam sido atingidos em retaliação da população.

Faço aqui uma observação de que nunca acompanhei a revista a fundo e, pessoalmente, achei de mau gosto as poucas imagens às quais tive acesso. Ainda assim, sua liberdade de expressão é legítima e, se alguém se sentisse ofendido, que recorresse aos canais legais para isso.

Por isso, o ataque à redação me ofendeu triplamente: como cidadão, como jornalista e também como religioso. Definitivamente, a religião não está na raiz desse crime; talvez possa ser o caule ou os galhos dessa pavorosa árvore. Sua raiz é o ódio humano e a sensação de que a vida de outra pessoa é menos preciosa do que os seus valores, sejam eles religiosos ou não.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Sacrifício





Ninguém gosta dessa palavra. Sacrifício. A ideia de perder algo é assustadora, porque o ser humano não gosta de perder.

Fazemos sacrifícios todos os dias. "Se eu comprar esse sapato, não vou poder comprar essa jaqueta.", "Se eu me atrasar, não vou poder ir nos dois lugares que preciso ir hoje.", "Se eu comer um pouco mais, vou ter que me matar na academia amanhã.", e assim vai. Porém, de todos os sacrifícios, existe um que é extremamente perigoso: o de sacrificar quem você é por causa de alguém que você gosta.

Você conhece um cara, aquele cara, o que o seu instinto diz ser o certo. Rola química, sorrisos pra cá, pra lá, você ri das piadas dele, ele ri das suas, e com isso, vocês vão criando vínculo, começam a sair juntos, vão se conhecendo melhor, e num dado momento você percebe que você gostam de muitas coisas diferentes. Mas até aí tudo bem, afinal de coisas, relacionamento é isso aí, aprendizados, novas experiências.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Pelo Direito de Não Crer




"And I find it kinda funny
I find it kinda sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very mad world..."

Passado o chocante e extremista ataque à revista francesa Charlie Hebdo (e seus consequentes ecos, para o bem ou para o mal, ao redor do mundo), me peguei com questionamentos diversos sobre o ocorrido e, sempre, chegava à mesma dúvida: por que a humanidade parece, a cada dia, pior do que era anteriormente (e esse anteriormente pode ser ontem ou referir-se há 20, 30 ou 1.000 anos)?

Entre os diversos textos que li sobre o assunto, foi o do Gregório Duvivier, para sua coluna na Folha, o que achei mais lúcido e pertinente. Foi o texto dele que me motivou a começar esse, graças a uma sementinha que ficou em minha cabeça quando li a seguinte sentença:
"... tudo é sagrado para alguém no mundo. A maconha, a vaca, a santa de madeira, o Daime, Jesus e Maomé: tudo merece a mesma quantidade de respeito, e de falta de respeito."
Sério, isso não é genial? Se formos parar para pensar, absolutamente TUDO pode ser "sagrado", levando-se em consideração a infinidade de pessoas e crenças que povoam esse planeta. E são os crentes (e uso esse termo de maneira genérica, me referindo a quem acredita em alguma coisa) que, muitas vezes, fazem-se ouvir entre os demais. 

domingo, 11 de janeiro de 2015

Complicada e (Nada) Perfeitinha





"The outward manifestations of an inner combustion are never very directed." 
A Long Way Down (A Longa Queda), de Nick Hornby 


"Fernanda, eu estou tentando, mas você é uma pessoa muito difícil de amar."

Bem. Taí uma parada que eu não estava esperando ouvir. "Você tem um temperamento horrível", tudo bem. "Você age como uma criança de seis anos quando está com fome", talvez. "Você definitivamente transpira demais para uma garota", triste, porém verdade. Mas essa de difícil de amar foi novidade. Veio do meu então namorado, há alguns meses, após alguma das nossas habituais brigas titânicas por assuntos banais. Era meio cômico como duas pessoas normalmente tão racionais e equilibradas eram capazes de brigas tão imbecis. Mas lá estávamos nós, barraqueando madrugada adentro, e eu tendo que ouvir aquilo. A ideia inicial era rebater - afinal, posso ser várias coisas nessa vida, porém obrigada não é uma delas. Mas, numa virada inesperada de eventos, eu não tinha o que falar. Ele estava certo. A ficha caiu, caiu e desceu arrebentando tudo. Nosso namoro não acabou oficialmente ali, mas acho que nós dois entendemos que não tinha mais muito propósito. A bola de destruição Fernanda Prates havia acabado de demolir mais um prédio. E tinha gente dentro. 

