sábado, 7 de março de 2015

O Poder das Mulheres





Amanhã é o Dia Internacional da Mulher, e eu tenho algumas coisas a dizer sobre elas. Na verdade, essas linhas nada mais serão que uma declaração, uma escancarada declaração de amor e admiração.

Definitivamente, eu amo as mulheres! Admiro-as com tanta profundidade, que às vezes penso o quanto minha vida seria mais fácil, simples e tranquila se eu não me sentisse sexualmente atraído por homens. Mas aí penso mais um pouco, e chego a conclusão que justamente por não enxergá-las como um objeto de desejo é que consigo dimensionar a grandeza das fêmeas.

Reza a lenda que mamãe tomava hormônios femininos no período de minha amamentação, desse modo, acabei botando a cara no sol e mostrando a feminilidade desde muito cedo. Mas falando sério, mais do que um jeito efeminado de ser, a construção de meu caráter teve contornos muito femininos sempre. Talvez por minha mãe ser mais pulso firme e ter mais atitude que meu pai. Talvez não, tenho certeza que foi isso. Meu pai era apenas uma presença. Uma nau meio sem rumo, sendo guiada pela voluptuosidade de mamãe, que muito se esforçava para ser a esposa submissa da bíblia, mas na verdade quem dominava a cena era ela, que fazia meu pai acreditar que era o chefe da família, o dono das decisões finais, detentor da última palavra, quando no fundo não era.

Clichês à parte, mamãe foi o primeiro e maior exemplo de mulher pra mim. Forte. Íntegra. Batalhadora. Leal. Fiel. Generosa. Justa. Empática. Amorosa. E tudo isso condensado em um gênio explosivo e altamente sincero. Vi minha mãe pagar muito caro algumas vezes por ser essa mulher de fibra que sempre foi. Muitas vezes interpretada equivocadamente, assim como eu sou hoje por muitos, pois herdei, graças aos céus, uma parcela imensa de sua personalidade. E isto é motivo de grande orgulho pra mim.

Mas depois de mamãe conheci outras mulheres, muitas passaram e fizeram parte de minha vida de forma indelével. Mulheres que ajudaram a formar meu caráter desde a mais tenra idade. Janaína. Maura. Keila. Ísis. Isadora. Roberta. Tomázia. Sílvia. Silmara. Luzia. Cláudia. Vânia. Fernanda. Kássima. Nadege. Vívian. Natália. Maristela. Carine. Rita. Bianca. Lauren. Luísa. Luli e Célia. Para citar apenas algumas que fizeram e ainda fazem parte da minha história.

Foram elas, sempre elas, que estiveram do meu lado todo o tempo. Eu tinha receio do sexo masculino, de ficar perto, de ser quem eu era na frente deles. Sempre grosseiros, agressivos e indecifráveis. Elas me aceitavam, me protegiam e gostavam de mim sem ressalvas.

E as mulheres eram meu escudo, meu porto seguro. E com elas fui aguçando cada vez mais a sensibilidade, a graciosidade e a docilidade. E se não fosse assim, provavelmente hoje, seria um desses gays homofóbicos e misóginos, metidos a macho, que tem pavor de bichinhas pintosas que miam, e que são e curtem homens com jeito de homens e discriminam violentamente qualquer coisa que foge desse padrão. Deus me livre ser assim. Talvez eu quisesse ser um pouco menos pintosinha, por motivos muito particulares, mas qualquer coisa bem distante de achar que o feminino é inferior.

O feminino é tão mais superior em tantas coisas. Mulheres são poderosas, isso é um fato indiscutível. E ao amadurecer passei a enxergá-las por um outro prisma. Mulheres literalmente tem o poder. O poder de dominar os homens e o mundo, e isso não é um discurso feminista, embora eu seja um feminista. Falando direta e grosseiramente, as mulheres dominam os homens héteros pela vagina. Sim, é a genitália um dos grandes poderes femininos e não me venham com discursos falso moralistas. Vamos encarar os fatos. Homens que são sexualmente atraídos pelo sexo feminino, morrem e matam por uma vulva. Vide Helena de Tróia, que provocou uma guerra.

Todas as mulheres são prostitutas em potencial, mesmo a mais virgem das freiras. E o que é uma prostituta, se não a mulher que recebe dinheiro em troca de sexo? E todas recebem, em algum momento da vida, algum benefício por sua vagina, seja do marido, do amante, do noivo, do namorado ou de qualquer outro homem. Por favor, não interpretem errado essa afirmação, não digo aqui que todas as mulheres são prostitutas, mas que todas o são em potencial. Pois puta não é só aquela que fica na esquina ou num catálogo de luxo. Pensem nisso e não se envergonhem, nem fiquem furiosas, mulheres, é apenas um dos muitos poderes que vocês possuem. E é legítimo.

Homens gays também são dominados por elas. E não venham me dizer que não suportam "rachas". Impossível viver sem pelo menos uma por perto. Seu mundo de cores, brilhos, saltos altos, sensualidade e o tal poder tão perceptível aos gays, é de extrema sedução às bibas. Elas são verdadeiramente o que eles gostariam de ser em 80% dos casos e nos 20% restantes, elas são o que eles gostariam de gostar. E, por isso, gays não conseguem viver longe de mulheres, nunca na galáxia.

Por fim, o maior poder de todos, ou pelo menos o melhor desenvolvido, a inteligência emocional, e porque não dizer também, a intelectual. Como já disse, mulheres são tão mais superiores, a começar pelo fato de não pensarem com a genitália, ao contrário do sexo oposto. E se o mundo fosse governado por elas em sua maioria? O que seria deles? O que seria do mundo? Creio que nada menos que funcional e mais justo.

Mulheres são mães e amantes. São dóceis e duras. São complexas e simples. São amorosas e cruéis. São macias e calejadas. Suportam as dores do parto e as dores da alma. Suportam sangrar todo o mês, às vezes, com fúria, às vezes, com placidez. Mulheres gostam de homens ou de mulheres ou dos dois. Mulheres são femininas e masculinas. Mulheres são discrepantes. São Clarice Lispector, Madre Teresa de Calcutá, Joana D'arc, Princesa Isabel, Xica da Silva, Tarsila do Amaral. Mulheres são complicadas e perfeitinhas. Mulheres são lindas.

Leia Também:
Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: