segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Aleatoriedades Sobre o (Passar do) Tempo e a Maturidade





"I'm only a man in a silly red sheet
Digging for kryptonite on this one way street
Only a man in a funny red sheet
Looking for special things inside of me..."
Superman (Five For Fighting)

Trinta e três anos. E eu só consigo pensar que em 2015 eu completo 34 e a conta não para (ainda bem, né?). Eu, que sempre gostei de fazer aniversários, e ansiava os dias para as festas e comemorações, tenho me surpreendido em como o tempo tem passado cada vez mais rápido, atropelando tudo e, quando vejo, já se foi mais um ano. Outro dia era Natal, meu povo, mas já estamos na iminência do Carnaval. Parece que a vida anda em modo rápido ultimamente.

Como bom leonino que sou (e leão em leão, vejam só), é fácil entender os motivos de eu sempre ter amado fazer aniversários. Atenção, presentes, carinho, mais atenção. Tem como resistir a isso? Mas julho ainda está longe, falta bastante para meu aniversário, e eu estou aqui pensativo com essa questão do tempo passando e, claro, com os sinais de que a gente está envelhecendo a cada momento. Os fios brancos que se multiplicam por todo o corpo; as entradas que ficam cada vez maiores; o cansaço e a preguiça, que parecem dominar o corpo; a falta de graça de tudo aquilo que, quando mais jovem, causava tremenda empolgação.

A maturidade chega também, é claro. E você passa a analisar algumas coisas de maneira diferente do que sempre analisou, consciente de que sua visão atual é mais abrangente e completa. Mas não dá pra negar: por que a gente não tem essa tal maturidade aos 25 anos? Porque se a maturidade é excelente, o vigor físico e a gana dos vinte e poucos anos eram maravilhosos. Pena que não consigamos casá-los.

E aqui, escrevendo essas linhas, é impossível não pensar em O Curioso Caso de Benjamim Button, lembram-se dele? No filme, estrelado por Brad Pitt e baseado em um conto de F. Scott Fitzgerald, Benjamim Button nasce velho e vai rejuvenescendo até o momento em que deixa de existir, bebezinho. Poético, é claro, mas assustador. No fim das contas, acho que o meio natural, nascer-amadurecer-morrer, acabe sendo o melhor. Sábia mãe natureza.

E pensando sobre a vida e a idade e tudo que realizei e ainda quero realizar, eu penso no meu eu antigo. Ultimamente, revisitar minhas próprias histórias tem sido um hobby. Lembrar do quanto já cresci e amadureci dá um gostinho bom, de que o dever está sendo bem cumprido, sacam? Eu, que já me autodenominei pós-adolescente (por anos, quase até os 30), tenho levado bem essa vida de jovem adulto. As responsabilidades estão aí e se acumulam, mas dá gosto poder encará-las e resolvê-las, vivendo plenamente e, quase sempre, com um sorriso no rosto.

Porque o tempo passa, a gente muda mas, na essência, continuamos os mesmos. Eu ainda sou meio Dawson Leery, sonhador e com um a cabeça no mundo da lua. Mas mantenho os pés plantados no chão, como âncora para os pensamentos que insistem em querer passear alto, lá no céu.

Quero ser meio Superman, mas sei que a capa vermelha é ridícula demais para ser ostentada e, convenhamos, cueca por cima das calças é quase como uma calça saruel ou sandálias crocs: brega toda vida. Por isso, deixo o traje de Superman em casa e vou sendo Clark Kent por aí, no dia a dia intenso e dinâmico, que não dá folga pra ninguém, quiçá tempo pra salvar o mundo.

São trinta e três anos de vida, quase trinta e quatro, e tanta coisa pra pensar, organizar, formular e formar sentenças que, creio, nem devem ser claras para todos. E o que penso, no fim das contas, é que poderiam ser setenta, mas o menino aqui, esse que mora dentro da minha cabeça e coração, ia também estar escrevendo, claro ou não.

Porque o que importa é tentar se entender. E eu faço isso com esses textos confusos e simples, mas puros e sinceros, que me deixam leve e solto, em uma verdadeira análise sem analista, que possuem ainda o maior valor de todos: são de graça. Para você e para mim!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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2 comentários:

Dinho disse...

Espere chegar aos 40!
Nunca pensei que ia acontecer comigo, mas é incrível o peso que esse número tem. Se prepare, esteja bem pra passar bem por essa fase.

Abraços e Sorte!

Shumy disse...

Esse será meu último ano nos trinta, mas adoro olhar no espelho e ver essa mulher maravilhosa me olhando, é bom curtir cada e crescer com cada momento!