Eu tentei racionalizar. Eu jurava que era a namorada perfeita. Como diabos eu poderia ser difícil de amar? Eu não sou ciumenta. Converso sobre basicamente todos os assuntos com certo entusiasmo - até mesmo hobbies alheios pelos quais nutro de pouco a nenhum interesse. Faço uma boa massagem no pé. OK, faço uma massagem no pé bem ruim, porém entusiasmada. Gosto de sexo, de ver filme de ação, de passar o dia na cama falando bobagem e de passar a noite bebendo cerveja em bar reprovado pela vigilância sanitária. Eu fiz a matemática na minha cabeça e era pra dar certo. Era pros caras gostarem de mim. Mas, de algum jeito, estar comigo sempre pareceu virar uma tarefa difícil. Mesmo para os mais apaixonados. Não era a primeira vez que eu fazia alguém se sentir assim. Mesmo fazendo de tudo para agradar, eu sempre dei um jeito de dificultar a vida das pessoas. Eu achava que isso ia mudar quando achasse alguém forte o suficiente, corajoso o suficiente. É assim que acontece em filme, né? A garota "difícil de lidar" acha um cara otário o suficiente pra ficar embaixo da janela dela com um rádio tocando Peter Gabriel - de preferência o John Cusack dos anos 80 - e fica tudo bem no final. O amor muda as pessoas. Se não mudou, é porque não é amor. Não é? 

sábado, 10 de janeiro de 2015

Ano Novo!





O ano acabou e eu, por mais estranho que possa parecer, não fiz meu tradicional balanço de final de ano, que sempre faço nos últimos dias de dezembro. Acho que ainda dá tempo. Mesmo que ninguém esteja interessado em como foi o meu ano nada incrível, assim como ninguém está interessado no seu ano no Facebook, a não ser você mesmo, preciso fazê-lo, mesmo não tendo grandes conquistas pra comemorar ou muitos momentos especiais. Preciso fazê-lo para expurgá-lo de alguma forma pois, se não o faço, é como se algo ficasse pendente, no limbo. Um ano não encerrado de fato.

Sei lá, 2014 foi um ano atípico. Tive momentos memoráveis com pessoas incríveis, mas no âmbito profissional e nos estudos, muita coisa ficou à desejar. Pela primeira vez fiquei um longo período sem trabalhar (todo o primeiro semestre), e eu quis muito isso, precisava. Foi ótimo, só fazer planos, idealizar, dormir muito e poder ir ao cinema, teatro e exposições a qualquer dia e hora da semana. Mas foi péssimo constatar, já no segundo semestre, que nada sairia como os planos idealizados. Isso sem falar na faculdade, outrora tão excitante, agora mecânica, chata, desmotivante.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Sobre as Coisas Que Eu Não Disse: Marcelo





admirava seu cabelo negro, liso, curto, raspado. não importava que eu o ajeitasse com as pontas dos meus dedos e assim podia sentir como ele era sedoso. gostava de passar as mãos sobre ele e descer devagar sobre sua nuca. era estranho sentir desejo pela sua nuca? minha língua roçava sobre ela, ora em movimentos circulatórios, ora de cima pra baixo. adorava quando seu cabelo estava espesso, macio como o tecido da sua camisa preferida, aquela mesma que eu jurei não lhe devolver mais. você sempre fora tão vaidoso, odiava que as roupas não caíssem bem em seu corpo. contemplava suas costas largas que evidenciavam seus dias na piscina, ou nas quadras de voleibol. seus ombros, seus braços fortes que marcavam a camisa sempre apertada pulsando um muque que crescia a cada dia e que você exibia para mim, só para mim e eu os beijava devotamente. via seus pequenos sinais e certa vez comecei a contá-los, mas você disse que iriam nascer mais se eu continuasse contando e eu disse que preferia que nascesse uma verruga em minha testa se eu tivesse que parar de fazer e você me chamou de bobo porque as verrugas só nascem para quem estar a contar estrelas e eu pensei que bobo era você, por não saber que seus sinais eram pequenas estrelas e você é meu universo. sua camisa terminava onde começava o cós da sua calça e bastava você levantar os braços que eu podia ver o começo de sua cueca quando de repente virou moda deixá-la à vista. e como ciumento eu sou. todos podiam saber o que apenas eu deveria saber. eu que tentava sempre adivinhar com qual cueca você estaria vestido não precisava de muito esforço. seu bumbum grande e arrebitado estava tão facilmente em minhas mãos. e suas pernas. suas pernas podiam passar o dia correndo de um lado para o outro e eu não me cansava. ao contrário dos outros rapazes você se preocupava com elas. eu gostava de te ver de shorts, ou quando estava enfiado naquelas calças jeans. alguns homens nasceram para usar calças jeans. que bom que o meu era um desses. seus tênis eram sempre brancos ou pretos e você dizia que estas cores combinavam sempre com tudo. secretamente eu cheirava seus sapatos porque eu queria saber como era todo seu cheiro inclusive o cheiro dos seus pés durante o dia em que não estavas comigo. porém, quando estavas, me entretinha em seus pés por horas. mal sabia você que eu já conhecia o cheiro deles antes mesmo depois de tomar seu banho e passar um bom tempo a tentar me enganar com um outro cheiro. eu já sabia, mas você não sabia. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Haters Gonna Hate!





