domingo, 4 de janeiro de 2015

A Distância e o Desapego





Distância”. Uma palavra forte, geralmente envolvida por sentimentos negativos, seja por conta de um relacionamento que não deu certo, pela saudade que a morte trouxe ou pelo atraso de todos os dias até o trabalho. Para alguns, também é considerada um desafio a ser conquistado, barreiras que a vida nos impõe. É a perspectiva realizando a sua função. 

O mundo é repleto de pessoas. Pessoas têm sentimentos, pensamentos e sensações que levam à ações. São elas que fazem o nosso dia valer a pena ou o transformam em uma completa catástrofe. E, convenhamos, há catástrofes por todos os lados! Vai entender, há quem está com a alma cansada e ainda liga a televisão para encontrar histórias de outrem, ou que busca na Internet o conforto das palavras digitais e descansa em um travesseiro de vazios. Onde foram parar as histórias da nossa própria vida? Onde estão as palavras que nos trazem de volta ao aconchego dos braços de quem nos ama? 

Trazemos em nosso cotidiano hábitos que antes não existiam, mas que parecem sempre ter existido. Sabemos tudo o que ocorre na vida das pessoas ao redor com apenas um clique, e as idas ao café ficam cada vez mais vazias, mais esquecidas, mais solitárias. A solidão nunca foi e nunca deveria ser algo ruim: é o momento de conversar com a alma, de escutar o nada e sentir o tudo. Onde tudo isso foi parar? 

Há alguns anos conheci uma pessoa e me deixei levar pela paixão. “O essencial é invisível aos olhos”, pensei. Fugi da rotina e me apoiei em um relacionamento à distância que nasceu errado, mesmo que eu achasse certo. Foram meses onde a distância, que até então era negativa, se transformava em obstáculo – quanto tempo até que eu a veja novamente? Em constante mudança, girando com os pés nesse mundo torto, tudo mudou e me vi preso a alguém que não deveria fazer parte da minha vida. Éramos tão diferentes, como não percebi? Ideias contrárias, futuros divergentes... Paixão, não apareça nunca mais! 

Meses após o término, a vida desta antiga paixão ainda me assombrava. Pequenas mensagens, ideias, opiniões tão diferentes e que sequer eram direcionadas a mim pareciam me atingir como adagas no estômago. “A vida segue; mantenhamos uma amizade”, infelizmente pensei. É possível que nos sintamos bem ao acompanhar a vida daquele que lhe fez se sentir inferior e preso a algo que não criaria raízes? Como sempre evitemos a distância. Ela é ruim, certo? Fiquemos próximos de um passado vazio, com mensagens raivosas na gaveta, com imagens que já deveriam ser esquecidas. Mas tudo bem, está tudo guardado sob o tapete. 

A explosão. O comentário vem em minha direção, atingindo o peito com força. O ar acaba, as mensagens raivosas saem da gaveta, as imagens parecem reais. A culpa é do outro, ele é quem pouco sabe, quem continua com os mesmos problemas, não entende o que é amar. As palavras continuam machucando, a proximidade aumenta. Chega. Não aguento mais! Hoje acordei e senti a necessidade de uma distância boa, daquilo que não me faz bem, daqueles que são tão diferentes de mim. Não quero parecer injusto ou ingrato: agradeço por todas as experiências que vivi e senti. Mas é preciso se desprender daquilo que nos impede de seguir em frente. O tempo passa, as vidas se vão, a pele enruga. É preciso estar em paz, encontrar o sorriso nos dias difíceis. 

Encontrei na distância o essencial para a vida. É com ela que os relacionamentos acabados deixam de existir, que traz as boas lembranças tão ocultadas pelos maus momentos. Para mim, só desejo paz, quero apenas o melhor. E aos que ficaram longe, separados pelo novo muro que acabei de criar, eu desejo boa sorte. Que estejamos sempre cercados somente do que nos leva adiante. Adeus!
Leandro Faria  
Leandro Rizzardi, é paulista, tem 20 e poucos anos e vive a vida entre os roteiros e ministrando aulas de inglês. Apaixonado por séries, games e pela existência, está aprendendo a se desapegar e a conhecer novas possibilidades para a vida...
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Um comentário:

Lis disse...

Lindo texto. ..Difícil é tomar a decisão de deixar ir...mas quando tomamos sentimos verdadeiramente o que é ser livre