sábado, 28 de fevereiro de 2015

Mães e Filhos





Três amigas e seus filhos; são elas minha inspiração para o assunto de hoje. Observo. Ouço as queixas e lamúrias. Sou solicitado a dar minha opinião. E, humildemente, tento dar um parecer ou conselho bacana à essas mães aflitas. Vamos aos casos. 

S. é uma colega de trabalho. Um doce de criatura, 43 anos, recém-separada do marido e mãe de três filhos: um menino de 12 anos, P.V., e duas meninas, E. de 14 e C. de 17. S. é realmente uma pessoa boa em sua essência e, por ser assim, carrega um caminhão de culpa nas costas. Resumindo bem sua história, ela teve um caso fora do casamento, o que motivou sua separação. Tudo bem, tudo normal, se não vivêssemos em uma sociedade machista até a medula. Como essa é a sociedade que nos cabe, S. foi tratada como a pior das adúlteras assim que o ocorrido foi confidenciado ao marido pela própria. Não cabe a ninguém julgar mas, com raras exceções, sabemos muito bem que quando uma mulher trai é porque há alguma falta da parte do homem, seja sexual ou emocional. Enquanto eles traem simplesmente por falta de vergonha e respeito, com raras exceções contrárias. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sobre Adoção




Então você se depara esta semana com a seguinte manchete:


Claro que a felicidade em saber que agora a criança encontrou um lar e é amada me deixou imensamente feliz, mas por outro lado foi um choque conhecer os verdadeiros motivos porque a criança fora rejeitada. Os tais casais a acharam feia e negra demais. Sim, ainda nos deparamos com tamanha insensatez por parte de pessoas que, não podendo ter filhos, acham que adoção é como ir no supermercado, escolher o produto e levar pra casa.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Sexo Oral - # 03





O carnaval passou, o mês está acabando, mas não poderia terminar sem que a gente falasse sobre o que mais gosta - e faz! Sexo, claro! E, seguindo toda uma tradição que se inicia aqui no Barba Feita, meu convidado dessa vez é o dono das quartas-feiras (até porque dizem que de quatro é mais gostoso), o senhor Paulo Henrique Brazão, ou como já conheço e chamo, PH! 

Embora as perguntas sempre sejam sobre sexo, dessa vez deu pra perceber que o foco foi mais a parte de relacionamentos, duradouros ou não, e o sexo que tem no meio disso tudo. Mas, dá pra ter só sexo, sem amor? Ou é possível ter os dois e não ser muito possessivo com nenhum deles? Muitas perguntas, muitas teorias e temos duas respostas para algumas delas. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Samba, Título e Contravenção




Existem poucas coisas nessa vida que eu posso dizer que odeio. Uma delas é a Beija-Flor. Sei que não estou sozinho. Já ouvi uma vez que a Beija-Flor é muito odiada porque ganhou muitos títulos, a exemplo da Imperatriz no início dos anos 2000. Mas fato é que eu não gosto da dita-cuja de Nilópolis desde muito criança – e olha que criança não gostar de coisa com nome de bichinho bonitinho é raro. E quando eu era pequeno, a Beija-Flor era o Botafogo das Escolas de Samba: não ganhava nada por décadas – o primeiro título dela que eu fui ver foi com 14 anos, em 1998, dividido com a Mangueira.

Logicamente que eu não fiquei contente com o resultado da última apuração. Até porque minha escola do coração, a Viradouro, foi rebaixada novamente. E também achei um acinte um enredo que exalta uma ditadura reconhecidamente cruel ter sido convertido em um desfile cheio de belezas e se tornado campeão. Mas, convenhamos, esse motivo pode apenas se somar a uma série de outros que tornam o Carnaval do Rio de Janeiro um grande caldeirão de fatos ignóbeis.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Não Deixem a Zoeira Acabar




Gente, eu adoro o Twitter. Pra mim, é a melhor rede social que já criaram. Sério, gente! Se você ainda não tem uma conta nessa rede social, faça agora. No começo pode ser um pouco chato mesmo, mas vai ficando melhor, e melhor, até você não conseguir mais parar. 

