domingo, 8 de março de 2015

Afinal, o Que Querem as Mulheres? Anseios e Reflexões Femininas no Dia Internacional da Mulher





Em 08 de março de 1857, aproximadamente 130 mulheres morreram carbonizadas, ao serem trancadas dentro de uma fábrica de Nova York, depois de entrarem em greve para reivindicar melhores condições de trabalho. A partir de então, como reflexo dessa bárbarie, no dia 08 de março de cada ano passamos a comemorar o Dia Internacional da Mulher, já que essas verdadeiras heroínas travam lutas diárias e, por isso, tem um dia só delas para que todos nos lembremos de uma tragédia que, certamente, não deve se repetir nunca mais.

Aqui no Barba Feita, apesar de sermos seis colunistas do sexo masculino, as mulheres tem prioridade. Afinal, são elas, nossas mães, irmãs e amigas que colorem nossas vidas e, tantas vezes, são alguns dos maiores exemplos para nós. São elas, as mulheres, que convidadas eventualmente para assumir a coluna de convidados aos domingos, esbanjam carisma e inteligência em textos ora ousados, ora divertidos, mas sempre relevantes.

Por isso, nesse dia de reflexão, convidamos quatro mulheres para assumir o Barba e nos brindarem com seus anseios e reflexões. Afinal, hoje é o Dia Internacional da Mulher, mas o que pensam elas sobre essa data e seu significado? O que, 158 anos depois da chacina de Nova York, mudou na vida de milhares de mulheres ao redor do mundo?

Ariadny, Bárbara, Camila e Fernanda. Guarulhos, São Paulo, Fortaleza e Rio de Janeiro. Mas poderia ser qualquer Ana, Clara, Letícia, Maria ou Silvana. De qualquer lugar do Brasil ou do mundo. São apenas quatro vozes que escolhemos para homenagear a todas vocês, mães, filhas, namoradas, sogras, amigas e irmãs. Porque sabemos que, apesar do progresso, ainda há muito para transformar esse mundo em um lugar melhor. Para homens e mulheres de todas as cores, credos e orientações sexuais.

Mas agora é a hora delas, das nossas convidadas. Com vocês, as nossas musas, divas e amigas, nos confidenciando anseios, desejos e vontades! 
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Apesar de ser uma data importante, a semana que antecedeu o Dia Internacional da Mulher desse ano passou despercebida por mim,. Não sou feminista, tampouco integro alguma militância a favor dos direitos das mulheres mas, ainda assim me preocupo e acompanho os avanços na luta diária por igualdade e um mundo com menos violência contra o apelidado "sexo frágil".

Tenho estado desanimada. Constantemente sou vítima ou presencio situações constrangedoras envolvendo jovens, adultas e idosas. No metrô, o primeiro leão do dia a caminho do trabalho é ter que lidar com encostadas propositais e a falta de vergonha na cara de alguns homens, os mesmos que ocupam os bancos preferencias e nos agridem verbalmente com cantadas ofensivas e humilhantes. Mas o pesadelo está só começando, já que no trabalho o abuso de poder e as diferenças de gênero oprimem e tiram a esperança de, finalmente, comemorar esse dia que para ser reconhecido precisou do sangue de 130 operárias.

Sou realista e sei que o mundo ideal para nós mulheres está longe de existir, mas me permito deixar os pés saírem do chão por alguns instantes e sonhar que, talvez um dia, minhas netas ou bisnetas não tenham que conviver com o medo, a tristeza e a cicatriz eterna que é sofrer algum tipo de violência física ou verbal e, quem sabe, até ganhar o mesmo salário que um homem sem ter que implorar igualdade à milhares de pessoas segurando uma estatueta.