Hoje, muito mais que o amor livre, as pessoas estão odiando. Percebo que existe uma facilidade maior em não gostar de alguém. E isso não é algo solitário, estamos diante de um ódio coletivo, em massa. Seja direcionado para uma pessoa, um grupo especifico, ou simplesmente um objeto. 

Sei que com a internet, as portas do inferno foram abertas e todo mundo decidiu dizer o que realmente pensa, sem filtros e sem considerar o outro. A vítima. No quanto às palavras podem ofender ou machucar. Também não quero exagerar e afirmar que só se propaga o ódio por hashtag na timeline alheia. Afinal, quem quer amar, ama, e quem quer total fama e compartilhamento, odeia! 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Barba





Uma das coisas que me chamou bastante atenção no projeto do Barba Feita foi o seu nome. Se você fizer uma busca no Google dessa expressão, vai encontrar diversos links que apontam a como se fazer a barba, ter uma bem desenhada ou similares... A escolha do nome para esse site – uma metonímia, para os que se lembram das aulas de Português – passa exatamente a sua essência: algo masculino e bem cuidado. Que comprove que não é necessário estar dentro do quarteto “mulher-esporte-cerveja-carros” para ter atestado de homem com H. E que isso independe de ser hetero, homo, bi, pan, trans, metro, über ou lumbersexual (o último grito de rotulação cunhado pelos fashionistas muito ocupados em seus afazeres).

A barba é algo inerente ao universo masculino. É curioso que, diferentemente da pedra, do metal, da roda e do fogo – que o homem passou a manipular ao longo da História –, a barba é algo que nasceu com os machos da nossa espécie (ok, algumas fêmeas também, mas isso não vem ao caso...). Tivemos, na verdade, que aprender a apará-la ou raspá-la ao longo dos milênios (ou mantê-la crescendo eternamente, se você tiver um Osama way of life).

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Quem Vê Cara, Não Vê Histórico De Navegação





Ah, eu adoro a internet. Sério, gente, eu me amarro! Entro no Facebook e fico um tempão vendo foto dos outros, páginas de humor, nossa, eu fico rindo sozinho, às vezes compartilho alguma coisa, comento com quem está do meu lado, é uma maravilha. Tem também o mundo mágico das celebridades, né? Como entrar na internet e não pesquisar sobre o que rola nos bastidores do mundo dos famosos? Não tem como, não tem (vide o sucesso da minha coluna #VergonhaAlheia, no Pop de Botequim)! Vejo notícias das minhas atrizes favoritas, dos meus atores favoritos, das bandas que eu mais gosto, nossa, eu me perco nesse mundo de notícia. 

Tem também a hora que eu paro pra ver um pornozinho, porque ninguém é de ferro, né? Mas não fico muito nisso, porque hoje em dia a indústria pornográfica está muito óbvia, eu acho. São sempre as mesmas coisas, seja hétero, seja homo, é sempre tudo igual, então eu dou uma olhadinha rápida, assim, só pra ver se surgiu algo novo, depois volto pros meus afazeres.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Eu Beijei Uma Garota





"I kissed a girl and I liked it 
The taste of her cherry chapstick 

I kissed a girl just to try it 
I hope my boyfriend don't mind it 
It felt so wrong, it felt so right 
Don't mean I'm in love tonight 
I kissed a girl and I liked it..."
I Kissed a Girl (Katy Perry)


Sou casado há quatro anos. Com um homem. Desde muito novo sempre soube do que efetivamente gostava na vida, mas por convenções sociais, religiosas e hetero-normativas, vivi uma vida de hipocrisia por muito tempo. Até que com a maturidade cansei do teatro, das mentiras e fui viver a minha vida. Sem dar explicações a ninguém, mas também sem viver escondido dentro de um armário claustrofóbico. Saí de Nárnia sem grande estardalhaço, mas saí.

