sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sobre o Pênis




Como um homem gay, o corpo masculino me atrai como um todo. Mãos e pés, braços e pernas, coxas e peito, nádegas e pênis. Pênis, claro. É sobre este último que vou escrever a respeito.

O pênis é, para muitos homens, um símbolo de poder. É importante para vários deles que seja grande, porque pênis grande dá status. Homens de pênis pequeno precisam compensar isso com outras coisas. Carros grandes, por exemplo.

Não que isso seja um problema, pelo menos não vejo dessa forma. Como dizia um amigo meu “do que adianta uma grande ferramenta se não sabe usá-la?”. Mas o homem que possui um falo na cabeça tem a grande necessidade de mostrar para os outros que a sua é maior, mais bonita e mais bem equipada. Como muitos destes carros grandes que são imensos, bonitos, bem equipados. Mas do que servem se falta eficiência por parte do motorista?


E não é porque um homem tem pênis pequeno que não pode ser poderoso. Há quem diga que, justamente por esse fato, muitos homens buscam o poder incansavelmente, para compensar a falta do pênis grande que gostariam de ter. E nessa busca pelo pênis imenso são capazes de fazer qualquer coisa ou até mesmo cometer muitas loucuras.

Para esses homens, falta autoestima. Compreender e entender como funciona os seus corpos e, consequentemente, estarem bem resolvidos com eles e com sua orientação sexual. Precisam saber que não é o pênis quem determina como o sexo deve ser feito, ele é tão importante quanto qualquer outro órgão.  Se fosse assim não existiriam mulheres que gostam de mulheres e não precisam de pênis. Mas vai dizer isso para algum destes homens que a primeira coisa que eles falam é que elas não encontraram o homem certo. É o cúmulo, eu sei, mas ainda vemos muito disso por aí, bem mais do que pensamos. Assim como existe a mulher homossexual que acha que precisa pensar com o falo imaginário, tomando atitudes preconceituosas por achar que deveriam agir com este comportamento machista por ser esse o correto. Vergonhoso, eu sei, mas também existe.

E vemos então o impiedoso falo agir na cabeça dessas pessoas. O cérebro já não existe, sendo assim pensam com o pênis, se achando no direito de dividir o mundo em duas partes e achar que tudo tem que ser preto ou branco, x ou y. E não é bem assim. Existem muitas cores no mundo e muitas outras letras também. Assim como existem pênis de todos os tamanhos, alguns tortos, outros nem tanto, mas são pênis e o dono de cada um deles é quem importa e não o contrário.

Obviamente tudo é uma questão de opinião e gosto. Cada um tem o seu. 
Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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2 comentários:

Edmárcio Alcântara disse...

A-D-O-R-E-I!!!!!!
Bem que gostaria de me expressar desta forma, falando sobre tal assunto de forma séria com um certo tom de ironia!!!!!!

melo disse...

Ótimo!

Infelizmente, não é mulher que tem inveja do pênis mas nós mesmos, vivemos em função dele, por ele e para ele.

Talvez nos gays seja ainda pior essa valorização do pau e seu tamanho, já conheci pessoas que dispensaram o pretendente ideal apenas porque não era, digamos, dotado. Caímos então no estereótipo do macho alfa gay, aquele que possui a rola master, que domina e pode usufruir de todos os cus e bocas que deseja pois estes o veneram.

Somos vítima também do mercado pornô que apenas estimula essa visão idílica do garanhão, exalando potência e macheza, a falocracia impera.

Não me faço de rogado, faço parte dos que babam numa mega rola mas não fão disso currículo para sair com alguém ou selecionar, já saí com caras de rola grande, enorme, média e normal e pequena e entre eles houve os bons de foda e os lamentáveis sendo impossível traçar uma relação entre os centímetros e o 'know how' na foda.

Quem fode é o pau mas quem faz a foda é você..