segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Lembranças de Um Passado Equivocado





"Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo 
Temos todo o tempo do mundo..."
Tempo Perdido (Legião Urbana)

Sempre fui de escrever muito. Seja para clarear as ideias ou simplesmente como treino, gosto de botar as ideias em palavras e, eventualmente, publicá-las.  O que é engraçado, já que até hoje consigo encontrar textos que publiquei anos atrás em blogs na internet, mas os que guardei para mim, em arquivos secretos no meu computador, nunca mais vi.

E, pensando na coluna de hoje, lembrei do meu primeiro blog (tive muitos depois dele) e, através de uma googleada, acabei nele. E, putz, que vergonha! Em arquivos de 2004, me vi em lamentações bestas, reclamações absurdas e textos sem pé nem cabeça (sem contar as fotos horrorosas que tive coragem de publicar; sério, melhorei BEM de 2004 pra cá, mas divago). Claro que, nesse processo, o que tinha pensado inicialmente como tema da coluna foi para o espaço e cá estou eu escrevendo sobre o passado.

O que lembro de 2004? Pra começar, eu tinha 22 anos. Estava no meio da faculdade, morava no interior do Rio, trabalhava em Petrópolis e tinha amigos que hoje sequer fazem parte da minha vida. Tinha terminado um namoro de dois anos (para o qual voltei depois, para mais uns dois anos), era hipócrita toda vida e fazia parte de uma instituição religiosa. Era qualquer coisa, menos eu.

Em 2004, eu não pensava que em 2015 minha vida seria tão diferente. Que em 2015 eu seria tão feliz. Não que a vida hoje seja uma maravilha, sem nenhum tipo de problema, mas só pelo fato de saber quem efetivamente sou e de ter deixado grande parte da hipocrisia de lado, já me sinto uma pessoa melhor. Acho que foi sobre isso que eu falei na semana passada, essa hipocrisia que me voltou como um tapa na cara ao ler os textos do passado. A gente cresce, ainda bem...

Lembro com detalhes, em especial, do carnaval de 2004. Eu havia terminado o namoro pouco tempo antes e aceitei o convite de um então casal de amigos para viajar para a região dos Lagos, no Rio. E foi um carnaval totalmente bizarro, se eu comparar com os que passei depois. O carnaval era apenas mais um feriado e eu fui para a casa de uns amigos dos amigos com eles. Todos da mesma instituição religiosa, com assuntos religiosos (que envolvem, quase sempre, fofoca sobre a vida "errada" das demais pessoas e críticas sobre tudo e todos) e conselhos diversos sobre como deveria levar o meu caminho com o fim do namoro (um era padrão: largar o trabalho e a faculdade - faculdade não é de deus! - e me dedicar a uma vida abdicada, voltada aos interesses da religião. Ah, tolinhos...

Em retrospecto, penso em como segui com essa vida de mentiras, ou melhor, de falsas verdades, até bem depois de 2004. Somente em 2007, já formado e finalmente fora da casa dos meus pais, tomei o rumo da minha vida, do que efetivamente queria para mim. Pensando bem, acho que 2007 foi o divisor da águas da minha vida, quando o Leandro Faria de hoje finalmente surgiu e tomou conta da situação, deixando todo o desconforto de antes para trás. Bendito 2007, devo dizer.

Lendo meu antigo blog em busca de inspiração para esse texto, foi impossível não lembrar do último caso da coluna Sexo Oral de quinta-feira passada aqui do Barba. Apesar de nunca ter tido uma crise como a escrita pelo Adolescente Confuso, acho que todo mundo é meio perdido na flor da idade, quando ainda vive (e presta contas) aos pais e morre de medo do mundo lá fora. Foi por isso que fiquei com uma vontade absurda de dar um abraço naquele menino, como senti a mesma vontade abraçar o Leandro de 2004. Porque se eu tivesse uma máquina do tempo, certamente iria até daquele pobre rapaz, daria um abraço e diria que tudo aquilo um dia ia passar.

No fim das contas, a coluna de hoje foi apenas um amontoado de lembranças e comentários sobre elas. O que, convenhamos, muitas vezes é um tanto quanto bom. Para o autor pelo menos, que se lembra do passado, com nostalgia ou não. E pode sorrir ao ver que a vida, essa brincalhona, segue seu fluxo e mostra os caminhos. Basta você se permitir.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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4 comentários:

Esdras disse...

Acho que chorei um pouquinho com esse texto!

Francine Tribes disse...

O depois dos trinta é melhor que o depois dos vinte, né? rs... fico feliz de ter participado desse seu divisor de águas... 2007 também foi um grande ano pra mim... foi quando conheci meu marido... tipo... fazia uma semana que tinha começado a ficar com ele quando fui lá pra sua festa de formatura... um ótimo ano mesmo!
Beijinhos...

Shumy disse...

Crescer é uma maravilha, mas saber ver as mudanças no caminho e descobrir que hoje somos melhor do que ontem, não tem preço!!! Espere para ver quando estiver perto dos quarenta... Rs... Bjus

Karine Leão disse...

Então, Lê... 2004 foi a época que nos conhecemos, época boa... mas entendo o que você quis dizer... olhar para trás e ver que hoje somos diferentes, que aprendemos com a vida e com os trancos desta, me deixa feliz em ter a idade que tenho, pois percebo que sou a construção de toda uma vida.
Melhorar com os anos, principalmente abrir mão da hipocrisia, de falsos valores é algo que não devemos abrir mão.
Lembro de 2007 e da sua formatura e de tantas outros momentos importantes... e de tudo, relendo você hoje, confirmo que externar o que os sentimentos através das letras é algo que você sempre soube fazer muito bem!
Enfim, crescer, aos 20, 30, 40 ou mais, é sempre bem vindo!!!
Beijos meus!