Uma pessoa posta algo, os seguidores dessa pessoa retuítam para seus seguidores, que retuítam para seus seguidores, e então, de repente, todo mundo está sabendo, todo mundo está informado. Dá pra interagir com gente do país todo. Eu sigo gente de, praticamente, todo o Brasil. Com alguns, a gente interage mais, até marca de se encontrar pra conhecer os amiguinhos de internet, tomar umas cervejas, enfim, socializar fora da rede social. E, claro, é exatamente lá, no Twitter, que são criados alguns dos melhores memes e bordões da internet. Lá também são criadas algumas modas que podem ser usadas, ou na vida e lá, ou apenas lá.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Um Olhar em Duas Vidas





So excuse me forgetting, but these things I do
You see I've fogotten, if they're green or they're blue
Anyway, the thing is, what I really mean
Your are the sweetest eyes I've ever seen...
Your Song (Elton John)

Anos 50. As mulheres ainda eram muito recatadas e (alguns) homens muito cavalheiros. Andando pelo centro da cidade, em meio a bondes e a um insinuado progresso, ele seguia distraído. Pensava na vida, nos problemas do cotidiano, nos seus vinte e três anos. Ainda distraído, pegou o bonde. Sentou-se e desviou sua atenção para a paisagem. E ficou a pensar no tudo e no nada. Da paisagem, passou a observar os passageiros e foi então que seus olhares se encontraram. 

Ela era linda. A mais linda que ele já havia visto. Estava sentada e, quando se virou, firmou o olhar. Era um olhar penetrante, fixo, envolvente. E ficaram assim, olhando-se. E apenas olharam-se, já que ele teve de descer no seu ponto e ela seguiu no trajeto do bonde. 

Durante muito tempo ele pensou nela e lembrava-se daquele olhar. Mas, com o passar dos dias e dos meses, aquele olhar se transformou naquilo que efetivamente era: uma lembrança de um pequeno flerte e nada mais. 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

A Graça do Careca Dourado





O que há em comum entre o maior atirador de elite da história americana, Martin Luther King, Stephen Hawking, Alan Turing, um concierge e seu aprendiz, um estudante de música e seu professor carrasco, uma história de 12 anos de uma família e um ator querendo mostrar ao mundo seu valor? As oito histórias competem esse ano pelo maior prêmio do cinema, o Academy Awards, mais conhecido como Oscar. Alguns cinéfilos apontam o dedo para a premiação, chamando de ultrapassada ou afirmando que “os velhinhos da academia não sabem escolher bons filmes”. A verdade é que nenhum outro prêmio gera tanta discussão quanto o Oscar. 

Desde o começo, quando os filmes são indicados, as mesas redondas, sejam elas de especialistas na sétima arte ou de entendedores de fila de pipoca, já começam a dizer que tal filme foi ignorado ou que outro teve mais nomeações do que deveria, que o fulano estava sensacional em sua atuação, mas que foi substituído pelo beltrano que é apenas ok. Com a aproximação da noite de gala e a estreia dos principais indicados nos grandes circuitos (alguns filmes estreiam em poucas salas para poder entrar na lista de indicados), a discussão aumenta, tomando proporções ainda maiores. 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Religião, Não!





Eu prometi a mim mesmo que não escreveria sobre esse tema aqui neste espaço, até porque meus colegas já fizeram isso algumas vezes, com muita propriedade. Mas eu sempre soube que, mais cedo ou mais tarde, ele não me escaparia. Afinal, vivi por 30 anos uma profunda e marcante experiência religiosa, tendo me desvencilhado dessa vida regida por normas bíblicas há apenas três anos. Sendo assim, durante a maior parte da minha existência eu estive ligado de todas as formas possíveis a uma religião, rígida e de pouquíssima boa fama.