Melhor ainda seria comemorar essa data com felicidade genuína e um guarda-roupa lotado de diferentes sapatos. Porque nós podemos e merecemos exatamente aquilo que quisermos.
Ariadny Theodoro  
Ariadny Theodoro,incansavelmente bipolar, apaixonada por literatura, séries de televisão, teatro e fotografia digital, escreve por necessidade de manifestar suas diversas paixões, nem sempre compreendidas pelos demais. Escreve sobre tudo - o bom e o ruim! Afinal, alguém tem de ter a difícil tarefa de alertar ao mundo que nem tudo é sempre bom!
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Eu nunca fui muito menininha, sempre tentei imitar meu irmão. Sempre estive mais preocupada em ser legal do que bonita. Então fui presenteada com peitos e, de brinde, ganhei a vaidade. Não era muito vaidosa, pois o brinde varia de acordo com a mercadoria recebida, e minha mercadoria provavelmente se perdeu pelo caminho. Mas minha vaidade foi suficiente para descobrir o que mulher nenhuma gosta de descobrir: não podemos ter pêlos! 

Outra descoberta dolorosa foi a do sutiã e do salto-alto. Já me livrei do salto-alto há muito tempo, com a desculpa de que não sei andar, mas o sutiã ainda me ajuda a enganar a sociedade, vale o esforço! 

A verdade é que é muito difícil ser mulher, é difícil ser castigada todo mês com uma hemorragia simplesmente porque você resolveu não engravidar, é difícil saber que sua bunda não será igual a da Sabrina Sato, é difícil não poder comprar uma G Magazine na mesma cara de pau que os homens compram uma Playboy... 

Então, parabéns à nós mulheres fortes. Fortes sim, pois aguentar depilação, cólica e a possibilidade de uma criança sair de dentro de você em algum momento de sua vida, não pode, de jeito nenhum, ser sinônimo de sexo frágil.
Leandro Faria  
Bárbara Cortez 25 anos, com rostinho de 15 e pique de 70. Virginiana nada organizada, começou a escrever para não perder também a cabeça. Radialista por formação, cantora por paixão e escritora por cara de pau mesmo.
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Um mundo ideal onde realmente valeria a pena comemorar o Dia da Mulher? Provavelmente, nesse mundo eu poderia andar na rua sem os constrangedores “Fiu-Fiu”, buzinadas e “te chupava toda, sua gostosa” e nada no mundo vai me convencer que isso são elogios, porque não são, ou realmente existe algum cara louco que pense que gritar isso aumenta a chances dele de conquistar alguém? 

Também seria um mundo onde eu poderia sair para uma balada com a minha namorada e não teria aquela corja de marmanjo secando a gente na espera de um beijo ou qualquer forma de caricia, afinal, meu relacionamento não é XVideo ao vivo. 

E, com toda certeza, seria um mundo onde eu não precisaria voltar do trabalho de noite com as chaves entre os dedos para me proteger, não apenas de um possível assalto. Uma em cada seis mulheres é estuprada e, infelizmente, as estatísticas também dizem que os estupradores são em maioria pessoas próximas da vótima, ou seja, não está fácil nunca. 

Em um mundo ideal, a conta não seria um problema; poderíamos rachar de boa ou eu mesma poderia pagar tudo e o cara não iria se sentir desmasculinizado, até porque, né, nesse mundo eu estaria ganhando tanto quanto qualquer homem exercendo a mesma função. Também ia acabar com esse tabu do sexo no primeiro encontro, afinal, todo mundo já teria entendido que mulher gosta tanto de sexo quanto qualquer homem. 

Mas, acima de tudo, o que eu tenho mais certeza é que nesse mundo ideal não haveria necessidade do Dia da Mulher, porque todo mundo teria entendido a chocante realidade que mulheres são pessoas como quaisquer outras e merecem ter os mesmos direitos e serem tratadas de forma igual a qualquer homem perante a sociedade.
Leandro Faria  
Camila Cerceira é cearense, nerd assumida, feminista e alguém com muita opinião. Escreve em blogs diversos e não tem vergonha de ser exatamente quem é. E de desejar que o mundo seja um lugar melhor para todos poderem ser exatamente quem são.
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No Dia da Mulher, eu não quero ganhar flor. Não quero promoção pra fazer balayage ou remodelar as sobrancelhas. Não quero montagem em tom pastel com escrito meloso em fonte imitando letra cursiva. Não quero cupcake decorado com laço, lembrancinha perfumada que ninguém nem sabe pra que serve, mensagem genérica em grupo de Whatsapp comunicando a mim e a todas as presentes na janela de conversa que somos especiais. Não quero ouvir que "mereço" jantar caro, lingerie nova ou uma palheta de sombras pela metade do preço. Não quero ouvir que eu deixo o mundo mais bonito apenas por existir em volta da minha vagina. 

