domingo, 1 de março de 2015

Barba Especial: Rio 450 Anos - Três Cantinhos Cariocas Que Você Deveria Conhecer




450 anos. Quantas cidades podem se dar ao luxo de completar 450 anos de existência, na crista do sucesso e ainda como cartão postal mundial? Completando 450 anos hoje, 01 de março de 2015, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro continua arrancando suspiros de todos que a conhecem, mesmo com seus conhecidos problemas e desafios diários. Mas, com uma Olímpiada nas portas e mil obras por toda a cidade, seus moradores, os famosos cariocas, nunca se cansam de admirá-la e contarem vantagem pelo privilégio que tem de morarem nela.

Por coincidência, três dos seis titulares colunistas do Barba Feita moram na Cidade Maravilhosa, conhecendo bem seus encantos e confusões. E na data de hoje, exatamente 450 anos depois da fundação da cidade, em 01 de março de 1565, esses três rapazes escolheram apenas três dos diversos cantinhos conhecidos e amados do município para compartilhar com nossos leitores. 

É muito amor, não? Pelo Rio e por vocês! Por isso, conheçam um pouco mais do Rio, pela ótica de Leandro Faria, PH Brazão e Silvestre Mendes. Fugindo só um pouquinho do óbvio, nossos colunistas tem o prazer de convidá-los a recantos não tão conhecidos da cidade, como as praias da Zona Sul ou seu centro histórico. 

Vamos juntos nesse passeio?

Aterro do Flamengo


Quando se fala em um parque no meio de uma grande cidade, é quase sempre no Central Park, de Nova York, que pensamos, correto? Porque sim, o grande retângulo no meio de Manhattan é realmente impressionante mas, acredite, ele não é o maior parque urbano do mundo. Esse título, meus caros, pertence ao Aterro do Flamengo.

Construído a partir de sucessivos aterros da Baía de Guanabara, o atual Parque Brigadeiro Eduardo Gomes (Aterro, para os íntimos), possui 1.200.000 metros quadrados e foi oficialmente inaugurado em 1965, mas com sua história remontando ao ano de 1927. Como meu papel aqui não é o de guia histórico, deixo o link da Wikipedia para quem se interessar pelo assunto.

Estendendo-se do Aeroporto Santos Dummont até a Enseada de Botafogo, o Aterro é ímpar, cortando os bairros Centro, Glória, Flamengo e terminando em Botafogo. E, por ser integrado com a praia (que não é lá a mais limpa da cidade), possui um visual arrebatador ao mesmo tempo que é o refúgio de descanso, lazer e atividades físicas de milhares de cariocas e turistas diariamente.

Eu, que moro praticamente em frente ao Aterro, uso o parque como quintal de casa. É no Aterro que faço minhas corridas, respirando ar puro, sentindo a brisa que vem do mar e encantado com o Pão de Açúcar de um lado e o Cristo Redentor do outro.

E o mais legal do lugar é que, apesar de cortado por uma via de alta velocidade, aos domingos e feriados elas são fechadas e o público pode circular ainda mais livremente por elas, usando o asfalto para atividades que vão de skate a passeios de bicicleta e patins. Claro, apenas se não quiserem continuar nas pistas internas do parque, exclusivas para pedestres e pessoas de bikes, patins e skates, fulltime.

Com sua flora abrangente e vistas espetaculares, o Aterro do Flamengo é uma jóia carioca que merece ser conhecida e explorada por todos, moradores e visitantes.

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Botafogo 


Botafogo há muito tempo deixou de ser um bairro de passagem. Tornou-se um local de pouso para os amantes de cultura, em especial do cinema. Nascido e crescido em Niterói, quando comecei a desbravar meus primeiros passos sozinho ou acompanhado de amigos pelo Rio, Botafogo era destino obrigatório. Tinha certeza de que um dia eu lá moraria (o que não aconteceu até hoje...). Lembro das primeiras vezes em que tudo era novidade e, como tal, motivo de festa: pegava a barca em Niterói, fazia uma parada estratégica na Saraiva MegaStore da Rua do Ouvidor, no Centro do Rio; depois rumava para o metrô da Carioca e descia na estação Botafogo (era o máximo chegar em cerca de 10 minutos por baixo da terra e ainda descer em frente aos cinemas!) – e hoje em dia eu praguejo quando preciso pegar a barca ou o metrô... E tudo isso motivado pelas maratonas cinematográficas que fazia por lá, que por vezes tomavam um sábado inteiro. 