E tirando o fato de ser gay desde que me entendo por gente e isso incomodar mais aos "irmãos" da igreja do que a mim, sempre me moldei às suas normas da melhor maneira que pude e, sinceramente, acreditei que aquele era o caminho, a verdade e a vida. Não posso negar que vivi momentos felizes sendo uma ovelhinha do senhor. Conheci pessoas especiais e tive amigos incríveis, porém, verdade seja dita, todos os melhores amigos que fiz enquanto "cristão" abandonaram a igreja muito antes de mim. São ou não são pessoas maravilhosas? Infelizmente, perdi o contato com a maioria deles.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sobre o Fim





E por fim, a quarta-feira, tão ingrata, encerra mais uma festa. Deixa para trás fantasias à espera do próximo ano ou outras que jamais serão usadas novamente. As máscaras caíram por terra e agora somos todos os mesmos novamente. Quem é você?, pergunta a canção. Tudo terminou, paixões que duraram dias, horas, minutos ou segundos. Amores que aguardam promessas futuras de anos mas que por ora estão no talvez.

Onde estavam vocês neste carnaval? Onde estavam seus sonhos, seus medos e incertezas? E a coragem de segurar mais um dia? Agora, a realidade bate à porta de todos e, de acordo com os noticiários, cada vez mais sangrenta e infeliz. Estamos à beira do caos? Ou já o vivenciamos? Será a Terceira Guerra Mundial e, se for, de que lado ficaremos? Ou teremos algum lado para nos apoiar ou o muro nos servirá de alento?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O Bloco do Eu Sozinho





Não sou do tipo de cara que, como diria bem minha avó, “pula carnaval”. Não tenho nada contra a comemoração, só não que é pra mim. Normalmente monto uma programação própria para os dias de folia. Vejo filmes, coloco minhas séries em dia, leio algum livro atrasado ou me rendo à procrastinação mesmo. Carnaval pra mim é isso e me sinto muito feliz assim.

Sei que muitos não conseguem entender. Afinal, moro no Rio de Janeiro, local onde a folia é vivida intensamente e por todas as ruas e bairros da cidade. É legal, eu sei. Mas não é pra mim. E cada vez mais sinto que tenho pouca vontade de fazer atividades que envolvam muitas pessoas. Pessoas demais. Não sei se é a idade que vem chegando, mas percebo que minha tolerância para multidões e passar calor com os outros, é menor a cada dia.

Enfrentar enormes filas para conseguir usar o banheiro (quando ele existe no local) ou para comprar bebida não é exatamente minha visão de diversão. Gosto de estar com meus amigos, claro, mas também gosto de estar no meu conforto.  Quando se tem 18 anos, passar sufoco é legal, é bacana, basicamente é ter história pra contar. Mas depois de um tempo é só chato e sinônimo de irritação. Ninguém gosta de sair de casa para passar perrengue na rua.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

As Cinzas da Quarta-feira




Se tem uma coisa que eu nunca compreendi muito bem é essa louca fissura que existe pelo Carnaval. Essa necessidade de exaurir o corpo ao máximo, às vezes com direito a doses cavalares de álcool e otras cositas más (já falei aqui antes como gente bêbada me incomoda, ainda mais no coletivo), de estar numa eterna festa nas ruas e de dar vazão à porralouquice muitas vezes reprimida nos outros 361 dias do ano. Talvez porque eu nunca tenha visto na Quaresma um período de sacrifícios, mesmo quando era católico. Afinal, o Carnaval, conforme nos ensinam as enciclopédias, surgiu justamente por isso: nos tempos de outrora, como se passariam 40 dias esperando a Páscoa, era o deadline das farras. Mas, vamos combinar, esses tempos de outrora já passaram...

