terça-feira, 3 de março de 2015

Muito Barulho Por Nada




Eu acredito em Deus. Sempre acreditei, e sempre vou acreditar. Até o dia de hoje, Ele não me decepcionou em momento algum. 

Eu também sou gay. Desde os treze anos, como já disse aqui. Acredito em Deus, e nem por isso fico pedindo pra Ele matar todos os heterossexuais, evangélicos e tradicionalistas, como muitos praticantes andam fazendo. 

Líderes religiosos, cujos nomes eu nem preciso mencionar (e nem quero, não é o meu objetivo aqui), mandando descer o cacete nos homossexuais. Isso mesmo, com essas palavras. Incitando o ódio nas famílias, causando terror. 

Eu acho estranho, porque na Bíblia diz "Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura.". Sim, eu lembro de muita coisa. É pra pregar o evangelho, não pra criar um clima de caos e pavor. O que é isso? Por que fazem isso? Qual é o objetivo desse ódio evangélico todo? Deus não é um Rei do Crime, ou Al Capone, com capangas espalhados pelo mundo, prontos pra matar e aterrorizar em Seu nome. 

É um tal de fazer muito barulho por nada, que eu não consigo entender. Me espanta ver esse ódio disseminado, sendo que, há muito tempo atrás, eles eram jogados nas arenas pra serem comidos pelos leões, por conta do que acreditavam. Hoje em dia falam, pregam a respeito disso, de como seus antepassados foram heróis. É justo que eles se tornem os leões, ávidos em devorar os homossexuais, por conta do que acreditam? 

Não entendo essa coisa de "Em defesa da família!". Uma família evangélica tem mais valor que uma família homossexual? "Oh, eu sou evangélico, eu sou uma pessoa de valor!". Mas já parou pra pensar no que Deus está achando desse inferno na Terra? Deus criou o homem, então cabe única e exclusivamente a Ele o julgamento. A ninguém mais. 

Nao dá, não consigo entender, não entra na minha cabeça isso de "Os nossos valem ouro, os que não são nossos? Que morram!".

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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