De todos os lugares, o mais charmoso e com melhores opções sempre foi o antigo Espaço Unibanco de Cinema, hoje Estação Sesc Rio. Com suas três salas de exibição e um foyer onde é possível tomar um café, ver uma lojinha de filmes, livros e outros achados imperdíveis ou simplesmente sentar e esperar a próxima sessão, o espaço ainda é diferenciado por sua seleção de filmes. O chamado circuito alternativo geralmente encontra por lá os seus títulos mais nobres em solo carioca, sendo parada necessária para cinéfilos que se prezem (atualmente, admito, não ando me prezando muito, mais por falta de tempo, mas bate uma saudade...).  

Completam ainda o cluster de cinema de Botafogo o Estação Net Botafogo, na Voluntários da Pátria, quase em frente à Estação Sesc; o Espaço Itaú de Cinema (antigo Unibanco Arteplex, misto de circuitão com alternativos); e o CInemark Botafogo, esse sim Meca dos blockbusters no bairro. Localizado no Botafogo Praia Shopping, geralmente era por lá que terminavam os passeios, na bela varanda externa do shopping, com vista de cartão-postal para a Enseada e o Pão de Açúcar.

Hoje em dia, ainda é possível encontrar outros programas diferenciados na mesma vizinhança (convenhamos, o bairro é grande e me ative somente aquele quadrilátero próximo à praia), como a Livraria Prefácio, também na Voluntários da Pátria, que tem um restaurante super charmoso ao fundo, com boa comida e a preços honestos; e o Hell’s Burguer, hamburgueria para carnívoros hardcore

Botafogo é parte importante de um Rio que, em 450 anos, sempre se gabou de ser a capital cultural do Brasil.
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Cinelândia e Adjacências 



Morar no Rio de Janeiro significa crescer em lugares diferentes da cidade. Quando fiz 18 anos, por exemplo, foi basicamente na mesma época em que comecei a frequentar as maratonas de cinema lá no Odeon – um dos mais antigos cinemas de rua da cidade, fechado temporariamente (assim espero) para obras –, que sempre aconteciam na primeira sexta-feira de cada mês. 

Funcionava assim: existia a exibição de alguns filmes, como uma maratona mesmo, que começavam por volta das 22h30 da sexta-feira, só indo terminar às 06 horas da manhã de sábado. Existia ainda um intervalo entre as sessões, onde um DJ tocava músicas e a galera se conhecia, paquerava e se jogava. Posso dizer que foi nessa época em que comecei a descobrir meu gosto cinematográfico, assim como também todo o lado noturno da cidade, mais precisamente do centro do Rio. 

Para quem não sabe, a Cinelândia, local da cidade onde fica localizado o Odeon, é bem próximo da Lapa. Sim, caso você não conheça o Rio de Janeiro, lá é onde ficam os famosos Arcos da Lapa, logo embaixo tem o também icônico Circo Voador, bem colado à Fundição Progresso. Porque sim, uma vez no centro, você pode sair pra beber com amigos, curtir um show de um cantor ou banda famosa ou nem tanto e, de quebra, ainda dar uma bela esticadinha depois. 

Durante o dia aquela região da Cinelândia e Lapa ganha uma cara completamente diferente, apresentando novos contornos. Perto do Odeon temos o Teatro Municipal, palco de grandes apresentações de ópera da cidade e, bem em frente, temos a Biblioteca Nacional. Próximo ao Centro 
Cultural da Justiça Federal. Ou seja, o centro do Rio é o encontro do lazer e da cultura. 
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É óbvio que o Rio não é só isso. Afinal, a cidade é conhecida por seus incontáveis cartões postais, que vão do Cristo Redentor e Pão de Açúcar, passando pelo centro histórico e, é claro, terminando nas praias conhecidas mundialmente, como as de Copacabana e Ipanema. Isso sem contar o Rio não óbvio, como bem já apontamos aqui mesmo no Barba Feita, em uma coluna do PH Brazão.

Entretanto, o objetivo da coluna de hoje era exatamente esse: homenagear o Rio, mas fazer isso sob a ótica de três moradores indicando apenas três locais não tão badalados. E foi o que fizemos.

Mas, você sabe, a caixa de comentários e nossas redes sociais estão sempre liberadas aos nossos leitores. Contem pra gente: quais os seus cantinhos preferidos no Rio de Janeiro?

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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