Sempre amei o Carnaval, mas aquele feito pelas Escolas de Samba. Desde pequeno, sempre acompanhei os desfiles e acho mágico o esforço de toda uma comunidade pra fazer um momento único, com tanto esmero, onde é possível ver o enredo contado através de plumas, alegorias e esplendores. Como falei uma vez aqui no Barba Feita, já fui à Sapucaí para ver o grupo de acesso B. Já assisti a desfile do grupo D. E ontem mesmo fui ao menos glamourizado desfile da Av. Intendente Magalhães, no subúrbio do Rio, para desfilar pela quase incógnita Acadêmicos da Abolição, pela série B (antigo acesso C). Meu avô foi um dos fundadores da Viradouro, escola do meu coração, e morreu torcendo por ela, mesmo sem vê-la desfilar no Grupo Especial. E também até me empolgo de dar uma volta com amigos, fantasiado ou não, pra ver o que de bom está rolando pelas ruas (esse ano, coloquei a fantasia de diabinho para fora). Mas não consigo entrar nessa catarse coletiva de vale-tudo, incluindo desrespeitar o patrimônio público e a individualidade de cada um, impondo a sua própria festa aos outros.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Mimimi e Hipocrisia




Eu acho que tá errado. A frase na bandeira do Brasil não deveria ser Ordem e Progresso, mas sim Mimimi e Hiprocrisia. Por que?! Eu explico.

Muito se falou do rapaz que foi fotografado num barco, olhando seu celular, enquanto uma baleia passava bem ao lado do barco, junto com seu filhote. O fotógrafo disse que lamentou muito pelo rapaz ter perdido um momento desses. Depois disse que o jovem poderia estar olhando mensagens da mãe no hospital, ou algo assim, mas os mimizentos não perdoaram: desceram o pau no cara.

Agora vem cá: o cara deixou de ver a baleia com o filhote, ok, ok. Mas ninguém parou pra pensar que o cara estava num barco. Talvez o barco fosse dele. Talvez ele já deve ter visto outras baleias, outros filhotes, diversas outras vezes, então aquilo deixou de ser novidade. Mas não, ninguém parou pra pensar nisso. Talvez a mãe estivesse internada mesmo, ou... sei lá, talvez estivesse olhando foto de gente pelada, não sei. Mas ninguém parou pra pensar que a vida é de quem? Isso mesmo: DELE.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O Efeito Gourmet e Você





Morar no Rio de Janeiro é caro. Ponto. Copa do Mundo, Olímpiadas e toda essa infinidade de eventos realizados na cidade nos últimos anos, tem tornado elevado o custo de vida do carioca (e daqueles que escolheram o Rio como cidade sendo, assim, cariocas por opção) às alturas. Moradia, diversão, comida. Tudo nessa cidade parece pensado para turistas, que não param de chegar e gastar por aqui. E nós que aqui vivemos apenas pagamos o preço (alto) dessa supervalorização da cidade.

Entretanto, tenho observado algo que me intriga não apenas na cidade, mas em todo o país: a gourmetização do básico. Tudo que sempre consumimos de maneira simples e casual ganha uma nova roupagem, um ingrediente de nome estrangeiro e, voilà, temos uma nova invenção gourmet

Uma quinta-feira à noite, um programa cultural com direito a jantarzinho e peça de teatro no Shopping da Gávea e o comentário da amiga: "Hum, vi que aqui tem brigadeiro, vamos comprar um para adoçar a boca?". E em uma famosa loja Fabiana D'Angelo, um brigadeiro gourmet por R$ 8,00. Sim, isso mesmo. OITO.REAIS!

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Que Seja Confortável Enquanto Dure





Sabe aquele sapato maravilhoso que machuca o seu pé? Você o escolheu entre tantos, ele é tão lindo, combina tanto com você, mas sempre te machuca. Você coloca um band-aid, você fica uns dias sem, mas depois volta a usar, esquece a dor. Assim são alguns relacionamentos.

De longe está tudo perfeito mas, quando você chega perto, tá feio, tem cortes e feridas horríveis de tanto insistir. Todos nós temos pés cansados, e todos nós queremos um sapato confortável para descansá-los; mas, se for pra causar dor, é melhor ficar descalço.

