terça-feira, 17 de março de 2015

A Vida é Assim





O texto dessa semana surgiu na minha mente num momento meio... Atípico. Eu sempre tenho um plano. Sério, eu sempre tenho. Em momentos de emergência, eu sei como agir, o que falar, com quem falar, álibis, histórias, essas coisas. Paranóico da minha parte, eu sei. Na verdade, essa paranóia me ajudou a ficar alerta em diversas situações de risco. 

O engraçado é que, na maioria das vezes, meus planos funcionam melhor na vida das outras pessoas. Sempre tem alguém que não sabe o que fazer com alguma esfera da vida e, às vezes, esses alguéns me pedem algum tipo de conselho. Eu sei, eu sei, é aquela máxima: a gente sempre sabe como resolver a vida dos outros, menos a nossa, mas isso se deve ao fato de que estamos de fora, logo, vemos o quadro todo. Por isso temos amigos, porque eles veem o quadro todo, e nos aconselham. 

Eu trabalho num petshop, já disse isso aqui. E tem muitos sacos de ração, que eu estou sempre organizando, pra manter tudo bonitinho. Semana passada minha chefe pediu que eu arrumasse outra vez, porque as rações boas estavam misturadas com as não tão boas assim. Lá fui eu. Usei o horário da manhã, por ser mais tranquilo na maioria das vezes. Semana passada eu também estava passando por uns perrengues, e me sentia extremamente frustrado por não ter um plano pra resolvê-los. Nada surgia, nenhuma ideia, nada nada. Fui organizar os sacos. Tirei uma coluna, coloquei outra no lugar. Repeti o processo, tudo fluía, as peças se encaixavam. Até que eu ergui uma parede de sacos, que tampava boa parte da visão que se tem da rua, o que não pode acontecer. Eu fiquei pensando, pensando, e... Nada. Não sabia o que fazer com aquela parede na minha frente. A vontade que eu tive foi de jogar todos os sacos no chão, entulhar tudo, limpar a área, e começar do zero. Aí ei pensei: "Pra quê?!" 

Eu ia causar um tumulto desnecessário, gastar mais energia e, à toa, ia acabar me atrapalhando, pois além disso, tenho os clientes pra atender, a loja toda pra limpar, ou seja, começar do zero era algo totalmente desnecessário. Então me permiti sentar em cima de uma coluna baixa, e olhar o caos, aquele monte de mercadoria jogada no chão, a parede do meu lado, o espaço vazio que eu tinha atrás de mim. Parei, respirei, limpei o suor da testa, observei tudo com calma e, pronto, um plano surgiu na minha mente. Eu não precisava derrubar aquela parede, apenas diminuir o tamanho dela, virar sacos em outra posição, assim eu teria um espaço extra, mexer aqui, ali, deixar vaga para os outros sacos que estavam pra chegar, e pronto, cá estou eu escrevendo esse texto enquanto olho pro serviço feito. 

O relógio não para. A vida é assim, ela não vai te esperar quando você não souber o que fazer. "Oh, pobre Glauco, não sabe o que fazer pra resolver esse assunto... Vou parar e esperar ele pensar.". Nunca. A vida anda, o tempo não para nunca, e você tem que escolher a melhor hora pra poder pensar e organizar a sua vida. Às vezes, você não vai ter tempo, vai ter que tomar uma decisão num momento caótico, porque é assim que as coisas funcionam. Não existe hora ou lugar, quando se trata de viver, de fazer, de sujar as mãos pra limpar a poeira. E não adianta causar caos dentro do caos. É perder sangue à toa, com coisas que podem não merecer o desgaste. 

Permita-se sentar, olhar o quadro como se não fosse uma solução pra você, mas pra outra pessoa. Eu poderia ter resolvido mais rápido se tivesse esperado minha chefe chegar pra me ajudar a pensar? Sim, talvez teria, mas, e aí? Eu não posso sempre depender de alguém pra pensar por mim, ninguém pode viver desde jeito. Tem-se que pensar, que agir, não se pode viver uma vida esperando a hora certa pra fazer isso ou aquilo. Você é quem vai se salvar. No fim das contas, quem pode decidir sobre a sua vida é apenas você. 

Não se deixe aborrecer quando não tiver um plano. Pare. Pense. Respire. 

A hora é agora, a vida é agora.

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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