quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Não Tenho Paciência Para Divas Que Estão Começando





Uma coisa que não se pode negar é que Madonna fez escola. Seu modo de agir, quando o mundo vomitava conservadorismo (e ainda regurgita por aí), foi um símbolo pela liberdade, de várias maneiras. O grande problema é que a indústria musical pegou um momento que o mundo estava e uma artista se expressava e fez disso um filão.

Hoje em dia, se uma nova “diva” nasce, sabemos que em breve ela irá se tornar REBELDE. Seja com atitudes que chocam, seja com um comportamento ofensivo, seja com as bandeiras que ela irá defender. Uma única coisa é certa, essa diva ira causar. Britney e Aguilera, as divas da minha época, foram na parte em que mais se estava em evidência no fim dos anos 90 e inicio dos anos 2000: o sexo. Xtina ficou dirty e Spears mostrou que pendia mais para o lado escravo da força. Mas elas foram, até certo ponto, a identificação daquela geração. Uma geração que tentava e ainda tenta não se culpar pelas escolhas que faz. Decide e vai. Afinal, é na tentativa e erro que descobrimos se estamos certos ou errados.

Depois de Aguilera e Britney tivemos outros protótipos de divas. Algumas vingaram e outras nunca mais ouvimos falar. Nos últimos tempos tivemos Miley Cyrus e sua fase feita para chocar. Mil desculpas, mas tenho pena de quem foi ingênuo o suficiente para achar que se esfregar no Robin Thicke em poses vergonhosas fosse um sinônimo de rebeldia, ou uma forma de quebrar barreiras. Primeiro porque o único sentimento despertado por aquele ato foi o da vergonha alheia. Ninguém, em momento nenhum, além das pessoas que acham que ser ofensivo é ser original, comprou o comportamento “f** you” da moça. E ela forçou um pouco a barra aqui e um tanto ali e... Bem, o último grande ato foi mandar um sem teto fazer o seu discurso de agradecimento no VMA. O que até foi polêmico, mas mais uma vez sem grandes marcas profundas no quesito fazer a diferença.

Sei que foi uma introdução meio longa, mas me revoltei essa semana depois de ler uma declaração da Azealia Banks, onde ela dizia:
“E se eu for homofóbica? E daí? Continuo tendo um buraco extra e fazendo mais dinheiro que você... Eu continuo dominando tudo.”
Tal declaração foi feita para um comentário recebido por um fã que dizia:
"Eu sempre vou te apoiar, mas você destrói com tudo quando acaba sendo homofóbica e espalha ódio gratuito na rede."
Se você me perguntar qual tipo de música Azealia faz ou de onde ela veio, não saberei responder. Já tentei ouvir uma faixa da moça, mas musicalmente somos divergentes. Mas não preciso acompanhar o trabalho de alguém para me sentir ofendido pelo que é dito por essa pessoa. Ainda mais quando a homofobia é algo real. É uma luta que atinge todo mundo, direta ou indiretamente. Pessoas morrem nas mãos de homofóbicos. E caso você ainda se pergunte, sim, ela ser homofóbica muda a minha vida. Assim como pode mudar a de alguém que se importe com o tipo de mensagem que ela transmite com o seu trabalho.

Em uma indústria um tanto quanto sem rumo, como está o meio musical, a última coisa que se precisa é de alguém que se vende até como bissexual, mas não mede palavras quando ataca. Seja uma pessoa, um grupo ou uma comunidade inteira. A moça é mergulhada na polêmica, sei disso. Mas a homofobia existe em todo o mundo. É algo que mata a torto e a direita por todo o planeta e, usando as mais diversas desculpas, inclusive religiosas, para isso. Alguém com o mínimo de influência que seja, e que usa a palavra homofobia como se não fosse nada demais, me irrita, me incomoda e me dá certa revolta.

Sei que a mesma Azealia já tinha feito declarações que iam contra o movimento LGBT e até esse comentário recente, havia feito as “pazes”, cantando em festivais como o LA PRIDE, mas ao que parece, ela não aprendeu nada com os erros passados.

Não sou fã da Madonna. Não sou fã de nenhuma das divas pop dos últimos tempos e nem da última semana. Mas, se tem algo que vi e aprendi, é que ser um representante do seguimento Pop é muito mais que explorar polêmicas por aí. É jogar um pouco com o poder que se tem para tentar mudar um pouco as coisas.

Quando não se liga muito para o que se diz ou o comportamento que se tem... Bem, aí não é nem diva e nem relevante. É só mais uma pessoa que vai se perder no meio do caminho e ser um exemplo do que não deve ser feito, só ignorado.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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