Sem contar que existem tantos sapatos prontos para chamar sua atenção, para ser o teu próximo favorito; não faz sentido perder tanto tempo da sua vida cultivando bolhas, colecionando cicatrizes, com medo de nunca mais achar um sapato igual. Mas a intenção não é essa?

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Amor ou Amizade?




Tive alguns amores platônicos, que invariavelmente tornaram-se bons amigos, mas nunca amantes. Aí chegou uma hora, que eu decidi parar com essa palhaçada. Amor platônico é uma grandessíssima besteira. Devia ser lindo na época de Platão e é ótimo como inspiração para artistas que escrevem, pintam, compõem. Dá aquela emocionada básica em quem aprecia a obra inspirada no amor platônico. Mas na prática, é um sofrimento atroz e sem sentido. Pra que arrastar corrente por quem não sente nada pela gente?

Isso é pra quem tem vocação pra sofrer, pra quem gosta de uma história dramática, pra quem idealiza o par perfeito e pra quem tem medo de se envolver de verdade com alguém, aí cria um caso de amor impossível na cabeça, só pra não ter que encarar a realidade de um relacionamento verdadeiro, que é a total antítese do conto de fadas. Confesso que, tirando a vocação pro sofrimento, que definitivamente não tenho, preencho todos os quesitos restantes. E por isso fui um boboca apaixonado por Samuel, Ricardo e João Paulo, por anos a fio.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sobre o Carnaval








Ah, a folia de Momo! O colorido das ruas, das pessoas, a alegria e como tantos esperam por esse momento. O carnaval, pra mim, sempre foi uma festa onde eu assistia mais do que brincava e, talvez, essa fosse a minha brincadeira preferida: assistir.

Lembro como se fosse hoje - frase mais clichê impossível - quando, ao lado dos meus padrinhos, nos sentávamos em frente à TV para juntos acompanharmos os desfiles de fantasias do Bal Masqué e Municipal, em Recife, e do Hotel Glória, no Rio. Múcio Catão e Consuelá abrilhantavam os bailes da capital pernambucana com originalidade e Clóvis Bornay e Evandro de Castro Lima ditavam o luxo na cidade maravilhosa. Fantasias que mereciam ser apreciadas por todos até hoje.

E o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro? Sempre um dos momentos mais esperados! Era sempre divertido comentar a apoteose de tudo aquilo. Recordo do dia em que eu e meu padrinho ficamos apreensivos quando o destaque Mauro Rosas despencou de cima de um carro alegórico e como isso marcou aquela época pré-sambódromo. E quando o mesmo foi inaugurado, era o começo da extinta Rede Manchete e tudo era tão novo, tão cheio de frescor.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ninguém Mais Sabe Brincar e, Mesmo Assim, Desce pro Play




Domingo foi o dia do tão aguardado Grammy. Como bom nerd que sou, estava louco para saber o que a indústria da música tinha preparado, além de shows inesquecíveis. Já fazia um bom tempo que as apresentações não tinham tantos nomes consagrados da música. A lista de importância era enorme. Muitos artistas, muita música e muito ego.

Paralelo ao que acontecia em Los Angeles observei uma movimentação meio engraçada na timeline do meu Facebook. Algumas pessoas se mobilizando em marcar presença e convidar amigos para o “evento” de impeachment da nossa presidente. Ri um pouco com aquilo, já não é novidade esse tipo de evento-protesto, afinal vem acontecendo desde o fim da eleição.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Onde Foi Que Perdemos o Respeito?





Vivemos tempos de intolerância. Isso é fato. Curioso é que, em tese, a humanidade evoluiu. Largamos uma era na qual andávamos sobre quatro patas e soltávamos grunhidos para outra em que a tecnologia está em todos os lugares, ao simples alcance de um toque ou de um comando intuitivo. Mesmo assim, parecemos viver as barbáries nossas de cada dia como se fosse algo inerente à nossa espécie.