Depois disso, tive alguns namorados (mentira, só dois) até que conheci o meu atual que, ouso dizer, é a minha pessoa. Sabe aqueles clichês que somos condicionados a acreditar desde pequenos? Pois é, eu vivo o meu clichê bonitinho, ao lado de alguém que me quer bem e que eu amo muito. Mas estamos longe de ser modelos-padrão de qualquer coisa. Nos amamos, nos respeitamos, mas temos nossos próprios códigos de relacionamento que, apesar de não serem os mais convencionais (de boa, somos gays, como ser convencional assim?), nos são muito adequados.

domingo, 4 de janeiro de 2015

A Distância e o Desapego





Distância”. Uma palavra forte, geralmente envolvida por sentimentos negativos, seja por conta de um relacionamento que não deu certo, pela saudade que a morte trouxe ou pelo atraso de todos os dias até o trabalho. Para alguns, também é considerada um desafio a ser conquistado, barreiras que a vida nos impõe. É a perspectiva realizando a sua função. 

O mundo é repleto de pessoas. Pessoas têm sentimentos, pensamentos e sensações que levam à ações. São elas que fazem o nosso dia valer a pena ou o transformam em uma completa catástrofe. E, convenhamos, há catástrofes por todos os lados! Vai entender, há quem está com a alma cansada e ainda liga a televisão para encontrar histórias de outrem, ou que busca na Internet o conforto das palavras digitais e descansa em um travesseiro de vazios. Onde foram parar as histórias da nossa própria vida? Onde estão as palavras que nos trazem de volta ao aconchego dos braços de quem nos ama? 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Barba Especial: Cinco Filmes com Temática Gay Amados e Imperdíveis!








Hoje é o primeiro sábado do ano e nós do Barba Feita preparamos uma lista mega especial para você. Quem acompanha as colunas semanais já percebeu que temos gostos bem distintos, e isso é o mais divertido. Então, pensando nisso, cada um de nós separou o seu filme com temática gay favorito como uma dica para você.

É uma lista bem eclética. Vamos do clássico ao blockbuster, mas todos com uma enorme importância para cada um de nós. Afinal, alguns filmes acabam sendo o retrato do que passamos ou dos momento em que vivemos. 

Seja sobre descobertas, seja sobre o "nosso mundo" - que muitos têm muita curiosidade e a grande maioria acaba ficando, na maior parte das vezes, só no campo da imaginação e pura fantasia -. Ou seja, uma bela história de amor, correspondido ou não. Existe um filme para cada um de nós e para todos os gostos.

Vamos à nossa lista?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Sobre o Meu, os Seus, os Nossos Anos...





Começos são sempre difíceis. Estava pensando em mil coisas que poderia dizer neste primeiro texto do ano. Talvez revelar mais sobre mim. Apesar que, a cada post parte de mim acaba por ser revelada. Talvez escrever sobre o fim do ano e o que espero do começo desse, mas, sinceramente, eu sou do tipo que segue em frente e não sou uma pessoa de fazer planos a longo prazo ou de estabelecer metas. Mas pensei que, por ser o último ano na faculdade, eu devesse estabelecer algumas. Talvez, por causa do Barba Feita (e do Pop de Botequim), eu devesse organizar melhor meus pensamentos, ideias, textos. Talvez, por causa de tudo isso, devesse organizar minha vida que anda complicada; não acho que esteja bagunçada, entretanto, está longe do que eu gostaria que fosse.

Lembro que, quando era criança, pensava que minha vida seria completamente diferente do que é hoje, mas também acreditava que o mundo seria outro. Bem longe de todas as expectativas, acabei aceitando tudo que me foi dado e rejeitando o mundo como ele é. Um mundo onde as pessoas preferem sempre o que está dentro de um determinado padrão. O ser diferente não parece agradar, mesmo assim, ainda vejo um mundo melhor agora do que era algumas décadas atrás, onde ser negro e ser gay eram ofensas à sociedade.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A Lista de Ano Novo ou #EuVouFazerEm2015





Primeiro de janeiro. Vamos deixar pra lá o ano que passou e focar no que queremos viver daqui pra frente. Acredito que você já tem uma lista do que quer realizar em 2015 e também aposto que só colocou itens que já figuram nas listinhas como essa de todo ano. Se for algo que comece com academia e termine com se alimentar melhor, caia na real, não vai acontecer! Não quero dizer que você não fará nenhuma dessas coisas em nenhum momento da sua vida, muito pelo contrário. O que estou tentando mostrar é que você, querido leitor, está criando uma lista de impossibilidades para seu ano. E o que é pior, você sabe!

No primeiro item na lista de resoluções de ano novo de qualquer pessoa (isso inclui a minha) deveria estar o comprometimento. Sim. Você só deve escrever os objetivos que realmente serão possíveis de se comprometer, para assim poder realizar. Do que adianta escrever que quero me tornar vegano, se todo dia almoço em uma churrascaria? Não que alguém em uma situação dessas não consiga, mas aí é ter muita força de vontade, e, convenhamos, alguém que coloca isso em uma lista de metas, pode ter tudo, menos força de vontade.