sábado, 17 de janeiro de 2015

Por Que Não Tenho Namorado?





Nos últimos meses, tenho sido questionado com maior frequência, se já namorei alguma vez e por que não namoro atualmente. Confesso que, um tempo atrás achava a pergunta meio constrangedora. Porque, não, nunca namorei, nunca tive um relacionamento com outro cara. 

Com 25, 26 anos, eu ficava com vergonha de confirmar que nunca tinha tido um namorado e, às vezes, inventava que sim, que obviamente já tinha namorado antes. Mas nessa idade, quando dizia a verdade, muitas pessoas não ficavam tão chocadas, achavam que eu ainda era jovem pra me envolver seriamente com alguém, e que devia aproveitar mais, me divertir bastante antes de me comprometer com um relacionamento, e então eu respirava aliviado com a condescendência alheia. Afinal, admitir que eu nunca tinha tido ninguém pra chamar de meu, já tendo vivido um quarto de século era, no mínimo, assumir que havia algo de muito errado comigo. E os outros deduzirem que eu estava solteiro por opção até então, era ótimo, pois me poupava uma série de explicações. Na verdade, não namorar naquela época, não era uma opção, mas isso explicarei mais à frente. 

Hoje, aos 33 anos, quando me perguntam se eu já namorei, continuo achando deselegante, mas ligo o botãozinho do foda-se e respondo sem nenhum constrangimento: "NÃO, EU NUNCA NAMOREI". E as pessoas ficam profundamente chocadas. Porque uma criatura de 33 anos nunca ter namorado na vida, certamente tem algum problema. Sim, meus caros, parece triste, mas não sofram por mim, não é tão horrível como parece. Lá se foram oito anos do tempo em que a tal pergunta me constrangia e eu ainda não encontrei minha cara-metade. Mas, como andam me questionando muito sobre isso ultimamente, tenho tido a santa paciência de explicar os motivos pelos quais nunca namorei, pois hoje tenho uma clareza dos fatos que nem eu mesmo conhecia e também, para não passar recibo de estranho perante os inquisidores. 

A explicação é simples. Fui criado num ambiente completamente anti-gay. Com pais fervorosamente religiosos. Antes de eu saber que era gay, apenas uma criança, muitos já apontavam o dedo pra mim, assim eu tinha noção desde sempre de que era bem diferente da maioria dos que me cercavam, de que tinha algo de "errado" que precisava ser consertado, porém, viver uma vida gay não era uma possibilidade. Diante dessa impossibilidade, lá pelos 12 anos, eu fantasiava que, exatamente aos 25, algo de mágico aconteceria e eu me casaria com uma linda moça. Mal imaginava que aos 25, a linda moça seria eu (brincadeira gente, não sou tão efeminado assim, tá bom, só um pouco. Será por isso que não tenho namorado? Assunto pra outro post). Mas, enfim, quando realmente constatei aos 15 que o casamento com a tal moça nunca aconteceria e entrei naquela fase insuportável onde os hormônios se digladiam dentro de você, deixando a grande maioria dos adolescentes com um fogo no rabo quase incontrolável, continuei sendo um garoto tranquilo. 

Eu via os namoradinhos na escola e pensava que nunca ia acontecer comigo. Na verdade, achava um absurdo; pra mim, eram crianças namorando. Eu me senti criança durante muito tempo. Então, na minha cabeça, não era tempo pra isso, e talvez nunca fosse. Namorar outro garoto, era uma utopia que eu ousava pensar só em meus sonhos e devaneios, registrados em meus diários, meus poemas e minhas novelas sobre amores impossíveis. Meus desejos eram secretos, proibidos, eu tinha medo de tudo, era retraído, desajeitado. Como ter um namoro gay nessas condições? 

Passada a adolescência, quando fiz 21 anos e saí de casa, o momento parecia propício para um namoro, mas ainda me sentia imaturo para tal e aproveitei pra curtir e descobrir a efervescência da vida gay que ainda não tinha tido a chance de conhecer. Me joguei e aproveitei as descobertas que deveriam ter sido feitas na adolescência, então namoro não passava pela minha cabeça. Além do mais, minhas maiores preocupações eram estudar e trabalhar pra me manter. Sempre tive sonhos difíceis de concretizar, por isso o foco tinha de ser redobrado, namoro definitivamente não era prioridade. 

Eis que aos 25 anos, uma paixão avassaladora me atropela como um caminhão. E eu só consigo pensar que finalmente achei o namorado dos meus sonhos. Ele era o primeiro cara gay por quem me apaixonava. Todas as outras paixonites, obviamente platônicas, foram por homens héteros. Então, meu encantamento por ele era redobrado, era meu primeiro amor passível de ser correspondido, já não tivesse ele namorado e uma bagagem emocional difícil e complicada de encarar, que eu estava completamente disposto a carregar com ele, se ele simplesmente me dissesse "sim". Não disse. E foram meses de um drama romântico digno de Félix e Niko, sem final feliz. 