Uma das coisas que se perdeu nessa “evolução”, em especial nos últimos anos, foi o respeito. Particularmente, fico muito impressionado em como se perdeu o respeito à figura do outro, à comunidade, à autoridade e até mesmo à vida humana. Mais uma vez, acredito que tenha sido algo que se potencializou com as redes sociais, esses ambientes tão hostis em que todo mundo tem voz (mas, lembrando bela frase do colega Silvestre Mendes em coluna aqui noBarba Feita, quem estará ouvindo se todos estiverem gritando?).

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Lei do Retorno




Eu tive um labrador alemão. Digo isso porque o pai é labrador e a mãe é pastor. Adotei ele em 2013, quando minha colega compartilhou o álbum no Facebook. Foi amor à primeira vista. De verdade. Infelizmente eu tive que doá-lo, a vizinha de cima encheu o saco até não poder mais. Reclamava quando ele latia durante a tarde, dos banhos que eu dava nele, ou quando ele latia de noite pros drogados que habitam a região. Ora essa, o moleque tinha apenas seis meses! Ok, ok, dava pra ouvir o latido dele da metade da rua, mas antes um cachorro latir do que miar, certo?! 

Certa vez, a conta da água veio altíssima, e claro, a velha jogou a culpa no Nico, quando, na verdade, era um cano furado no registro que fica no portão dela, fato esse que ela tentou esconder da gente, só que a filha acabou contando. Mas minha mãe, como não gosta de arrumar confusão com ninguém, se desfez do Nico, o MEU cachorro, sem deixar que eu me despedisse dele. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Probabilidades e Improbabilidades da Vida





"Si es cuestión de confesar, nunca duermo antes de diez
Ni me baño los domingos
La verdad es que también lloro una vez al mes
Sobre todo cuando hay frío
Conmigo nada es facil, ya debes saber
Me conoces bien..."
Inevitable (Shakira)

Fico pensando nos caminhos que a vida toma e que muito do que somos hoje é reflexo de improbabilidades que, felizmente, se contrariaram. Parando para analisar friamente, a nossa história é feita de tantos "e se..." que deram certo, que é incrível pensar sobre o assunto, ora imaginando como seria se não tivesse sido assim, ora simplesmente aceitando que, na maior parte das vezes, o melhor aconteceu.

Eu nasci no interior do Rio, em uma cidade com população de aproximadamente 50 mil habitantes. E meu sonho, desde que eu me entendo por gente, era sair dali e conhecer o mundo que eu via na tela da televisão. Isso, para mim, sempre foi improvável. Sou filho de pais religiosos, que acreditam que felizes são as grandes famílias, com filhos crescendo, casando-se, tendo filhos e morando próximos. Mas eu saí de casa, fui morar sozinho e, gradualmente, me afastando de Smallville até me mudar definitivamente para o Rio, a cidade que eu adotei como minha. E viajo pelo mundo, experimento culturas, conheço pessoas, cores e sabores diferentes que fazem a minha vida hoje mais completa. E sempre que volto a Smallville (e ainda faço isso eventualmente, afinal, meus pais ainda moram lá), sinto apertado uma sensação de não pertencimento, que se aguça ao ouvir de algumas pessoas que me conhecem desde pequeno e me questionam: "mas como é metido, precisava mesmo sair daqui?". Pergunta estúpida, eu acho, porque a resposta é simples: eu NECESSITAVA.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Sobre o Amor Definitivo





Rogério,

Ao ler esta carta, você terá dúvidas. Escreverei além do que sua personalidade cética poderá assimilar. No entanto, quero afirmar que sua traição foi um impulso que recebi na vida. Quando você disse que não me queria mais e só não terminara antes por inércia, me senti um homem desprezível. Na verdade, você estava me presenteando e me jogando nos braços de um barbudo lindo, de olhos penetrantes e pele bronzeada.

