domingo, 15 de fevereiro de 2015

Que Seja Confortável Enquanto Dure





Sabe aquele sapato maravilhoso que machuca o seu pé? Você o escolheu entre tantos, ele é tão lindo, combina tanto com você, mas sempre te machuca. Você coloca um band-aid, você fica uns dias sem, mas depois volta a usar, esquece a dor. Assim são alguns relacionamentos.

De longe está tudo perfeito mas, quando você chega perto, tá feio, tem cortes e feridas horríveis de tanto insistir. Todos nós temos pés cansados, e todos nós queremos um sapato confortável para descansá-los; mas, se for pra causar dor, é melhor ficar descalço.

Sem contar que existem tantos sapatos prontos para chamar sua atenção, para ser o teu próximo favorito; não faz sentido perder tanto tempo da sua vida cultivando bolhas, colecionando cicatrizes, com medo de nunca mais achar um sapato igual. Mas a intenção não é essa?


O que não pode é ferir um pé que já está cansado. Cuide dele primeiro, mesmo que encontre um sapato confortável. Se não cuidar do machucado que o outro causou, vai doer do mesmo jeito. E, pior, vai achar que a culpa é do sapato novo, sendo que, na verdade, quem se apressou a calçar algo por pura vaidade, sem se preocupar com as feridas, foi você!

Segura a onda, não se apresse, coloque os pés no chão, aprenda a andar descalço, sinta os pés na grama e, se nesse tempo você pisar na merda, dane-se! Faz parte da vida também, assim você aprende a olhar por onde anda, a ter mais cautela. E quando estiver calejada, quando curar os arranhões, aí é hora de procurar um par ideal. Antes disso é masoquismo, é acumular feridas a troco de nada.

Mas, se for muito difícil se desfazer do antigo, então tente usá-lo de uma maneira que não te machuque, que te faça bem. Coloque um curativo e siga em frente, e não pare em toda esquina para olhar a ferida, cutucar, ter certeza de que ainda dói; isso é exaustivo, não tem pé que agüente e, se quer saber, nem existe sapato perfeito.

Ou, melhor, faz a Cinderela e esquece o sapatinho na escada por um tempo. Se não servir em mais ninguém, ele volta pra você. Mas lembre-se que só vale a pena aceitar calçar novamente esse sapato, se for pra te fazer princesa, se for pra te fazer muito feliz.

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Leandro Faria  
Bárbara Cortez 25 anos, com rostinho de 15 e pique de 70. Virginiana nada organizada, começou a escrever para não perder também a cabeça. Radialista por formação, cantora por paixão e escritora por cara de pau mesmo.
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