Desacreditado de viver um romance do jeito que sempre sonhara, passei a não me importar mais com isso. Aí vieram os 26, os 27, 28, 29, os 30, um novo delírio de amor e uma nova decepção. Depois desse último, já calejado e finalmente maduro, enfiei na cabeça que não dá pra viver como a eterna donzela sonhadora que idealiza o romance perfeito e fica chorando, escorregando pela parede, enquanto ouve Elis cantando Atrás da Porta, pelo homem que não a quis. 

Quando me perguntam hoje por que nunca tive um namorado, respondo que sempre tive outras preocupações maiores e não era o momento. Que agora sim, me sinto preparado e pronto pra receber alguém na minha vida e viver um romance sério, adulto e verdadeiro. Mas, como todos sabem, tá mais fácil achar uma agulha no palheiro, do que um relacionamento assim, e olha que eu nem tô falando de amor, resolvi aceitar que esse pode vir com o tempo. Sendo uma boa companhia e tendo algumas afinidades básicas, já tá ótimo. 

Resumindo: não tenho namorado, porque o mundo é injusto, as pessoas são estranhas. Porque não quero um namorado pra esfregar na cara da sociedade que não estou avulso. Não tô desesperado, MESMO COM 33, e morro de preguiça de procurar por algo que acho que não deve ser procurado, mas acontecer naturalmente. E mesmo com tudo isso, há uma semana, acabei me rendendo aos tais aplicativos e, sinceramente, já tô de saco cheio. E como não ficar com esse micro-diálogo infame: 

- Sabe mamar bem? (ele) 
- Nunca reclamaram. (eu) 
- Quando pode? 
- É só isso que vc quer? 
- Vc quer o q? 

Saio do aplicativo. Mostro pra um amigo e ele ri da minha cara, dizendo: Ah, gay, você quer romance no aplicativo?!. Seria pedir muito, um pouco mais de sutileza? 

Mas, concluo que não ter um namorado não é uma questão que me abala, tanto quanto abala os outros. É muito difícil pra uma bicha entender e aceitar que outra bicha pode ficar bem sozinha, ser auto-suficiente, se bastar, sem com isso sentir vontade de cortar os pulsos de vez em quando. Não vou ser hipócrita e dizer que não sinto vontade de passar pela experiência de um namoro, mais do que isso, de um romance. Talvez esse seja o X da questão, há muitos namoros por aí e pouco romance, e não sei se tô a fim de encarar apenas um namoro, afinal tenho meu jeito, minhas coisas, já vivi tanto tempo sem ninguém e adoro minha solidão. De qualquer forma, sinto que fui criança na adolescência, adolescente na juventude e agora no auge da idade adulta me sinto como se tivesse com 20 anos. Quem sabe aos 40, quando possivelmente estarei com o vigor dos 30, o tal namorado apareça. E se não aparecer também, que se dane, não sou obrigado a ter namorado! 

Cada um aceita o amor que acha que merece. Talvez o amor que eu acho merecer ainda demore ou não surja nunca. 

Agora me dá licença, que eu vou ali cortar os pulsos!
Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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3 comentários:

Unknown disse...

Nossa!
Vou fazer 30 anos e me identifiquei um absurdo com cada letra escrita. As vezes comento com uma amiga, que nasci pra ficar só. Na maior parte do tempo isso não me incomoda, mas tem horas que sinto bastante falta. Falta de alguém companheiro, não um príncipe. Não idealizo ninguém. Deixei nas mãos de Deus, talvez eu não mereça tanta gente vazia. Ou será que o vazio sou eu?

FR Promotora disse...


Pessoal,um dos maiores segredos entre as mulheres que não arrumam namorado, geralmente é a auto estima.Se você achar que PRECISA de um cara, e ficar desesperada, nunca vai conseguir mesmo.Precisamos estar felizes com nossas vidas, confiantes, tranquilas, e aí, atrair um cara bom vai ser quase que automatico!! Pra quem ta precisando de umas dicas boas, eu recomendo este vídeo,que fala tudo sobre o que devemos e principalmente o que não devemos fazer para atrair um relacionamento bom e que merecemos!! Assistam, vai ajudar muito:bit.ly/prontaparaamar3

romance disse...

É bom você fazer uma terapia de EFT (técnicas de libertação emocional). Essa terapia vai te ajudar a eliminar as intensidades emocional negativa e a despertar os sentimentos e lembranças embutidas. E é bem fácil ser aplicado, você pode aplicar em si mesmo. Clica no link e faça o teste.
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