sábado, 28 de março de 2015

Surpresas e Incertezas




De repente, a vida vem e te dá uma rasteira e você fica sem chão. Ou ela te prepara uma belíssima surpresa. E quando a rasteira pode ser uma boa surpresa? Uma demissão em massa, por exemplo, onde você é incluído, de uma hora para outra sem maiores explicações. 

Num dia, tudo parece caminhar em brancas nuvens, no outro se está no olho da rua, mais um cidadão na fila do desemprego no país. Assim aconteceu comigo, essa semana. Não era o emprego dos meus sonhos, tinha planos de sair de lá em breve, mas também não era o pior emprego do mundo, apenas menos, bem menos do que eu quero e mereço como profissional. 

De qualquer forma, um sentimento ambíguo me invadiu no momento do desligamento. Uma sensação gostosa de ter saído bem, sem fazer nada que me desabonasse e não ter nenhuma obrigação no dia seguinte, ter ele e os próximos dias livres só pra eu fazer o que bem entender. Dormir, ver filmes e séries até enjoar, pegar um cinema à tarde no meio da semana, entrar num bar e beber à qualquer hora, simplesmente flanar pela cidade e, o principal, ter tempo útil e de qualidade pra estudar, em ano de estágios obrigatórios, TCC e monte de outros tormentos, tempo pra me dedicar aos estudos era tudo o que eu desejava, como água no deserto. 

Pensando por esse lado, minha demissão foi providencial. Sem contar aquela expectativa boa de conseguir nova colocação em algo que realmente tenha a sua cara e te realize. Por outro lado, por mais confiança que se tenha, é inevitável o receio de que o tempo passe, o tal emprego bacana não surja e acabe-se aceitando o primeiro que aparece. Aí, lá vai você fazer exames, juntar uma porrada de documentos, pra atuar em algo que você não curte, porque ninguém vai pagar suas contas, comprar suas roupas e te alimentar. 

Ter que encarar qualquer coisa é um pequeno pesadelo que assombra qualquer um que se encontre nessa situação, especialmente quando se tem certeza de suas capacidades e talentos, mas nos dias de hoje, mais do que competência é preciso QI, e esse não se encontra facilmente, infelizmente. 

No frigir dos ovos, o que importa mesmo é encarar tudo de peito aberto, como um grande desafio e curtir o friozinho no estômago da incerteza de não saber o que vai rolar: surpresas maravilhosas ou desagradáveis. Seja o que for é sempre bom lembrar que não há mal que nunca termine, nem bem que não acabe. 

Quanto à minha demissão, resumo em apenas uma frase da protagonista de um filme que adoro: 
"Eu nunca me importei com coisas pequenas!"
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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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