quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Rótulos! Ou Como as Pessoas Inventam Desculpas Para Suas Vontades





Ser gay é um peso enorme. Ninguém quer o ônus de carregar esse “rótulo” e toda responsabilidade que ele agrega. Direta ou indiretamente. Ser gay, nos dias de hoje, é levantar algumas bandeiras, apoiando-as ou não.

Nos últimos tempos surgiram novas denominações para associar homens que ficam com outros homens, mas não ‘curtem penetração’, os G0ys. Ou homens que sentem desejo por outros homens quando utilizam algum tipo de droga, e são conhecidos agora pelo termo highsexual. O medo de ser associado a uma camada da nossa sociedade, cada vez mais tão presente e ainda tão marginalizada nos dias de hoje, faz com que mais pessoas criem “novos rótulos” para sobreviver ao bom e velho julgamento externo.

Vamos ser honestos. Muitas vezes o pai, mãe, avô e avó sabem que o filho, neto, sobrinho, primo é gay. E muitas vezes eles não se importam com isso. Não se importam desde que os vizinhos, amigos e familiares distantes não saibam a respeito. Afinal, cresci ouvindo que “bicha tem na família dos outros”, mas não na minha.

Conversando com alguns amigos, brincamos que algumas pessoas são também “alcoolsexuais”, pessoas que se interessam por pessoas do mesmo sexo, depois de beberem um pouco (ou muito) além da conta. Mas, procurando no fantástico mundo do Google, achei o termo correto para isso: drunksexual.  Sim, o termo que nasceu de uma brincadeira, na verdade já existe desde 2009, segundo o urbandictionary.com.

No fundo, acho isso tudo muito triste. Novas desculpas são dadas para mascarar o que se sente realmente. Seja o afeto por alguém do mesmo sexo ou o desejo. As pessoas estão procurando novas desculpas e fazendo algo que não deveriam: colocando rótulos. Já existem tantos que são démodés e continuam sendo dados a torto e a direito – apesar de que o peso, se comparado com o passado não muito distante (hello, anos 90) não é mais o mesmo – ou vocês acham que Geek não foi uma forma mais cool de denominarem os nerds nos dias de hoje? Mas significa a mesma coisa. Só que ser Nerd era, indiretamente, ser um monte de coisa que ninguém queria: estudioso, seguidor de regras, interessado em aprender algo, ser caxias... Só que hoje, ser nerd tem o seu charme, tem o seu “grupo”, tem o seu espaço.

Ser gay ou bi não é fácil. Existe muita luta por trás disso. Existe muito preconceito, muita discriminação e muita vontade de amar. Estamos constantemente tendo que mostrar que não somos os vilões da história e nem queremos acabar com a sagrada família. Ser gay hoje ainda é difícil, mas já foi pior. Muitos sofreram até que uma mudança significativa acontecesse e outros, infelizmente, não tiveram a chance de observar as coisas evoluírem. Estamos caminhando aos poucos, se comparado ao que poderia, mas estamos caminhando.

No fim, g0y, hihsexual ou drunksexual, não importa. O que vale é cada um se permitir viver aquilo que deseja. Sem medo. Sem pensar em julgamento ou rótulos. Só tentando ser feliz.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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5 comentários:

Luciana disse...

Também acho que todos devem fazer o que querem.. se quer pegar homem, mulher, os dois, que faça..
Poranto que nao use, nem brinque com o sentimento da outra pessoa.
Esse povo curioso tem muito medo de 'se assumir', e fica enrolando o coitado (a), e ai ja viu.. mais um gay/sapatao em depressão..
Não sou obrigada..
Ai vem o preconceito dentro desse nosso mundo tao colorido. Já fiquei com pessoas q não sou assumidas e vivem em nárnia. Mas eu nao entraria num relacionamento assim..
Depois q a gente sai do armario, nao quer nem chegar perto da porta...

Anônimo disse...

Não sei se esses novos "nichos" ou nomenclaturas criadas para dar satisfação são de fato interessantes. As pessoas usam destes para explicar e justificar o motivo do seu afeto. Acho que isso acaba transformando as pessoas em dicionários carentes.

Camila Cerdeira disse...

Uma das coisas que mais me dá raiva nessa questão de g0y, highsexual e o diabo que for é que sempre tratado como se fosse uma desculpa para o cara não se assumir gay, não se assumir um homem que sente atração apenas por outros homens.

Aparentemente a bissexualidade é algo inexistente, homem nenhum pode sentir atração física/sexual/romântica por homens e mulheres, ele precisa criar um termo bizarro para justificar esse comportamento e depois todos, incluindo a comunidade gay vão alegar que na verdade ele é apenas um gay incubado que não é capaz de se aceitar como gay.

Ser gay é difícil, ser gay é barra. Ser bissexual é inexistir.

Camila Cerdeira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Shumy disse...

As pessoas esquecem realmente que antes de qualquer rótulo existe uma pessoa com sentimentos, nossa sociedade hipócrita continua rotulando tudo ao seu redor e dificultando que pessoas vivam! Ainda bem que o ser humano é forte e muitos não desistem de buscar sua felicidade!