Na noite do rompimento, voltei para casa relembrando a frieza de suas palavras. Pensei em tomar um porre até entrar em coma alcoólico, mas só havia um resto de Martini, então fui para um boteco das redondezas. No caminho, passei por uma igreja evangélica onde alguns "irmãos" se reuniam com as bíblias nas mãos. Meu andar cadenciado e meus braços pouco másculos - pelos padrões estabelecidos - despertaram olhares desprezíveis nos que estavam diante do templo. Pensei: Como seus servos são preconceituosos, Jesus!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Precisamos Falar Sobre Bullying. Sempre!




O curta-metragem brasileiro Sobre Papéis, exibido no 22° Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, apresentado no mês de novembro de 2014 em São Paulo e Rio de Janeiro, é um relato tocante e delicado sobre as mazelas dos anos escolares, tendo que lidar com o bullying diário, quando o que você mais precisa é se entender e ser compreendido. De maneira leve e bem-humorada, mas sem perder a seriedade, o curta mostra a barra de ser perseguido e atormentado por ser gay, na fase mais punk da vida de todo mundo, a adolescência.

Apesar de ser um curta de apenas 17 minutos, o filme é completo e redondinho. Não vou contar o final, que é fofo e emocionante, mesmo deixando uma sensação incômoda, mas tem uma cena em particular, que é uma de minhas preferidas e creio que de fácil identificação com quem já passou pela experiência nada doce do bullying escolar.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sobre o Pênis




Como um homem gay, o corpo masculino me atrai como um todo. Mãos e pés, braços e pernas, coxas e peito, nádegas e pênis. Pênis, claro. É sobre este último que vou escrever a respeito.

O pênis é, para muitos homens, um símbolo de poder. É importante para vários deles que seja grande, porque pênis grande dá status. Homens de pênis pequeno precisam compensar isso com outras coisas. Carros grandes, por exemplo.

Não que isso seja um problema, pelo menos não vejo dessa forma. Como dizia um amigo meu “do que adianta uma grande ferramenta se não sabe usá-la?”. Mas o homem que possui um falo na cabeça tem a grande necessidade de mostrar para os outros que a sua é maior, mais bonita e mais bem equipada. Como muitos destes carros grandes que são imensos, bonitos, bem equipados. Mas do que servem se falta eficiência por parte do motorista?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Não Tenho Paciência Para Divas Que Estão Começando





Uma coisa que não se pode negar é que Madonna fez escola. Seu modo de agir, quando o mundo vomitava conservadorismo (e ainda regurgita por aí), foi um símbolo pela liberdade, de várias maneiras. O grande problema é que a indústria musical pegou um momento que o mundo estava e uma artista se expressava e fez disso um filão.

Hoje em dia, se uma nova “diva” nasce, sabemos que em breve ela irá se tornar REBELDE. Seja com atitudes que chocam, seja com um comportamento ofensivo, seja com as bandeiras que ela irá defender. Uma única coisa é certa, essa diva ira causar. Britney e Aguilera, as divas da minha época, foram na parte em que mais se estava em evidência no fim dos anos 90 e inicio dos anos 2000: o sexo. Xtina ficou dirty e Spears mostrou que pendia mais para o lado escravo da força. Mas elas foram, até certo ponto, a identificação daquela geração. Uma geração que tentava e ainda tenta não se culpar pelas escolhas que faz. Decide e vai. Afinal, é na tentativa e erro que descobrimos se estamos certos ou errados.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Pelo Direito de Ser Chato




Sim, eu sou um cara chato. Tenho plena consciência disso. Não o chato do mi-mi-mi (esse, nem eu aguento), mas o chato cricri. Sou metódico. Muito. Um autêntico virginiano nascido fora de época. Incomodam-me objetos fora do lugar, gente bêbada demais, decoração em assimetria não-proposital, pregadores diferentes para pendurar a mesma roupa. Há quem diga que possam ser sinais de TOC e que ainda vai piorar com a idade. Eu acredito que já fui pior. 

