sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Sobre o Meu, os Seus, os Nossos Anos...





Começos são sempre difíceis. Estava pensando em mil coisas que poderia dizer neste primeiro texto do ano. Talvez revelar mais sobre mim. Apesar que, a cada post parte de mim acaba por ser revelada. Talvez escrever sobre o fim do ano e o que espero do começo desse, mas, sinceramente, eu sou do tipo que segue em frente e não sou uma pessoa de fazer planos a longo prazo ou de estabelecer metas. Mas pensei que, por ser o último ano na faculdade, eu devesse estabelecer algumas. Talvez, por causa do Barba Feita (e do Pop de Botequim), eu devesse organizar melhor meus pensamentos, ideias, textos. Talvez, por causa de tudo isso, devesse organizar minha vida que anda complicada; não acho que esteja bagunçada, entretanto, está longe do que eu gostaria que fosse.

Lembro que, quando era criança, pensava que minha vida seria completamente diferente do que é hoje, mas também acreditava que o mundo seria outro. Bem longe de todas as expectativas, acabei aceitando tudo que me foi dado e rejeitando o mundo como ele é. Um mundo onde as pessoas preferem sempre o que está dentro de um determinado padrão. O ser diferente não parece agradar, mesmo assim, ainda vejo um mundo melhor agora do que era algumas décadas atrás, onde ser negro e ser gay eram ofensas à sociedade.

Sempre gostei de ser o diferente. E ser o diferente pode ser para algumas pessoas o chato, aquele excêntrico que ninguém entende, o incompreendido. É mais fácil se colocar no lugar do comum do que no lugar daquela pessoa que gostaria de seguir um caminho diferente. Entretanto, para cada incompreendido que nasce, surge sempre alguém que possui a espada justiceira que lhe dá a visão além do alcance. Por experiência própria, posso dizer que encontrei várias dessas pessoas em minha vida. E, talvez, essas pessoas tenham me ajudado a entender a mim mesmo, a compreender que sou parte desse universo tanto quanto elas. Para essas pessoas deixarei sempre meu carinho, minha eterna gratidão por saber que os anos passam e, depois de uma certa idade, já ouvi dizer por aí, "eles passam depressa e os dias passam devagar."

Com o passar do tempo aprendemos a observar a chuva que cai. Cada chuva é diferente uma da outra, ela pode ser acolhedora, evitar que saiamos de casa para ficar mais tempo com as pessoas que gostamos. Ou inconveniente para alguns. Também pode limpar feridas que ainda estão para ser cicatrizadas. Com o tempo, passamos a perceber o canto do grilo que pode ser aborrecedor ou sinal de que o silêncio está trazendo novas perspectivas. Ou pode trazer boa sorte para os mais supersticiosos. Com o tempo, percebemos nossos medos, acertos e erros. Com o tempo, percebemos quem somos e mesmo assim, com o tempo, esquecemos disso.

O tempo, que pode ser tão implacável, talvez possa ser nosso aliado, mas isso vai depender de como apreciamos a chuva e o canto do grilo em nossas vidas.

Então aqui vos deixo com um pouco de mim, um pouco dos meus anos e, talvez, quem sabe, um pouco de vocês e de vossos anos, que assim seriam nossos.

Feliz ano novo. De novo.
Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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Um comentário:

Margot disse...

Obrigada pelo tanto de voce que conheço Serginho.... eu gosto muito e quero mais, com barulhos de grilo e chuva..ou não.

Abraços querido