segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Eu Beijei Uma Garota





"I kissed a girl and I liked it 
The taste of her cherry chapstick 

I kissed a girl just to try it 
I hope my boyfriend don't mind it 
It felt so wrong, it felt so right 
Don't mean I'm in love tonight 
I kissed a girl and I liked it..."
I Kissed a Girl (Katy Perry)


Sou casado há quatro anos. Com um homem. Desde muito novo sempre soube do que efetivamente gostava na vida, mas por convenções sociais, religiosas e hetero-normativas, vivi uma vida de hipocrisia por muito tempo. Até que com a maturidade cansei do teatro, das mentiras e fui viver a minha vida. Sem dar explicações a ninguém, mas também sem viver escondido dentro de um armário claustrofóbico. Saí de Nárnia sem grande estardalhaço, mas saí.

Depois disso, tive alguns namorados (mentira, só dois) até que conheci o meu atual que, ouso dizer, é a minha pessoa. Sabe aqueles clichês que somos condicionados a acreditar desde pequenos? Pois é, eu vivo o meu clichê bonitinho, ao lado de alguém que me quer bem e que eu amo muito. Mas estamos longe de ser modelos-padrão de qualquer coisa. Nos amamos, nos respeitamos, mas temos nossos próprios códigos de relacionamento que, apesar de não serem os mais convencionais (de boa, somos gays, como ser convencional assim?), nos são muito adequados.

E durante essa minha vida, que já passa dos 30 anos, já tive algumas muitas experiências marcantes envolvendo homens e mulheres. Porque se hoje amo um homem, já amei mulheres (uma em especial me pirou totalmente a cabeça e agradeço imensamente a ela por ter sido uma filha da puta de marca maior e por ter evitado que fizéssemos uma imensa besteira da qual eu me arrependeria amargamente, mas divago) e sim, me senti atraído por muitas delas. Tanto é que brinco com o namorado que, eventualmente, gostaria de me divertir com uma mulher para relembrar os velhos tempos. E ele? Apenas ri.

Grande introdução, não acham? E tudo isso para contar minha “aventura”, de alguns (muitos) dias atrás. Uma festa, alguns amigos, uma nova amiga. O DJ tocando, os corpos se balançando e meu amigo (gay) que havia apresentado a menina a todos nós dando um homérico defeito e beijando a menina na frente de todos. Oh, meu Deus, o mundo está perdido, o que acontece com essas pessoas? Nós rimos, é claro, e continuamos a dançar enquanto a noite avançava.

Foi assim que meu amigo (o mesmo) se interessou por um cara e, enquanto ele conversava com o rapaz, iniciei um papo aleatório com sua amiga, a mesma que ele beijara anteriormente. Ela era divertida, descontraída e estava alegrinha pela dança e pela bebida. Ríamos e dançávamos juntos e nessa, corpo a corpo, movimento a movimento, reparei em sua boca. Vermelha, com um brilho interessante e seu sorriso provocante. E eu pensei: Será?


E eu beijei uma garota. Senti seus lábios, o gosto do brilho labial, o contorno de seu corpo em minhas mãos. Na minha cabeça tocava Katy Perry e eu ria da associação. Katy Perry beijou uma garota e gostou disso. Eu também. E eu continuava beijando e rindo e dançando. E só então me dei conta do mundo ao redor, da festa, dos meus amigos, do meu namorado.

Continuei dançando, é claro, e pouco a pouco me desvencilhei do beijo, da garota, do seu gosto. Ao meu lado, meu namorado me olhava com um olhar travesso e divertido, do tipo: “Eu não acredito que você fez isso!”. Mas eu havia feito. E me divertido.

Eu beijei uma garota. Mas... who cares?
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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3 comentários:

Anônimo disse...

eca
estragou a boca!

Margot disse...

Nunca beijei uma garota...graças a Deus, mas, tudo bem....seu amor se divertiu com você fazendo isso. Tá valendo!

Margot disse...

Nunca beijei uma garota...graças a Deus, mas, tudo bem....seu amor se divertiu com você fazendo isso. Tá valendo!