segunda-feira, 2 de março de 2015

O Vestido, o Forninho e o Meu Total Desinteresse Pelos Sucessos do Momento na Internet





De que cor é o vestido? Gente, sério, quanta idiotice! Eu acordei na última sexta e em todas as redes sociais a pergunta era se o vestido era branco e dourado ou preto e azul. Olhei a imagem, vi a cor que achei que era, segui a vida e pensei "who cares?". Mas o resto do mundo, pelo visto, se importava e muito. Por isso, qual não foi a minha surpresa ao ver uma matéria no Jornal Nacional sobre as cores do vestido. Putaqueopariu, que mundo é esse?

Sim, eu sou ligeiramente hiperconectado. Estou na internet, sei lá, há séculos (desculpaê, mas sou da época em que o ICQ era o mais usado comunicador instântâneo do mundo) e gosto de estar por dentro das novidades, quando elas me interessam. Vi fenômenos surgirem e desaparecerem na mesma velocidade. E, é claro, vi tanta bobagem nesse mundo virtual que, confesso, não consigo entender a graça de tanta baboseira.

Na última terça, a coluna do Glauco Damasceno aqui mesmo no Barba Feita falava sobre alguns fenômenos e memes do Twitter e, é claro, dos haters automáticos que os acompanhavam. E em seu texto o Glauco defendia, à sua maneira, o direito de cada um à idiotice. Concordo com o Glauco, principalmente no que diz respeito aos incomodados com os fenômenos que, exatamente por isso, os alimentam mais, falando mal e perdendo tempo com eles. Entretanto, meu texto de hoje segue um caminho oposto ao do Glauco, já que eu acho a grande maioria dessas internetices atuais uma tremenda baboseira. E, exatamente por isso, muitas vezes sequer fico sabendo do que elas tratam. A ignorância, meus caros, algumas vezes é uma tremenda benção!


A cor do vestido, o uso do feminino para se referir a outras pessoas no Twitter, a queda do forninho e a tal da Giovana (que descobri ser a acima, graças a São Google) ou colocar a cara no sol, apenas para citar algumas. As modinhas virtuais surgem em profusão e eu muitas vezes sequer consigo acompanhá-las. Lembro que um dia, editando uma coluna do Serginho Tavares aqui para o Barba Feita, perguntei ao Silvestre Mendes: que porra de 'bota a cara no sol, mana' é essa? E ele, se divertindo, me mandou um link que eu vi e me questionei: jura que é só isso que faz tanto sucesso?

Esse sou eu, que faz o cavalo em dia de marcha de 7 de setembro para a grande maioria dos sucessos da internet que, algumas vezes, conseguem sair do mundo virtual e ganhar o nosso cotidiano. Vejo todo mundo comentando, rindo, brincando e, sem entender, apenas cago e ando enquanto todo mundo continua a aplaudir as invencionices da vez. 

Não que eu seja um chato ou hater de plantão como os mencionados pelo Glauco em seu texto de terça passada. Acho que a minha diferença para esses é que eu realmente não me importo. Acho que me falta uma curiosidade natural para investigar ou me inteirar sobre os assuntos e, por isso, acabo deixando pra lá, seguindo a minha vidinha e os meus afazeres. Fora que, aliado à isso, eu perco fácil o interesse pelas coisas e, muitas vezes, acabo me esquecendo de verificar do que se trata o mais novo fenômeno da vez e, quando vejo, ele já acabou.

Dessa forma, o mundo vai seguindo o seu curso, com cada dia uma novidade aparecendo e sumindo logo em seguida. Algumas delas eu acabo descobrindo, como o maldito vestido e suas cores e não cores. Outras, como a porcaria do forninho, eu ignoro solenemente e não faço a menor ideia do que se trata, apesar de ouvir a expressão em todo e qualquer lugar à minha volta. 

Porque, no fim das contas, eu não me importo. Com os memes e suas repercussões. Ou com quem gosta ou deixa de gostar deles. Posso, inclusive, ver alguma coisa, me divertir por alguns minutos e, logo depois, deixar para lá. É indiferente, porque não muda minha vida. 

É claro, a menos que seja eu o protagonista de um novo fenômeno e, por causa disso, acabe virando um DJ super famoso (e bem remunerado, obviamente) ou ganhando uma grana por protagonizar alguma besteira na internet. Confesso, nem ia achar ruim. Porque quem lucra com o interesse de tanta gente por coisas tão pueris, em minha opinião, é apenas quem capitaliza em cima do que faz o sucesso do momento. E, infelizmente, essa pessoa ainda não sou eu.

Ainda, eu friso. Ainda...

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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