O problema para mim não está no fato exclusivo de ser chato – algo bem resolvido em minha vida. O problema é que vivemos hoje em dia uma espécie de ditadura cool, em que todo mundo tem que mostrar como é legal, viajado, simpático e gente boa. Sem dúvida, eu adoro ser querido. Adoro viajar e compartilhar com os amigos os meus momentos de férias. Adoro quando as pessoas dizem que eu sou boa praça – costumo dizer que meu objetivo de vida é, quando eu morrer, as pessoas lamentarem que o mundo perdeu um cara legal. Mas nem por isso deixo a minha essência cartesiana e (por que não?) ranzinza de lado. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Seja Quem Você Quiser Ser, Só Me Deixe Em Paz!





Eu não gosto do meu corpo. Pronto, falei. Não gosto. Minha barriga é saliente, meus braços são magros, eu tenho culote (ou pochete, ou bacon), é horrível. E eu sou branco demais, por não frequentar praia e piscina, já que eu não me sinto à vontade com o meu corpo. 

Então, em 2013 eu resolvi fazer algo, qualquer coisa pra emagrecer. Comecei a fazer Boxe, porque eu não tenho saco pra fazer musculação, e em dois meses eu emagreci bastante. Esse ano eu comecei a fazer musculação. Arranjei uma personal e dei início ao projeto verão 2016. 

Quando eu falei pra algumas pessoas que o intuito é ficar gostoso, elas começaram a dizer que eu estou sendo influenciado pela "ditadura da beleza". Só digo uma coisa: O caralho! Eu sou obrigado a ter que usar roupa larga pra esconder a barriga? Ou pra não ficar com marca de cinto na pele quando eu tiro a calça? Não, não sou. Ficam nessa de "Seja você mesmo!". E se eu não quiser? E se quem eu sou não for o suficiente pra mim? Vão fazer o que? Me processar? Eu, hein. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Aleatoriedades Sobre o (Passar do) Tempo e a Maturidade





"I'm only a man in a silly red sheet
Digging for kryptonite on this one way street
Only a man in a funny red sheet
Looking for special things inside of me..."
Superman (Five For Fighting)

Trinta e três anos. E eu só consigo pensar que em 2015 eu completo 34 e a conta não para (ainda bem, né?). Eu, que sempre gostei de fazer aniversários, e ansiava os dias para as festas e comemorações, tenho me surpreendido em como o tempo tem passado cada vez mais rápido, atropelando tudo e, quando vejo, já se foi mais um ano. Outro dia era Natal, meu povo, mas já estamos na iminência do Carnaval. Parece que a vida anda em modo rápido ultimamente.

Como bom leonino que sou (e leão em leão, vejam só), é fácil entender os motivos de eu sempre ter amado fazer aniversários. Atenção, presentes, carinho, mais atenção. Tem como resistir a isso? Mas julho ainda está longe, falta bastante para meu aniversário, e eu estou aqui pensativo com essa questão do tempo passando e, claro, com os sinais de que a gente está envelhecendo a cada momento. Os fios brancos que se multiplicam por todo o corpo; as entradas que ficam cada vez maiores; o cansaço e a preguiça, que parecem dominar o corpo; a falta de graça de tudo aquilo que, quando mais jovem, causava tremenda empolgação.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A Ditadura da Beleza Lésbica



Na última terça-feira, vi uma das cenas mais lindas da TV nos últimos tempos. Paolla Oliveira se despe entre cortinas de voil que balançavam ao vento e para numa varanda ensolarada, de costas, salto alto e uma calcinha preta que lhe revelava um lindíssimo bumbum. As lentes de Fernando Meirelles brilharam nessa sequência.

Paolla interpreta uma prostituta bissexual na minissérie Felizes Para Sempre?. E me veio novamente à cabeça algo que comentei há pouco tempo: de onde têm surgido tantas lésbicas? Não sou inocente ao ponto de pensar que isso é modinha, claro que não. Assim como gays homens tem tido liberdade maior para se expor, vejo que as mulheres também resolveram dar as caras.