Não tô aqui pra ser enfeite. 

O que eu quero no Dia da Mulher é não ser bonita. Não fazer hidratação. Não ser associada a flores, a cor de rosa, a doces e a tons pastéis. Eu quero falar palavrão. Eu quero arrotar alto. Eu quero ter pizzas de suor, babar durante a soneca acidental no ônibus e passar meses com as unhas sem cor e comidas nos cantos. Eu quero engordar e usar calça jeans que deixa meu culote marcado e o cofrinho aparecendo quando eu sento. Eu quero odiar flores e comer com a mão. Eu quero assistir a duas mulheres musculosas trocando socos em uma jaula. Eu quero fazer isso sem ninguém comentando do meu lado - como se em algum momento eu tivesse perguntado - que "é feio" ver mulher se batendo. Quero usar coisa feia, falar coisa feia, pensar coisas impronunciáveis. Eu quero não ouvir que "tudo bem" ser feminista, mas TEM QUE se cuidar. TEM QUE ser ~feminina. Eu, aliás, quero que você pegue o seu TEM QUE, enrole bem bonitinho, numa trouxinha com lacinho, e enfie no seu rabo. 

Se der na telha, eu quero usar rosa também. E fazer uma maquiagem desnecessariamente demorada. E gastar uma obscenidade num condicionador importado. Eu quero pintar as unhas de cor de chiclete e borrá-las todas logo em seguida. E botar salto alto e um vestido bem curto e bem apertado, daqueles que deixam a metade da polpinha da bunda pra fora. Eu quero usar batonzão vermelho e sair da festa com ele todo borrado depois de beijar quantos caras eu tiver vontade. Eu quero ir pra casa de algum deles. E voltar no meio da madrugada, sozinha, com os sapatos na mão, memórias embaralhadas e gosto de cerveja na boca. Eu quero fazer isso diversas vezes, às vezes vários dias seguidos, com caras diferentes. Eu quero fazer isso tudo e não ser chamada de piranha. Não ter meu nome (com direito a link de Facebook) jogado em conversas sobre "vagabundas" e "safadas". E não TER QUE "fechar as pernas". As MINHAS pernas. 

No Dia da Mulher, eu quero a mesma coisa que eu vou querer amanhã. E depois. E depois. Eu quero o respeito ao meu direito de ser. Sem o TER QUE do manual de termos e condições que parece que chega na caixa junto com os ovários. 

Aos que discordam... Meu mais sincero, cor de rosa, perfumado, floral e coberto de glacê cupcake FODA-SE.
Leandro Faria  
Fernanda Prates tem 25 anos, mora no Rio há 21 e consome glúten regularmente. Ama lutas, filmes de ação dos anos 80, pasta de amendoim e palavras. Seus hobbies incluem: deixar de sair para ver TV, entrar em pânico por coisas pequenas e comprar roupas online. Segue em busca da felicidade, mas se contenta com cerveja enquanto isso.
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AriadnyBárbaraCamila e Fernanda, a vocês o nosso muito obrigado e carinho. A equipe do Barba Feita sente-se honrada por ter vocês colaborando conosco e, vocês já sabem: a casa é nossa!

Às nossas leitoras queridas e sempre presentes, queremos agradecer pela companhia e parabenizá-las por esse dia de reflexão, em que somos lembrados da importância de cada um de vocês. Parabéns! Hoje, a cada dia e sempre!

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