sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sobre o Fim





E por fim, a quarta-feira, tão ingrata, encerra mais uma festa. Deixa para trás fantasias à espera do próximo ano ou outras que jamais serão usadas novamente. As máscaras caíram por terra e agora somos todos os mesmos novamente. Quem é você?, pergunta a canção. Tudo terminou, paixões que duraram dias, horas, minutos ou segundos. Amores que aguardam promessas futuras de anos mas que por ora estão no talvez.

Onde estavam vocês neste carnaval? Onde estavam seus sonhos, seus medos e incertezas? E a coragem de segurar mais um dia? Agora, a realidade bate à porta de todos e, de acordo com os noticiários, cada vez mais sangrenta e infeliz. Estamos à beira do caos? Ou já o vivenciamos? Será a Terceira Guerra Mundial e, se for, de que lado ficaremos? Ou teremos algum lado para nos apoiar ou o muro nos servirá de alento?

O que fazer com tantos sonhos despedaçados? Seguir adiante como se nada tivesse existido ou ser o primeiro a pegar nas armas e garantir seu lugar de herói? Pelo menos, durante alguns dias, foi divertido brincar de Homem Aranha, Capitão América, Super-Homem e Mulher Maravilha, mas quando precisamos deles o que fazer? Aos mais fervorosos, resta segurar o rosário e relembrar as preces que nos ensinaram porque nem o Chapolin Colorado está mais entre nós.

Desliguemos os cabos que nos conectam, afastemo-nos então de toda espécie de interação. Voltemos de vez à idade da pedra, já que nossos comportamentos nos indicam isso. Quem foi mais feliz, eu ou você? Agora nossa vida depende de uma nota dez e uma estrelinha no caderno já não é suficiente. Talvez elas também não caibam mais no céu; precisamos delas em nossas alegorias de vida urbana.

Precisamos de Marília, precisamos de Elis. Nosso carnaval não sobrevive apenas de nossa história. Deixem de lado as idiossincrasias. Precisamos da Suíça, da África e há quem principalmente precise de enredos patrocinados pelos mesmos que nos apontam as armas para garantir todas as máscaras que usarão ao longo do ano. E, no final, tudo termina; não apenas o carnaval na quarta-feira de cinzas, mas tudo chega ao fim. Principalmente eu e você. 

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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